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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

14
Set06

Kekas coloridas

riverfl0w
A Margarida (nome de código) mandou-me ontem uma SMS ansiosa: se puderes, liga-te no MSN que preciso falar contigo! E lá fui. Às vezes é giro servir de confessionário a uma amiga já madura. É giro quando tentamos explicar certas coisas da vida, sob várias perspectivas, com abordagens diferenciadas, medindo e calculando, prevendo e especulando. Especialmente, sobre coisas que temos a mania que percebemos. Eu adoro dar conselhos sobre coisas que não domino, mas que me ficam bem dizer. Até quase que me convenço de que até percebo do assunto. Ora, acontece que esta amiga, a Margarida, anda de beicinho com um amigo dela, presumivelmente um ex-namorado, que teoricamente se andará a fazer ao piso novamente. Normalmente, nunca se deve voltar a ter relacionamentos com ex-namorados, ex-maridos, ex-o-que-quer-que-seja. É uma questão de princípio. É como voltar a comer o que vomitámos, mais coisa, menos coisa. Só que, neste caso, a Margarida tinha uns quantos factores a pesar favoravelmente. Factor um: a Margarida precisava de se sentir mulher. Factor dois: a Margarida precisava de satisfazer uma daquelas necessidades básicas do ser humano saudável. Factor três: o jovem em causa é tão bom na cama que a deixa completamente maluca. Desfavoravelmente, também estavam em causa alguns factores. Factor quatro: o gajo é um animal. Factor cinco: o gajo é parvo. Factor seis: o gajo gosta de se vangloriar com mulheres, sobre mulheres. Ora, posto isto, e há umas quantas semanas atrás, aconselhei a Margarida a aceitar um convite dele para passarem um fim-de-semana juntos numa determinada cidade beirã. “Ao menos vais lá e vais papá-lo”, disse-lhe eu, todo cheio de argumentos e sabedoria. Ela foi. Correu mal, não havia preservativos à mão, nenhum dos dois esteve para se mexer e ir à rua adquirir um pacotinho deles, pelo que a noitada teve que se ficar por aquilo a que os especialistas chamam de “sexo soft”. SS, para os amigos. Ainda assim, suficientemente tórrido para deixar a Margarida completamente fora de si. Maluca de todo, portanto. Ainda bem para ela. Merece esses pasmos de felicidade! Acontece que a Margarida é uma miúda simpática e de bom coração, o que a leva a confundir contextos físicos com contextos sentimentais, e vai daí tomou como certo que aquele fim-de-semana era o início de um sólido e inabalável amor. Apesar de ela depois tentar ligar-lhe resmas de vezes e ele não atender… Assim sendo, tentei explicar-lhe que há que ser-se mais frio nesta vida. Frio, calculista, previdente e ter sempre em atenção a nossa auto-protecção. Ou seja, separar uma valente noite de sexo (embora soft) de um namoro sério e comprometido. Ou seja, dá lá umas kekas com ele, diverte-te à brava, mas não te deixes enrolar e ser pau mandado dele. Falei-lhe daquele conceito tão bonito que é o das amizades coloridas, ou as kekas coloridas, para os mais conservadores. Falei e tentei explicar, exemplificando com projecções futuristas e teorias por confirmar. Bom, no final de hora e meia de conversa, ela pareceu mais aliviada, mais senhora de si, mais liberta do fardo de uma relação indefinida. Eu, por mim, fiquei com a consciência pesada por andar a aconselhar coisas destas. Como se não houvesse amor no mundo. Como se tudo fosse às cores: as amizades e as kekas. Como se não houvesse gente séria, capaz de amar, capaz de se comprometer. Como se uma metade do mundo quisesse enganar a outra metade, sistematicamente. O certo é que há por aí muita besta à solta, de ambos os sexos, e, como tal, há que andar de olho aberto. Sem, contudo, perder umas belas oportunidades para… para… enfim, para dar uns jeitos. A minha mãezinha, se me soubesse a fazer aconselhamentos destes, acho que se atirava para a linha do comboio, só com o desgosto. Andou uma mãe a labutar duas décadas para agora dar nisto. Francamente. Desculpa lá, ó mãezinha, tu até estiveste bem, eu é que não jogo com o baralho todo. Quanto a ti, Margarida, já sabes: da próxima vez, se faz favor, vai equipada com a caixinha das borrachinhas, está bem? E deixa lá de implicar com os boxers apertadinhos do rapaz! pickwick

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