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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

14
Jul04

A minha empregada

riverfl0w
“A minha empregada” é uma empregada doméstica. Convém esclarecer desde já que eu não tenho uma empregada doméstica. Nem empregada, nem doméstica. Vivo sozinho, para paz e repouso dos meus neurónios. Não há necessidade de ter uma, a bem dizer. Gajo que é gajo, tem a casa numa desordem todos os dias, à excepção daqueles raros dias em que uma donzela arrisca a visita aos aposentos, coitada, e aí o gajo que é gajo toca a esconder as garrafas de cerveja e de vinho vazias acumuladas pelas farras dos últimos meses, bem como guardar a mangueira que usa para lavar a loiça no meio do chão da cozinha (para aproveitar e lavar o chão). Este post diz respeito, esclareça-se, às gajas, também conhecidas por mulheres, que têm uma empregada para fazer o serviço doméstico. E é sobre este fenómeno que pretendo divagar. Começo por mostrar a minha compreensão para com as ditas cuja vida profissional é intensa e que, a somar a isto, têm ainda a seu cargo uma casa onde também vivem uns filhos que só sujam e desarrumam, e um marido que é menos porco que os filhos mas que, ainda assim, não dá uma mãozinha nas lides. Como ser humano que é, esta mulher tem direito a uma pausa no final do dia, no final da semana, e a única maneira de gozar desse direito é contratar alguém que lhe alivie a carga de trabalho doméstico. Têm toda a minha compreensão e apoio. São muitos pratos para lavar, um chão sempre a ficar sujo, pilhas de roupas para maquinar e passar a ferro, coisas e mais coisas para arrumar, etc. O mesmo não se passa com as mulheres que não têm filhos, que não têm marido, vivendo sozinhas, portanto, e que publicitam a vida difícil que não têm mas que querem fazer crer que têm. É a básica justificação para contratarem uma empregada doméstica. E isto, eu não compreendo. Falo mais concretamente de mulheres cujo horário de trabalho até é muito suave, não perdem 2 horas em cada viagem para o emprego, e que tinham perfeitamente tempo para ter sempre tudo em ordem. Mas não. Queixam-se, a vida é muito difícil, e ainda por cima até têm uma máquina de lavar loiça! Como é que alguém pode ter uma máquina de lavar loiça, vivendo sozinho? Isto, na minha terra, e perdoem-me as visadas neste post, chama-se preguiça. Só pode! Falo de pessoas que, para além do seu trabalho, não têm rigorosamente mais nenhuma actividade extra-profissional, como seja participar numa associação qualquer ou algo parecido, que envolva disponibilizar boa parte do seu tempo de descanso em prol dessa associação. Só me vem à cabeça a palavra preguiça, mesmo. Não queria enveredar pelo termo “pobreza de espírito” que esta situação me traz ao pensamento, mas confesso que termino este pensamento com precisamente esse termo. Pobreza de espírito. pickwick