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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

01
Set06

As bombeiras de verão

riverfl0w
Estava pacatamente a ler um livrinho, numa estação de comboios algures, quando começaram a passar na estrada mesmo em frente. Uns seis ou sete, acelerados, vermelhos, ni-nó-ni e tal. Ao mesmo tempo, uma avioneta com ar de grilo enfezado e uns helicópteros a fazerem chop-chop juntaram-se à festa. Ali, a poucas centenas de metros, uma coluna de fumo assinalava o churrasco. Os ni-nó-nis a passar e os vrum’s e os chop-chops tiraram-me a concentração necessária à profunda leitura. Fiquei a vê-los, pelos ares, para trás e para a frente, não sei para onde mais. A minha imaginação pérfida não resistiu em engendrar uns planos fabulásticos para revolucionar o combate aos incêndios em Portugal. É que, a meu ver, esta cena dos helicópteros a gastarem ribeiros de gasolina no vaivém para uma lagoa longínqua, as avionetas ainda pior, os desgraçados dos soldados da paz enfiados até às virilhas em capim seco atiçado pelas chamas… bom, está mais que ultrapassado. Tudinho! E eu tenho a evidente solução, claro! Primeiro, as frentes do fogo serão combatidas por catapultas. Ah pois é! Catapultas. Resmas delas. Atiram balões de água, com precisão, a distâncias consideráveis. Só é preciso um autotanque para abastecimento e meia dúzia de bombeiras. Todos sabemos que a água largada pelos veículos aéreos se dispersa no ar quente, evaporando-se. É como tentar apagar uma fogueira com um borrifador de plantas de interior. Ainda por cima, é sabido que as chamas se atacam na base e não por cima. Por isso, a solução só podem ser catapultas, com balões de água certeiros que, ao embaterem no chão, rebentam naturalmente espalhando centenas de litros de água ao redor, mesmo no meio das chamas, tipo as bombas guiadas dos americanos na Guerra do Golfo, como se via na TV. Acaba-se com aquela cena das mangueiras, muito fora de moda. Aliás, por falar em mangueiras, e para quem ainda não sabe e anda distraído, a manipulação das vigorosas mangueiras de incêndio faz disparar a taxa de homossexuais entre os soldados da paz, de tão apegados que ficam com a lide de um objecto fálico de tanto “poder de fogo” e rigidez. Paralelamente, o manuseio das mangueiras por parte das bombeiras, provoca alterações na natureza das moças, atiçando-lhes os instintos primários, desenvolvendo a ninfomania. É bom, mas pode ser perigoso. No entanto, podem manter-se os helicópteros, mediante uma nova medida de dupla eficácia: a instalação de tanques portáteis em PVC junto às frentes de incêndio, para abastecimento imediato dos aparelhos. Como aquelas piscinas para putos que se levam para qualquer lado. E porque é que tem dupla eficácia? É simples. Por um lado, permite que os aparelhos se abasteçam em poucos minutos, em vez de irem dar uma volta ao bilhar grande e queimar mais um bocado de gasolina, tempo e dinheiro do povo. Por outro lado - e isto é mesmo inovador - a existência de um tanque deste género nas imediações da frente de fogo permitiria a criação de espectáculos de variedades destinadas às populações apavoradas, nomeadamente concursos de Miss T-shirt Molhada, combates na lama, sessões SPA com tratamento à pele com lama e cinza, etc. Uma fonte de rendimento para o Corpo de Bombeiros, já que seriam as bombeiras a dar o corpo ao manifesto nestas iniciativas culturais, e também uma forma de marketing para recrutar mais bombeiros, promovendo a actividade de uma forma muito atraente e positiva. Outra medida seria a utilização recorrente de aviões C-130 da Força Aérea, aquelas bisarmas que levam lá dentro autênticas manadas de mamutes. Estas aeronaves fariam o lançamento de enormes balões de água, em pára-quedas, com um mecanismo de orientação e mobilidade que permitisse à tripulação atingir o algo desejado com precisão imbatível. Não haveria fogo que resistisse! Tal como com os tanques de água, também aqui haveria lugar a um espectáculo de variedades, dinamizado pelas prestáveis bombeiras, que poderiam incluir saltos em queda-livre, com as bombeiras a fazerem dificílimas e arriscadas sessões de strip em plena queda, por entre as alças e fitas. Mais uma vez, angariação de fundos garantida. Bom, eu não quero parecer muito machista com estas teorias, mas, a verdade é que, sempre que passo em frente a um quartel dos bombeiros, há sempre duas ou três bombeiras à porta, sentadas à patroa, com ar de quem estão mortinhas por apagar o fogo a alguém. Ao menos, com estas inovações, andariam entretidas, divertidas, sentir-se-iam úteis e renderiam mãos-cheias de dinheiro para novos tanques, catapultas e muitos balões. Vivam as bombeiras! pickwick