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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

20
Dez06

Começou o raio do Feliz Natal

pickwick

Pronto! Ah e tal, boas festas, boas entradas, Feliz Natal, blá blá blá. Aqui está um dos motivos pelos quais o Natal é tão irritantemente irritante! Qualquer coisinha, então adeus, boas férias, Feliz Natal, boas entradas em 2007, e o caraças. Beijinho, beijinho (esta parte até podia ser agradável, se não tivesse o Feliz Natal), entra com o pé direito, não comas muitos doces, blá blá blá. Hoje ainda perguntei, com ar pasmado, a alguns colegas: Feliz Natal?! Que apressados! É como chegar ao verão e começar a dar os parabéns pelo aniversário a toda a gente, adiantadamente. É foleiro e pronto! Já chegaram no correio alguns postais, até em mão própria, cheios de simpatia e ternura, mas era escusado, ok? E por e-mail? Oh oh! Já começou a vaga do Feliz Natal electrónico! Uma nojeira a invadir a minha caixa de correio electrónico. Por falar nisso, hoje descobri mais uma daquelas que não lembram a Nossa Senhora e muito menos ao Menino Jesus. Eu conto. Outro dia, já lá vão largas semanas, desenhei e pintei um postal de Natal (compromissos e responsabilidades, a quanto me obrigais!) para enviar a todos os sócios de uma associação à qual pertenço, e que bem podia ser uma associação de apreciadores de lingerie e respectivo conteúdo, mas que não é. Trata-se, portanto, de uma obra original. O desenho seguiu em formato electrónico para uma empresa de impressão, que tratou de imprimir os cartões e devolvê-los, para que os pudéssemos expedir para todos os associados, acto que concretizámos no virar do mês. Hoje, recebi por correio electrónico (num e-mail, portanto) os votos de Feliz Natal do dono da empresa de impressão, enviados para uma série de clientes ou amigos ou sei lá. Os votos vinham sobre a forma de uma imagem, tipo postal de Natal, que era, nada mais, nada menos, que o postalinho que eu tinha criado! Fiquei sem palavras! Viva o Natal! E, como esse e-mail, outros surgiram, de empresas que fazem de contas que eu sou o melhor cliente e amigo quando nem sequer as conheço, de amigos, de conhecidos, de misteriosos remetentes, sei lá, qualquer dia também recebo um e-mail do próprio Pai Natal a falar-me sobre as renas e o bacalhau da consoada. Estamos a 20 de Dezembro. Daqui a dois ou três dias estará na hora de desligar o telemóvel, como forma de protesto pela onda imensurável de mensagens com votos e mais votos. Escapariam as mensagens humorísticas sobre o Natal, se não tivessem perdido já a graça. Ontem chegou-me uma, que rezava assim: “Aviso natalício: o Natal este ano foi cancelado. E tudo por tua culpa… Disseram ao Pai Natal que te portaste bem todo o ano… E ele morreu de tanto rir! Feliz Natal!” Eduardo, pá, essa não teve graça, ok? Tenho aqui uma guardada desde o ano passado, que diz assim: “Natal? Sininhos? Anjinhos? Peru? Azevias? Amor? Ganda tanga! A malta quer é sexo e Boas Festas no corpo todo! Festas felizes!” José, pá, não foi má, mas parece uma gracinha dos bosquímanos do deserto do Kalahari. O Rui, no ano passado, também mandou uma mensagem que bateu aos pontos todas as outras: “José martelava, Maria gemia, o burro de pau feito e a vaca mugia… Feliz Natal e Próspero Ano Novo. Já agora, sai debaixo do burro, porque não pertences ao Presépio.” Bonita, não é? Ainda dentro desta onda, devo dizer que acho extremamente foleiro enviar votos de Feliz Natal e afins assim por grosso. Isto é, pega-se em todos os endereços do telemóvel, e aí vai disto. Pega-se em todos os endereços de e-mail, e aí vai disto. Foleiro. Muito foleiro. São opções de vida, claro, mas escusavam de me entupir o e-mail e a memória do telemóvel, não? Apesar de tudo, apesar de achar o Natal uma nojeira insuperável, uma abundância de hipocrisia transbordante, devo confessar que fico sentido quando, do meio do nada, surge um telefonema simples, de um amigo, a desejar Feliz Natal. É raro, mas tem acontecido. Preferia não receber estes telefonemas, sinceramente. Detesto que me telefonem e detesto o Natal. Mas, no meio de tanto absurdo a propósito e despropósito do Natal, estes singelos telefonemas surgem como uma lufada de ar fresco. Ao ponto que eu parar e pensar se não serei uma versão gulosa e modernaça do Grinch, o tal que roubou o Natal a não sei quem… E as Mãe Natal? Uiii… pickwick

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