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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

06
Jul04

D.Melo colheita 2001

riverfl0w
Ok, eu não me acho um apreciador de vinhos, nem nada que se pareça. No entanto, pode dizer-se que um bom vinho é sempre um bom vinho, o que quer que isso queira dizer. Recentemente, no decorrer dos últimos dois séculos, desenvolvi uma técnica soberba de combate à insónia e ao sono atrasado. O sono atrasado, como é fácil de imaginar, é aquele que chega depois de já não ser preciso, se bem que é sempre preciso, mas há momentos em que é mais preciso do que outros, ou melhor, há um timming e ponto final. Assim sendo, a refinadíssima técnica consiste e desfazer um monumental naco de comida, regando o festim com cerca de 60-65 cl de néctar de uva ressacado. Mais conhecido por tinto. E não há comprimido ou taco de basebol que tenha um melhor desempenho efeito/defeito, garantidamente. Efeito porque em poucos instantes (ainda antes mesmo de passar à fase de rapar o fundo ao prato e ao tacho) o sono toca à campainha de forma estressante e violenta. Defeito porque o único defeito é uma necessidade súbita de sair de casa ao volante ser amolgada pelo peso da multa do soprozinho no balãozinho. Mas enfim… bem melhor que um comprimido tóxico ou um galo na cabeça. Mas, atenção! Não pode ser qualquer porcaria! Há tintos e há tintos, tal como há mulheres e há mulheres. E outras coisas. Ou seja, mulheres, mulheres e outras coisas. Não sei se fiz passar a mensagem. Bom, e nos tintos é a mesmíssima coisa. Sorte a minha que a proximidade da minha residência relativamente a uma zona de excelentes vinhos proporciona um leque de escolhas a bater no tecto da qualidade. E o compromisso preço/qualidade tem, a meu ver, a sua melhor expressividade nas belas garrafinhas de D.Melo. É uma coisa fora do comum. Quase pelo preço de uma garrafa de água imperialista, eis-nos a saborear aquela cor escura e aquele sabor impressionante. A sorte, digo eu, é que vivo num apartamento. Se vivesse num palacete, esta técnica não resultaria tão bem. É que dormir na nossa caminha, não é o mesmo que adormecer a meio da escadaria, não é? pickwick

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