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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006
Uma folgazinha ao Natal

Vou dar uma folgazinha ao Natal, que tão traiçoeiramente foi atacado ultimamente por este destroço de um naufrágio do pensamento que se encarna na minha pessoa. Por partes:

1. A garrafa de J&B

O dia de hoje começou da melhor maneira. Ainda antes das nove badaladas do relógio da torre da igreja não tinham começado a bater, e já tinha na minha posse uma prenda de Natal comunitária, dada por um sorridente grupo de criancinhas: uma bela garrafa de J&B! Perguntou-me um colega: então isso foi ideia dos meninos, e qual foi a prenda das meninas? A ideia foi das meninas, respondi-lhe eu. Depois acham foleiras aquelas dissertações sobre as gajas que não deviam ter autorização para parir. Pois é. As crianças são muito queridas, quando querem, garrafas de uísque e ah e tal. Quinze anos. É a idade do uísque. As meninas têm menos. Fiquei a saber que o J e o B são de Justerini e Brooks, provavelmente dois fulanos que descobriram que emborrachar comuns mortais era mais lucrativo do que trabalhar.

2. As nádegas da Célia

Queria pedir publicamente desculpa à Célia, por ter comparado as suas nádegas com o Mosteiro dos Jerónimos. Desculpa lá, ó Célia. Hoje vi a Célia, estacada numa porta, inclinada para o interior de um compartimento, a trocar palavras com alguém. Não sei se as calças de fato treino pretas ajudaram, mas, assim naqueles longos segundos em que analisei pormenorizadamente o volume, cheguei à conclusão que eram mais do tamanho da fachada da minha casa, que é bem modesta e pequena. Questão do dia: será que a Célia andou a fazer dieta para ficar mais elegante para a festa de passagem de ano? Ou é do seu novo Windows Vista, que instalou no computador portátil? Fica o mistério. Vou estar atento.

3. Maquilhagem

As mesmas criancinhas que compraram uma garrafa de uísque, até se portaram com relativo civismo durante o almoço. Comeram o arroz de pato com passas (o pato estava de baixa, em casa), o peru assado com osso esborrachado em fanicos, a sopa e o creme de leite. Menos bem esteve a sobremesa, em jeito de festejo. Acabou com uma sessão de maquilhagem, com caras sorridentes esfregadas abundantemente com bolo e macacos a cair do nariz. É tão bonito ser-se criancinha e besuntar a cara do vizinho com o resto do bolo da sobremesa.

4. A gaja da Moviflor

Hoje fui à Moviflor e fui atendido por uma aberração da natureza. Termos de comparação? Batman Returns, o filme. Danny DeVito faz o papel de Pinguim. Alguém se lembra deste Pinguim? Aspecto nojento, ar de pinguim apodrecido num pântano qualquer, corpo balofo e corcunda, etc. Pois bem, imaginem uma mulher-pinguim! Tal e qual! Eu até fiquei mal disposto. Só lhe faltava o chapéu e o pó talco na cara. A fardazinha da Moviflor não abonava nada em seu favor, antes pelo contrário. Enfim. Olhei em volta para ver se encontrava uma lufada de ar fresco, mas não havia mais funcionárias à vista. Vida dura, a minha.

5. A Joana das Tostas e o regresso a 1959

A Joana das Tostas é um nome de código, obviamente. A Joana das Tostas enviou-nos um e-mail muito simpático, alertando para o facto de o nosso blog estar em destaque nos blogs destacados dos Blogs do Sapo. Aqui: https://blogs.sapo.pt/destaques.bml. Fui lá ver e até se me embrulhou o estômago. Aparecia, de facto, uma referência ao nosso blog. Ou seja, um desenho colorido de uma gaja nua a ser apanhada em flagrante a estender roupa, e um título natalício: “Raios partam o Natal”. Melhor publicidade do que esta para cativar para sempre uma potencial sogra, não há! Fiquei curioso quanto à autora do aviso, vindo a descobrir que a mesma domina por completo os blogs dos blogs do Sapo. E tem um blog e tudo! Um blog que domina os outros blogs. Os blogs dos Blogs do Sapo. Achei fantástico, achei-a fascinante, super simpática e bem disposta. Uma querida, portanto. Só tem um defeito: não tem foto no blog e não tem registo óbvio no “áifaive”. E isso, por muito que me custe afirmá-lo, é um drama sério! Em 1959 é que se ouviam as vozes na rádio e se imaginavam corpos esculturais de onde brotavam aquelas vozes divinais. E ficávamo-nos todos pela imaginação. Quer-se dizer, os que já eram vivos e ouviam rádio, claro, que eu ainda nem tinha sido imaginado! Mas, em 2006, quase 2007, não fica bem uma “locutora” da “blogosfera” esconder-se num vazio visual. Até parece de propósito. Mesmo sendo de propósito, faço um apelo: Joana, se me estás a ler, por favor, dá-nos um sinal da tua graça, atira-nos uma foto. Obrigado.

6. Medo, muito medo

Eu devia ter medo. Ando a abusar dos relatos que referem nomes que não estão encobertos por nomes de código e que, por isso, são nomes verídicos. Imaginem só que, um dia destes, a Maria da queixada de bisonte tropeça neste blog e se identifica de pronto! Atiçada como ela é (hoje apalpou o peito ao Zé Manel umas seis vezes), arriscava-me a ver as minhas partes baixas serem trucidadas à mão, sem dó, nem piedade. Vou reflectir sobre o risco em que incorro.

7. Outra vez o Alzheimer

Por falar em 2006 e 2007, o Mauro adorou o livro. Espero que ele saiba ler português. Lá dentro escrevi num cartão uma pequena mensagem, ah e tal, feliz Natal, boa leitura e boa entrada em 2006. O Paulo, que estava ao lado, perguntou logo: 2006? Errrr… desculpei-me eu, num engasgo. É pá, não liguem, desculpa lá, ó Mauro, isso é do Alzheimer, sabes?, respondi com convicção. É fixe quando um gajo dá uma imagem de credibilidade falhada, não é?

8. O rei dos bolos

Chama-se bolo-rei, certo? Ontem comprei um, dos grandes, no Lidl, daqueles que duram até 2019. Comi metade ontem. E a outra metade há minutos atrás. A minha técnica é simples: corto fatias da grossura das pernas daquela senhora que estava à frente da comissão de não-sei-o-quê da lutra contra a SIDA e que era assim muito grande, trago-as num prato para a frente do computador, faca e garfo e aqui vai disto, enquanto vagueio por jornais e páginas na Internet e leio uns e-mails. Eu não devia contar estas coisas. Assim ninguém me vai convidar para escrever um livro para crianças. Mas, as verdades não podem doer só à Célia. É por uma questão de justiça e solidariedade que conto estas bestialidades da vida real. É a vitória da fraternidade sobre o ego. Além do mais, e deixando de lado as graçolas de alguidar, esta alimentação anormal não é mais do que um treino para a noite de consoada em casa da minha mãezinha. Lá, a vida endurecerá: para qualquer item do vasto repasto, a distribuição é feita segundo a receita 2-49-49. Um dos 49 é para o meu irmãozinho e o outro 49 é para mim. O 2 é para a brigada do reumático. Há que treinar com afinco! pickwick

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publicado por pickwick às 00:01
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