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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

09
Nov06

Sinais divinos

pickwick

Ando a receber misteriosos sinais. Só podem ser divinos! Entram-me pelos olhos a dentro! Só pode querer dizer que algo de maior se aproxima! Passo a partilhar. Há dois dias atrás, comecei por ser atendido pela menina da gasolineira que usava uma cuequinha vermelha a saltar fora das calças e ah e tal. Este foi o sinal um. Mal saí das bombas, reparei que o indicador do nível do combustível estava a gozar com a minha cara, mantendo-se tal e qual como antes de abastecer e com a luz laranja acesa. Sinal dois. Preferi evitar pensamentos obscenos sobre a possibilidade de o manejo da mangueira por parte da menina ter danificado algum sensor no depósito. Alguns quilómetros mais à frente, o ponteiro do indicador do nível de combustível pura e simplesmente deixou-se cair, como morto. Sinal três. Anoitecia quando fui à papelaria onde agora trabalha a tal menina de saia clássica. A outra, a do cabelo empastado de nhanha com um decote obsceno, já não trabalhava lá. Sinal quatro. Enquanto pagava, apareceu uma das pouquíssimas pessoas que me poderia conhecer aqui nesta aldeia perdida nos montes. Ainda esperei que não me reconhecesse, porque é solteira, beata e enfermeira e não é propriamente daquele tipo de pessoas que me cria empatia, mas correu mal. Fui apanhado pela frase “eu bem me parecia que estava a reconhecer esta cara”… Passo meses sem me cruzar com gente que me conheça, aqui. Sinal cinco. Já depois de anoitecer, fui ao Lidl ali na cidade ao lado, com uma amiga, e dei de caras com um antigo colega de trabalho, que quase me arrancou o braço, e que olhou com muita curiosidade para a minha companhia, assim com o fez a companhia dele. Eu passo meses sem me cruzar com quem quer que seja, conhecido, em supermercado algum. Sinal seis. Ainda com a mesma companhia, desloquei-me a outra cidade ainda maior, com o objectivo de fazer umas compras num hipermercado. Eu passo meses sem me cruzar com alguém conhecido naquele hipermercado, mas, naquele dia, e só podia ser naquele dia, dei de caras com os meus tios, no parque de estacionamento. A quem tive de ter a delicadeza de apresentar a minha companhia, até porque eles mal olharam para mim e só tinham olhos para a minha companhia. Sinal sete. Já agora, não vá alguém divagar, a minha amiga não ia nua, e até trajava de forma bastante conservadora. Na secção de roupa para homem, no hipermercado, acabaram-se as cuecas XXL. Sacanas! Não sabem gerir stocks? Sinal oito. Na viagem, o indicador do nível de combustível saltou subitamente para o “atestadíssimo”. Sinal nove. À noite, no sossego e no silêncio desta sala, prestei-me a uma análise sobre a menina da cuequinha vermelha que me atendeu nas bombas de gasolina. Sinal dez. Depois disso, joguei no Euromilhões via Internet, motivado sabe-se lá porque força misteriosa. Sinal onze. Dois dias depois destes acontecimentos, o indicador do nível de combustível mantinha-se estupidamente no “atestadíssimo”, apesar de já levar no pêlo mais de duzentos quilómetros. O máximo que o ponteiro já se aguentou foi nos cento e cinquenta quilómetros, depois de atestar. Sinal doze. Não sei que força me moveu, mas hoje parei ali numa estrada para espreitar um monumento edificado em homenagem a um acidente grave que vitimou dezenas de pessoas. Já lá passei ao lado centenas de vezes, durante uns quatro ou cinco anos, mas só hoje, e logo hoje, fui espreitar para ver o que dizia. Sinal treze. Depois da “visita” e logo após arrancar com o carro, o indicador do nível do combustível começou a decrescer normalmente, acusando o natural consumo. Sinal catorze. Para fazer um número mais redondo, a esta série de acontecimentos junto um último, ocorrido cerca das oito horas e quarenta minutos: a Andreia trazia cuequinhas verde-alface com elástico lilás, sendo que cerca de 20% das mesmas estavam fora das calças. Este conjunto de sinais, que só podem ser divinos, apontam para que algo de misterioso e fantástico esteja para acontecer em breve. Numa leitura na diagonal e análise na outra diagonal, saltam à vista algumas traves mestras que podem ajudar a sustentar uma teoria. Repare-se: lingerie folclórica, encontros inesperados, mulheres, combustível, falhas tecnológicas, cuecas, acidentes, beatas, super e hipermercados. Isto não deixa margem para dúvidas! Estes quinze sinais divinos indicam, clara e objectivamente, que esta sexta-feira vou ganhar o Euromilhões e depois vou ter uma vida de tormento, com mulheres, muita luxúria, acidentes e muito consumo, sendo olhado de lado com reprovação e indignação por beatas e conservadores! pickwick

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