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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

11
Jan07

Ó Sardas, já enjoas!

pickwick

Desde esta brincadeira de ah e tal o blog vai passar na Rádio Comercial, comecei a ser ouvinte desta estação. Dantes era da RFM. Aliás, durante muitos anos era ouvinte atento da RFM. Confesso que, a partir de determinada altura, que não posso precisar no tempo, comecei a sentir necessidade de algo mais violento. Um gajo que tem uma profissão como a minha, necessita frequentemente de bater em alguém, partir umas pernas, umas costelas, arrancar umas sequóias do chão, afundar um petroleiro, enfim. A RC veio em boa hora, por assim dizer, como uma lufada de ar fresco com um toque suave de vandalismo radiofónico. Suave, tipo ligeiro, portanto.  Tudo corria bem, ao longo dos meses, até há bem pouco tempo. Aos poucos e poucos, quase sem eu notar, apareceu um cantor português a invadir o espectro musical, pé ante pé, ligeirinho, ah e tal, foi feitiço e o que é que me deu e mais não sei o quê. Tão ligeirinho foi, que aquilo até era agradável de ouvir e convidava a um “caraóque” ao volante, IP3 acima, IP3 abaixo, monte acima, monte abaixo, ah e tal, eu gostava de ser como tu e não ter asas e poder voar e o caraças. O cantor, como dá para perceber facilmente, é o André das Sardas. Bom, às tantas, quando dei por mim, um dia destes, a RC tocava uma música do Sardas intercalada com todas as outras músicas. Ou seja: Queen, Sardas, The Gift, Sardas, Craig David, Sardas, e por aí fora. Como se não bastasse, apareceu um dos locutores, que até é um bom locutor, com uma conversa muito lamechas que ah e tal ele é que tinha lançado a carreira do Sardas, e blá blá blá, e que o Sardas ia fazer uma festa de anos num pavilhão qualquer com duas mil pessoas. Aí, percebi tudo. Ao longo dos meses, devagarinho e com vaselina, tinham-me feito uma cópula anal radiofonicamente. O Sardas, afinal, é um cantor pimba! Convicto! Um gajo normal não faz uma festa de ano com duas mil pessoas! Ainda por cima, uma gajo que canta. Portanto, só pode ser pimba! Muito pimba! Ora bolas! Pronto, a partir daí, cada vez que metem uma música do rapaz, é mudar de estação não se fala mais nisso. Enjoa! Pura e simplesmente! Como diz o ditado, tudo o que é demais enjoa! Enfim. Imagino, já agora, aquelas miúdas perdidas de tolice, a babarem-se em ranhetas misturadas com purpurinas, trajadas com cuecas de fio dental e outras obscenidades têxteis, a guincharem ó Sardas, ó Sardas e tal. É uma coisa que me mete confusão, essa coisa de idolatrar alguém até à idiotice. Está bem que, quando era puto, uma vez espetei com um poster da Kylie Minogue na parede do quarto, mas isso deveu-se apenas a uns meros e insignificantes instintos carnais, despertados pelo vestuário encolhidíssimo da artista, combinado com umas linhas onduladas e perfeitas, como que a chamarem por mim: trinca-me! Trinca-me! Pronto, só isso. Se ela passasse lá na rua, naquele tempo, provavelmente iria ao portão gritar-lhe um “ó boa”, e já a moça ia com sorte. Bem, “ó boa”, não sei, será que nessa altura já sabia largar assim uns chavões brejeiros pingados de cimento e areia? Não sei. Uma cantora não passa de uma gaja que não dá valor à privacidade, à discrição, nem à compostura. E, por falar em purpurinas, a propósito das tolinhas que se babam em concertos, então não é que a Paula esta semana apareceu com as pálpebras encharcadas em purpurinas?! Bom, ainda não sei ao certo o que são as purpurinas, ao fim destes meses todos, mas faz de conta que são umas coisas brilhantes, tipo pó cósmico, que as gajas metem nas pálpebras para ofuscarem os incautos. Certo é que fica mal a uma quarentona, mãe de filhos, profissionalmente responsável e competente, andar com coisas daquelas nas pálpebras. Para mais, a cor do pó brilhante condizia exactamente – em termos de reflexo luminoso – com a cor da armação dos óculos. Seria de propósito? Só podia! Paula, diz-me que não andas a ouvir o Sardas na RC e a conspurcar a mente com a Floribella. Diz-me! Por favor! É que não vejo outra explicação para essa maquilhagem amorangada. Não compreendo o que te deu! (agora já pareço o Sardas a gemer…) Até ficaste gira e até parecias uma teenager, mas esse desfasamento de mais de duas décadas borra a pintura toda nessa tela de sensualidade. pickwick

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