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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

07
Set06

Os treinos, os maiores e outras sardinhadas…

riverfl0w
Este post é um post sério, ok? É um post sobre sardinhadas, basicamente! Eu não aprecio sardinhadas. Como diria um amigo cinquentão: o melhor das sardinhadas, são as febras! Ele também não aprecia sardinhadas, nem sardinhas. São gostos e desgostos como outros quaisquer, aos quais temos direito, como todos os outros animais que habitam este planeta foleiro. As sardinhadas vêm a propósito, não das sardinhas com sabor a petróleo de traineira, mas desse momento tão português que é assar as sardinhas nas brasas. Ora, como as sardinhas são muitas e as brasas são poucas, ou vice-versa, há que “puxar a brasa à sua sardinha”, como diz a famosa expressão popular. No presente caso, que deu origem ao post anterior, aos respectivos comentários, e a este mesmo post, trata-se da milenar guerra entre machos e fêmeas, entre os maiores e as maiores, entre os treinos e os treinados. Confesso que é uma coisa que me diverte imenso. Quando alguém começa a puxar a brasa à sua sardinha, neste tema, ou noutro do mesmo calibre, de forma séria e convicta, não consigo evitar dar liberdade a uns quantos disparates. É mais forte que eu. Enfim. Bom, tudo isto dos homens e das mulheres nada em teorias e comprovações duvidosas, normalmente limitados a um universo minúsculo, tão minúsculo como os nossos horizontes, que costumam ser pequenininhos e insignificantes, quando comparados com a imensidão do mundo e da mente que tão pouco conhecemos. Estas teorias são tão boas, que há quase tantos casos a contrariá-las, como a comprová-las. Tudo depende, claro, da direcção para onde esteja voltado o nosso nariz, o pedaço do nosso corpo mais influenciável de todos. Independentemente das teorias e das comprovações, ou não, o que é mesmo mais divertido, é a atitude. A classificação dos outros. É mesmo animalesco! Os homens e as mulheres, os pretos e os brancos, os do Benfica e os do Sporting, os do norte e os do sul, os alentejanos e os não-alentejanos, os do partido A e os do partido B, os cosmopolitas e os campónios, os inteligentes e os básicos, os gordos e os magros, os bimbos e os fashion, e por aí fora. Às vezes, é irresistível entrar nesse jogo idiota e puxar a brasa à nossa sardinha, eu sei. Está na nossa natureza e fica bonito em certas ocasiões tribais, ou como alívio para a nossa própria parvoíce. Uma das sardinhadas que mais me diverte, entre todas, é o das idades e dos tempos, quando se começa com o discurso de ah e tal no meu tempo era assim e hoje é tudo assado. Há cinquenta anos atrás alguém fez o mesmo discurso, sem tirar nem pôr, há cem anos atrás idem, e há mil anos atrás também. Um discurso intemporal e sempre actual. E tão inútil para qualquer debate de argumentos, embora tão excessivamente usado. O clube de futebol de cada um é outro caso caricato de sardinhada. Frequentemente aparecem aquelas perguntas de ah e tal, de que clube eu sou, eu respondo que não sou de clube nenhum, e algumas vezes tentam fazer-me passar por mongolóide só por não ter um clube, ao que eu respondo perguntando porque é que o inquisidor é do seu clube, ao que ele responde em branco, está claro, pelo que insisto em saber porque é que eu havia de ser do clube dele ou de outro qualquer, e acabamos a conversa com um chorrilho de pragas e dedicatórias silenciosas a fazerem ricochete na carapaça da minha indiferença e do meu divertimento. De regresso à divertida guerra dos sexos, em que quase toda a gente gosta de participar, aqui ficam uns humildes conselhos para quem prefere não entrar nelas. Em resumo, entre homens e mulheres, há pessoas com bom senso, há pessoas com falta dele, e cadernos de encargos. Ter pirilau ou passarinha é completamente insignificante. Vale o bom senso e o nosso caderno de encargos. Ora, e o que é um caderno de encargos numa relação entre homens e mulheres? Nada de especial. Apenas um conjunto de cedências que estamos dispostos a fazer e exigências das quais não abdicamos. Portanto, face à existência deste caderno de encargos, ou se aceita, ou não se aceita. Ou há relação, ou não há relação. A tampa da sanita levantada, ou entra nas cedências, ou nas exigências. Assim, se fizer parte das cedências, não há que passar a vida a reclamar, mas se fizer parte das exigências, não tem que haver uma relação! Infelizmente, não costumamos fazer cadernos de encargos. Atiramo-nos de cabeça para tudo e mais alguma coisa, completamente desprovidos de bom senso, dedicando-nos posteriormente a reclamar por tudo e mais alguma coisa que deveria estar convenientemente descrito no caderno de encargos. Não esteve? Azar! Agora, não se queixem de ser infelizes! A infelicidade é um estado de vida tão fácil de abraçar como é fácil uma criança de dois anos meter-se a atravessar uma auto-estrada em hora de ponta. A diferença, é que nós deveríamos ter noção das consequências. Mas, eventualmente até tendo, pensamos sempre que somos capazes de escapar sem um atropelamento. Somos os maiores! pickwick

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