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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

30
Jun04

Dangerous Streets

riverfl0w
Não posso sair à rua de momento. Esta aldeia, não parece mais uma aldeia. Parece um mercado de peixe em hora de abertura, cheio de lésbicas carentes de olhos vendados e buzinas de ar comprimido nas mãos. Está tudo louco. Apitam, apitam, gritam “aaaahhhhhhhh” ao virar de cada curva, assobiam em múltiplos tons, eu sei lá… Agora foi um camião TIR que também deu um arzinho da sua graça. Mas que chatice. Lá se foi a pacatez. Imagino a rotunda com o repuxo… já nem deve haver lugar para molhar o pezinho… A minha vizinha de baixo, que não foi contemplada de nascença com todas posses intrínsecas ao ser humano, nomeadamente nas que tocam ao interior da caixa craniana, passou as últimas dezenas de minutos a guinchar como se alguém lhe estivesse a tentar serrar uma perna com uma serra de recortes toda romba. O filho não lhe fica atrás, em todas as qualidades, embora se exprima de forma mais varonil, assim tipo hipopótamo a ser atropelado por uma trotinete a motor. Estas atitudes são lamentáveis. Causam distúrbios nos vizinhos que tentam, pacatamente, viver um dia a seguir ao outro. Não há mesmo condições. Já se anda nisto há demasiado tempo. Já rebentou o alarme de um carro e acabou de passar uma ambulância. Isto está lindo, está… “Olé olé” gritam uns… Bem, mas agora acabei de presenciar uma cena inédita: um cortejo barulhento, encabeçado por um tractor rebocando uma amálgama de gajos a roçarem-se uns nos outros com copos na mão e bandeiras desfraldadas, logo seguido de um Land Rover de caixa aberta nos mesmos preparos do precedente, desfilando logo de atrás N carros com gente sentada nas janelas e muitos, mas muitos, copos cheios erguidos no ar. Os dois primeiros veículos tornam fácil a identificação: é um cortejo gay. Aqui neste marasmo geográfico isto não é normal, atenção! O mais dramático desta história toda é não ter agora umas bejecas no frigorífico. Nem agora, nem desde há uns meses. A cerveja, como bebida alcoólica que é, e segundo dizem, ajuda a atrofiar os nossos sentidos. Por isso, não se deve beber se vai-se conduzir. Assim sendo, se eu bebesse agora meia dúzia delas, ficaria com os sentidos afectados, incluindo a audição, fazendo com que o chiqueiro sonoro que vai ali fora não chegasse por completo aqui acima aos pavilhões dos abanos laterais. Para a próxima, há que prevenir. pickwick

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