Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

31
Out06

Rui, és um malcriado

pickwick

Já não sei o dia, mas houve um em que o Rui foi à rádio dizer umas coisas. Aliás, alguém o entrevistou, não sei se nos bastidores, se noutro sítio qualquer. Eu ia no carro, a escutar uma rádio nacional (a TSF ou a Comercial) de grande impacto, quando aparece o Rui a dizer umas besteiras num microfone qualquer, entrevistado não sei por quem. Ora, este Rui é o verdadeiro e único, o Reininho, daquela banda popularíssima em que se faz de conta que se canta, mas só guincha, mas não faz mal porque até cai bem no ouvido, até no meu, que até gosto de murmurar umas passagens desta ou daquela letra. Não é que eu fosse fã dos gajos, que isto de ser fã de cantores é uma idiotice sem descrição, mas pronto, até que se ouve bem. O Rui, então, aos microfones, não sei a que propósito de quê, lembrou-se de começar a fazer de conta que acabámos de conquistar a liberdade das liberdades, “m****” para aqui, “p***” para ali, enfim, tudo comentários de carroceiro. Fica mal. Por base, dizer asneiras em público é, sempre foi e sempre será, uma ordinarice! É ordinário, pronto! Um gajo está com os amigos, bebe uns copos, solta um desabafo, conta umas anedotas, liberta-se, ah e tal, sai uma asneira aqui, outra ali mais à frente, pronto, não vem mal ao mundo. Mas, aos microfones de uma rádio nacional? Francamente! Parece um daqueles putos que chega a casa depois de umas quantas horas de influências malignas no infantário, e quer mostrar ao mundo que já é crescido e desata a dizer “meda” para trás, “meda” para a frente, ri-se que nem um tolo, os pais chamam à atenção, ele acha ainda mais graça e ri-se ainda com mais vigor, até levar uma galheta que fica de beiça para o resto do dia. Só que, ao Rui, ninguém mandou um bufardo na hora. Não merecia menos. É que quase parece um orgasmo intelectual de vão-de-escada, isso de dizer asneiras num microfone de um órgão de comunicação público e nacional. É ordinário e mais nada! Escusa ele – e outros que tais – vir para aí armado em artista, como se aos artistas fosse desculpada a ordinarice e o nível reles de educação que alguns detêm. Nadinha! Antes pelo contrário, deviam era procurar superar-se a si próprios nesse bom hábito que devia ser exibir uma boa educação. Parece aquelas gajas que não aguentavam mais sem ir para a TV mostrar as maminhas, quando isso ainda era de bradar aos céus. Bem, continua a ser. Não há necessidade de andar de maminhas ao léu num programa de televisão, a menos que haja uma necessidade óbvia e apalermada de fazer alguém passar por inovador, arrojado, artista, desinibido, e outras coisas acabadas em “ido”. Dizer asneiras é a mesma coisa. Com a agravante de não ter a atenuante da boa paisagem que é um bom par de maminhas. Ou seja, aparece uma gaja com as maminhas ao léu e a gente pensa: sua badalhoca, ordinária, besuntava-te esses pára-choques todos com óleo-de-cedro. Equilibra, pronto. Agora, uma asneira, é sempre uma asneira e não tem atenuantes. Portanto, Rui, tenho a dizer que és um malcriado. Podes ser muito famoso, ganhar muito dinheiro, ter quilolitros de gajas a fazerem-te fila para beijar os pés, podes ir à rádio e à TV, mas, no fundo, não passas de um malcriado. Sabão azul enfiado à chapada nessa boca, é que era! pickwick

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.