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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

11
Set06

Crise de vontade

riverfl0w
É lamentável, mas é verdade! Estou a ser atacado por uma fortíssima crise de vontade, pior que uma mega-micose na bochecha do rabo ou um furúnculo nas profundezas de uma narina. Ora, quando há uma crise de vontade, é porque a vontade não abunda. Antes pelo contrário, desapareceu. Assim, em vez de aproveitar um tempo que sobeja, a liberdade que ainda preenche o horário diário, vejo-os a passar, como o vento. Ah e tal, amanhã é que vou aproveitar para meter isto e aquilo em dia, fazer não sei que mais, em sossego, que já anda para ser feito desde o século passado. Pois sim! É ver os ponteiros do relógio a rodarem e tudo na mesma, como a lesma. Na busca de culpados para esta situação, encontro com facilidade dois. Claro que, à boa maneira portuguesa, eu não sou um deles! A culpa, essa, é sempre dos outros. Neste caso, sejam culpados os colchões e o computador. Os colchões?! Quem são esses? Ora bem, visto que estou a viver há três anos e meio neste apartamento e ainda não comprei sofás, vi-me obrigado a remediar esta falta com a aquisição de colchões tripartidos, daqueles que se vendem no verão nas grandes superfícies comerciais, com cores fantásticas. Supostamente, servem para acondicionar as visitas que pernoitam aqui nos meus requintados aposentos. Na prática, para além disso, servem também de sofá-tira-moleza. E o que é um sofá-tira-moleza? É um sofá para cima do qual nos atiramos, na ingénua expectativa que venha a acabar com a moleza que se apoderou de nós, num qualquer momento. A expectativa é ingénua porque, como os mais experientes já deram conta, o sofá não tira a moleza, mas desenvolve-a. Portanto, a cada vez que bocejo, olho para os colchões e atiro-me para cima deles, só pioro a condição deplorável em que me encontro. Fico ali, esparramado, de braços e pernas abertas, como que à espera de uma qualquer energia celestial que venha entrar-me pelo umbigo e encher-me de vontade para fazer aquelas coisas todas para as quais não encontro vontade alguma. Se eu fosse um gajo sério, ia guardar os colchões na garagem, a trinta metros daqui, para acabar com estas cenas. O outro culpado é este computador onde escrevo. Se não tivesse ligação à Internet, ainda escapava, mas assim, não vou longe. Ora porque é o site de um jornal, ora porque é para fazer umas comprinhas online, ora porque é para responder a um e-mail, ora porque é para escrever mais uns disparates baratos neste blogue, mandar palpites da treta em fóruns da treta, etc. Desculpas não faltam para passar horas embasbacado em frente de um monitor e a interagir com uma máquina. Se eu fosse um gajo sério, fazia como fiz em relação à TV: proibida a entrada! Mas, não! Sou um fraco! Sucumbo facilmente às vantagens de uma ligação virtual ao mundo, ao consumismo de informação da treta, à irresponsabilidade de lançar ao mundo teorias imorais. Aqueles planos todos, ah e tal agora nas férias é que vai ser, não sei quê, foram-se todos por água abaixo. Vá lá, ao menos, passeei-me por esse país fora, uns dias aqui, uns dias acolá, uns canecos a mais, mochila às costas, quilómetros papados de comboio e ao volante, semanas a correrem, muita galhofa e muito divertimento. Ao menos isso. Agora está na hora de retomar algumas rotinas de produtividade e aproveitamento do tempo, mas não estou a ver jeitos de aquecer os motores. Livros e papéis amontoam-se em tudo o que é mesa, nesta sala. Papéis e papelinhos, recadinhos e mensagens, lembretes e canetas, CD’s e tesouras, uma autêntica Feira da Ladra na minha própria sala! Os colchões estão ali a olhar para mim, no canto da sala. Consigo ler-lhes os pensamentos: “daqui a nada estás aqui, outra vez, a preguiçar feito uma morsa”… sacanas dos colchões… também conseguem ler-me os pensamentos… pickwick

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