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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

28
Jun04

Ó vontade, vã existência...

riverfl0w
Essa palavrinha tão nua que é a “vontade”, martela-nos a consciência como quem esmaga uvas para fazer o vinho como que nos emborrachamos naqueles momentos de afundanço das mágoas. Poderia falar de muitas vontades, porque a variedade é mais que muita e menos que desejada, mas há uma que este fim-de-semana me tocou intimamente. Assim tipo no íntimo. Não sei que nome dar a esta. Mas passemos a factos, que de argumentos está o cinema cheio. Seja ela a vontade de ser saudável e comer moderadamente. A vontade não comanda a vida, e uma destas não passa de furriel para cima. No entanto, ultimamente tem dado umas instruções que eu tenho tentado seguir. Com êxito assinalável, note-se. Passo semanas sem desvaneios gastronómicos nem dentadas em bifes. É verdura e mais verdura e é tudo muito lindo, muito saudável. Juntando a umas corridinhas pelos pinhais, isto até estava a correr bem, tendo em conta a proximidade da época balnear e tal. Mas no fim-de-semana foi o descalabro. Semanas de juízo atiradas pela janela fora, sem asas nem pára-quedas. Começou logo na sexta-feira: largado de casa nos 300km em direcção à capital, recebo uma bela de uma sms com um convite para um cineminha a horas de corar, sessão da meia hora depois das doze badaladas. Nada de mais, não fosse o facto de não ter ainda jantado. Já antevia o meu jantar lá para as 3h da matina, mas a coisa mudou de rumo. A minha companheira de sala apareceu carregada de malas e mochilas - o ideal para uma sessão de cinema – e ainda uma caixinha de bolos deliciosos e pegajosos. Os bolos eram restos de uma reunião onde os participantes não estariam esfomeados, claro. Que não era o meu caso, visto que não participei na reunião e muito menos não estava esfomeado. Daí que não me recordo muito bem do filme, se bem que me tinham avisado para não ir ver depois do jantar pelas cenas chocantes, mas não reparei em cenas chocantes… acho que passei metade do filme a meter a mão às escuras dentro da caixa dos bolos, procurando pegar pela parte com menos nata. Findo o filme, esvaziada a caixa dos bolos e já sem a parceira da 7ª arte, ala para casa da famelga, onde me aguardavam várias garrafas de cerveja, N travessas de arroz doce, queijo q.b., e um sofá a chamar por mim. Deu o repasto até quase às 6h da madrugada, que, como é óbvio, é fantasticamente saudável… Sábado e domingo foi só continuar o festim… mais cerveja, mais arroz doce, pratadas a transbordar, e por aí fora. Parecia que não comia há 3 semanas! Francamente! E onde foi a vontade, aquela que me deveria manter no rumo certo? Deve ter ido à praia… só pode… sacana… deixa um gajo assim indefeso perante um inimigo cruel e implacável disfarçado de prato e garrafa… pickwick

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