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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

26
Mai04

Pedinchite aguda

riverfl0w
Pensei que me tinha livrado dela até ao Verão, mas hoje vim a descobrir que não. Raios a partam... não tenho nada contra ela, pessoalmente, mas contra a maneira como se acerca de mim para pedinchar. Mais uma vez. Não tenho nada contra pedirem-me ajuda para isto ou para aquilo. É um prazer ajudar e ser útil. Mas, ó meus amigos, quando se nota a léguas que nos pedem ajuda porque têm preguiça, ó pá, aí tenham paciência... só dá vontade de lhe pegar pelos cabelos e rodopiar-lhe o corpo por cima do parapeito da janela. O caso é o seguinte: a fulana, tal como muitas fulanas, flausinas e trastes-que-tais, tem a mania que não percebe muito de computadores. Ora, em face da necessidade de usar uns quantos como consequência da sua profissão, toca a chatear este colega de trabalho para que lhe dê uma mãozinha. Eu é que só tenho duas mãozinhas e já usei as duas e os pés e acho que até uma orelha, em momentos anteriores em que a dita fulana recorreu aos meus préstimos. Acontece que estes meus préstimos são de um nível científico extraordinário, capazes de serem aprendidos e executados por uma criancinha de 8 anos após observar a primeira vez, e só com um olho. Mas esta fulana insiste em não querer aprender. Pois, é mais fácil vir pedinchar aqui ao colega, que não tem mais nada para fazer fora do seu horário de trabalho. Não há paciência! Ainda por cima, aborda-me como se eu fosse pago para andar atrás dela, feito mordomo que passa a escova no fato do patrão porque este não sabe como se passa a escova no fato. Irritam-me profundamente as pessoas que insistem em estagnar o seu conhecimento naquele patamar para o qual treparam pomposamente décadas atrás, ainda que seja apenas o primeiro degrau de uma imensa escadaria. Ou anos. Ou meses. E não têm vergonha de serem assim. Não têm vergonha de serem ignorantes. Não têm vergonha de não mexerem uma palhinha para aprenderem mais alguma coisa na vida. Provavelmente a culpa é nossa. Nossa, dos normais. Minha, que não sou muito normal, mas que consigo disfarçar quando está nevoeiro. Culpa minha, porque eu devia era ter-lhe enfiado dois dedos nas narinas, levantando-a do chão, e dizer-lhe num bafo pestilento: “Ó sua @#$+*\ mal jeitosa, carregas naquele botão redondo e psicadélico na frente do computador, o bicho liga-se, carregas no botão maricas do leitor de cd’s, metes lá dentro o cd, voltas a carregar no maricas para engolir o cd, e tá feito!!! Ok??? E agora: xô!!!...” pickwick

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