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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

17
Nov06

Mas quem era aquela monga?!

pickwick
Bem, acabei de receber um daqueles telefonemas transcendentais que deixam um gajo entre a vontade de rir e a de partir as fuças a uma certa e determinada gaja. É início de serão calmo aqui nesta residência. Toca o telefone fixo. À partida, é suspeito, porque hoje ninguém liga para telefones fixos. Atendo. Voz de gaja com pronúncia mete nojo. Boa noite, ah e tal, sou da empresa “não-sei-quantos”, é natural que não conheça porque acabámos de chegar a Viseu e estamos a divulgá-la. Eu já suspirava… empresas… Continuando, ah e tal, comercializamos um aparelho que não-sei-o-quê-para-doenças-respiratórias, o senhor tem alguém com problemas respiratórios? Não, não tenho. Ainda bem, graças a Deus, não é? Sim… É casado? (Mau, mau Maria) Não! Vive sozinho? Sim… Bem, finda a descrição breve do âmbito profissional, vem a bomba. O senhor gostaria de me ajudar? Estaria disponível para receber um colega, menino ou menina (confesso nesta parte da menina tive um flash repentino de uma mocinha de 19 anos com uma saia muito curta a vir a minha casa promover as maravilhosas capacidades de um aspirador com pega baixa), para lhe fazer uma demonstração do aparelho? É o que tenho pedido às pessoas da sua região, para me ajudarem. Não custa nada. Não estou interessado! Não está interessado em ajudar-me?! Não, não estou! Mas, é só para receber um colega meu aí em casa para fazer uma demonstração! É que o nosso patrão paga-nos por cada demonstração que façamos, e se o senhor não me ajudar, ele não nos paga! Não me vai ajudar?! Não, não vou! Mas não lhe custa nada ajudar-me! Pois não, mas não estou interessado! Olhe, espero que quando o senhor precisar de ajuda, não lhe voltem as costas como o senhor me está a fazer a mim. Boa noite! Bang! Ora bem, mas que m**** vem a ser esta?! Ah e tal, ajude-me senão o meu patrão não me paga?! Mas que raio de parvoeira anda a passar pela cabeça desta gente?! Que raio de gajas, galdérias, mongas, rameiras do caraças, andam ao serviço de empresas foleiras que vendem aparelhos suspeitos e misteriosos? Devem ter levado uma lavagem ao cérebro e emprenhado uma cassete pirata pelos ouvidos sebentos, para terem aquele discurso todo de lambe-gervásios, mas que se desmorona completamente quando aparece um gajo mal-disposto como eu a dizer que não, com voz de quem está a achar muita graça ao pedido de ajuda. Só lhe faltou soltar umas carvalhadas violentas e mandar-me para o outro lado do rio. Este é o tipo de miúdas que nasceram num daqueles lares sem referências, cujos progenitores deviam ter sido proibidos - logo na adolescência - de procriarem, para não deitarem cá para fora estes must-be-abortos que depois ligam para casa das pessoas a pedirem ajuda para os patrões lhes pagarem! Este é o tipo de miúdas que, se ainda não pariram, estão para o fazer brevemente, já que a barreira com o animalesco é muito ténue naquelas cabecinhas, vindo a deitar cá para fora, por sua vez, aberrações ainda maiores, enchendo este país com estupores de saias curtas, cérebros de galinha e muitas teias de aranha nos pontos mais altos e ocos do corpo. pickwick

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