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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
O Natal incentiva o rímel

Não sabiam? Mas é verdade. Tem tudo que ver com aquela palermice das árvores de Natal e dos penduricalhos nos ramos e nas paredes e nos cortinados, e o azevinho, e as luzinhas, e os bonecos do Pai Natal pendurados nas varandas e as estrelinhas e ah e tal. Tem, tem! Hoje, uma percentagem escandalosamente grande de colegas foram trabalhar com rímel nas ventas. Nomeadamente a Maria (a já famosa da queixada de um certo animal) e a sua companheira de casa, a Carla. Ambas com rímel nas pálpebras. Está bem que hoje havia Ceia de Natal para a comunidade trabalhadora do sítio, à qual eu me baldei descaradamente, mas era escusado passarem o dia inteiro com as pálpebras a fazerem faíscas e a dispararem raios de luz por causa do rímel psicadélico que insistiram em espalhar nas pálpebras. Estou agora aqui a pensar para comigo… o rímel usa-se nas pálpebras? Ou é nas pestanas? Hum… agora fica-me a dúvida. Bom, seja como for, é aquela porcaria psicadélica que as gajas metem nas pálpebras, não se sabe bem para quê, que lhes dá aquele ar ridículo de robô metálico com maminhas e nádegazinhas de silicone barato. Não consigo perceber para que metem estas porcarias na cara. Gaja que é gaja, não usa maquilhagem, e aí é que se vê se realmente é bonita ou não. É que, a bem dizer, ficam tão… como direi… tão… pirosas! Não aprecio. Se um gajo quiser, assim como que de um momento para o outro, lamber lascivamente os olhos a uma fêmea, o que vai lamber? Meio milímetro de pele e uma décima de milímetro de poeira crepuscular? É que, verdade seja dita, no calor da ternura e do erotismo que uma mulher transmite, um homem sente uma vontade irresistível de lamber a pele da mulher. Eu sei que parece muito animal falar assim, mas sabeis bem do que falo. Ora, à excepção dos homens abertos a novos e sintéticos paladares, o homem normal não lambe a pele a uma mulher pela gula de se lambuzar com pastas e poeiras cósmicas. Lambe, porque quer sentir o paladar natural da pele dela. O aroma carnal. Certo? Portanto, Maria e Carla, fazíeis melhor se limpásseis essa poeira toda das pálpebras e aparecêsseis mais naturais e com maior ar de doçura. Além da Maria e da Carla, devo salientar a Dulce. A Dulce, que dia-sim, dia-sim aparece com paletes de maquilhagem a esborratar as feições pouco atraentes, foi trabalhar também com quilos de maquilhagem na cara e, obviamente, quilos de rímel e outros pós psicadélicos. Nada de novo, até aqui. Acontece que, embora tenha sido um dia bastante frio, em especial numa aldeia a meia dúzia de quilómetros de uma encosta da Serra da Estrela, a Dulce foi trabalhar com uma mini-saia! Ah pois é! Ah pois é! Morram de inveja! Está bem que, por baixo, usava umas meias-collans castanhas, baças, mas não deixava de ser uma mini-saia, daquelas largas, que deixam um gajo com epilepsia quando elas se lembram de subir as escadas à nossa frente. Dulce, tu és uma miúda porreira, mas, por favor, em dia de trabalho, não apareças nesses preparos, está bem? Um gajo precisa de concentração para produzir! E, por falar em rímel, outro dia andei a bisbilhotar umas cenas no Google Earth e descobri uma imagem de satélite da minha rua, na qual estavam estacionados o meu carro e o carro do vizinho da porta em frente! Fiquei fascinado! Um gajo fascina-se com pouco: mini-saias, decotes e imagens de satélite do próprio carro. Sim senhor! Com tanta ligeireza de espírito, até admira como é que tenho um emprego, uma casa e um carro! E, por falar em mini-saias, há bocado trocava umas impressões com o Guã, ali no Messenger, quando veio à conversa o jantar. Ah e tal, estou a comer lasanha, disse-lhe eu. Porra, você come muita lasanha, respondeu-me o Guã. Sinal vermelho para a lasanha, está visto. Percebido! Devia optar por uma alimentação mais verde, mais fibrosa, mas entre ontem e hoje ao almoço abati oito chocolates de caramelo. Algo não vai bem, por aqui. Deve ser do frio. Por falar em fibra, já repararam que agora está na moda as gajas usarem uns calções no Inverno? Com collans por baixo, note-se! A parte chata da questão é que, quando usam um casaco comprido, um gajo olha e pensa que ah e tal, olha, lá vai fulana tal com um casaco e uma brutal mini-saia por baixo. Ui, ui, tão bom! E está a ser enganado! Redondamente! Não está bem! Não é leal da parte delas! Este Inverno vai ser amargurado por enganos dispensáveis. Ora bolas. pickwick

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publicado por pickwick às 22:50
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