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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

07
Jun04

Trintonas e quarentonas

riverfl0w
Foi tão bom sentar-me ao lado dela!... (suspiro) Anda há semanas a fazer uma apresentação em powerpoint, aquele programinha maravilha do senhor Portões, e dia sim, dia não, planta-se perto de mim, no computador mesmo ao lado do meu. Aproveita para tirar umas dúvidas e chular umas dicas, sempre no interesse desinteressado da boa qualidade do trabalho final. É uma trintona. Muito bem conservada. E descomprometida. Pelo menos parece. Se não for, passa a ser, a bem desta narrativa. Daqui a nada é promovida a quarentona. As promoções da vida são o desespero de muitos, o princípio da decadência de outros tantos, e a oportunidade de triunfo dos que restam nos degraus abaixo. Isto vem tudo a propósito do facto de as trintonas e quarentonas descomprometidas me partirem todo. São demais! Bem conservadas, assim assim, ou mesmo já em fase de decomposição, há uma auréola de mistério que as envolve a todas. Seja o mistério A e o mistério B. O mistério A é o mistério daquelas que cresceram com a vida, são sabidonas, vividas, senhoras de si, principalmente do seu nariz, sabem estar, sabem ser, dominam o latim e fazem um homem sonhar com o carrossel e a montanha russa. O mistério B é o mistério daquelas que, enfim, pararam no tempo e no espaço, em todos os aspectos, e para as quais apenas tenho um trejeito: abanar tristemente a cabeça e soltar um “tss tss” misto de compaixão e reprovação. Resta decidir, pesando os legumes e as rendas, qual dos dois mistérios as torna mais apetecíveis. Misturando com a varinha mágica os atributos físicos que tanto nos regalam a vista, a decisão torna-se tarefa extenuante. Habilitamo-nos a encarar um mix típico do pau-de-dois-bicos, ou, com um pouco mais de sorte, a perder logo o apetite para as próximas duas refeições. É o verdadeiro mistério. Eu gosto de mistérios. E de arroz doce. Amanhã vou estar com mais atenção. Onde trabalho parece que as trintonas e quarentonas descomprometidas caem do céu de hora a hora. Vou levar uma rede para as apanhar antes de caírem no chão e se magoarem. Coitadinhas. pickwick

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