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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

06
Mai04

Teoria do Caos

riverfl0w
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

É incrível o caos que se consegue albergar em apenas dez metros quadrados. É verdade que se trata de uma balbúrdia metódica, compilada por anos e anos de sabedoria desorganizacional, mas isso não explica tudo. Que se desengane quem pensar que falo de uma qualquer repartição de Finanças Públicas, apesar de não ser de todo descabido. Refiro-me apenas àquilo que dizem ser o meu quarto, designação que, obviamente, nego veementemente em público, não vá a minha sanidade mental ser posta em causa.

 

Mas só hoje me apercebi do potencial financeiro que me rodeia… na verdade, tenho aqui uma mina de ouro por explorar.

 

A primeira das hipóteses de exploração financeira seria alugar o espaço para festas de crianças. O estratagema é simples: põe-se o Peixe de Plástico a cantarolar o Fungagá da Bicharada, enquanto os pirralhos usam a cama como trampolim para o monte de roupa por lavar. Mais tarde, podia organizar-se um certame de pintura nas paredes do quarto, com os restos do bolo do aniversariante. Assim estaríamos a complementar a rambóia com princípios de uma vida social activa, o que é altamente aconselhado, segundo psicólogos infantis de renome. Fácil e rentável! 

 

A segunda alternativa, mais rebuscada, seria tornar o quarto num Centro de Inspiração para músicos. É uma verdade inegável que este quarto pode ser a musa de qualquer poeta, mesmo sem o auxílio de alucinogéneos, aos quais recorrem frequentemente. É para mim fácil de imaginar o Pedro Abrunhosa a obter inspiração divina no meu quarto… óculos escuros, careca a brilhar, fato preto sopimpa, com camisinha branca por baixo. OK. Começa-se a escrever: 

 

Uma toalha no chão (entre roupa interior e derivados, sempre se deve encontrar uma ou duas),
uma luz inquieta (a da varanda, que tem a lâmpada semi-fundida à anos),
uma garrafa vazia (Yop Melão),
um cinzeiro apagado (de porcelana, muito bonito, com motivos chineses),
um bilhete no ar (post-it da minha mãe: "ARRUMA O QUARTO!"),
dois corpos despidos (com alguma sorte, é um fenómeno observável). 

 

Em abono da verdade, podiam-se juntar-se duas ou três coisas, embora bem menos românticas: o pó acumulado, os livros espalhados, a cama a chiar (falta-lhe um parafuso, chia por tudo e por nada).

 

Depois, é só pôr a vozinha de gigolot reformado e recitar o poema. Vende-se bem.

 

Entretanto, se conhecerem alguém disposto a adquirir os meus serviços, sintam-se à vontade em entrar em contacto comigo: basta tocarem à trombeta.

 

Enquanto ninguém se propõe, perdoem-me a cobardia, mas vou continuar a deixar a porta fechada quando houverem visitas. riverfl0w

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