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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

26
Ago04

Na solidão do túnel

riverfl0w
Já não me lembro de quando entrei no túnel. Não foi assim há muito tempo, mas não consigo precisar. Não sei se entrei mesmo ou se pura e simplesmente dei comigo já lá dentro. Um túnel escuro. A meio, uma curva a 90º com o que parecia ser uma portinhola certificada pelo reflector a dizer “Exit”. Para além de escuro, este túnel é esquisito. Não sei bem explicar. Não é bem como os outros túneis. Este, ora parecia ser agradável de andar lá dentro, ainda que a rastejar, ora parecia tortuoso. Uma cabeçada ali, uma pedrinha aqui, uma roçadela acolá… um percurso levemente agitado, a bem dizer. Quando se está dentro de um túnel, acho que se pensa sempre no final do túnel, onde ele acaba e onde saímos. Há quem fale na “luz ao fundo do túnel”, mas eu sinceramente acho que a malta quer mesmo é chegar ao fim e sair. De preferência com uma saída airosa, assim tipo um dia de sol. E ali andei eu, armado aos cágados, dias após dias, semanas após semanas. Ou era o túnel que era comprido ou era eu que andava muito devagarinho. Das duas, uma. Recordo bem quando cheguei à curva. A portinhola. Só empurrar e estava safo desta brincadeirinha toda. Ainda tomei uma decisão: vou dar à sola daqui para fora e pronto. Mas algo me chamou, para além da curva. Algo, ou alguém, não sei bem. Olhei… se aquilo não era uma luzinha lá ao fundo, era alguém a brincar comigo. Ou um pirilampo, aqueles besouros luminosos que vagueiam pelos jardins. Ainda vacilei, não fosse ser mesmo uma brincadeirinha ou o raio do pirilampo, e ter de voltar o caminho todo para trás. Mas lá segui. A luz era mesmo a famosa luz, a do fim do túnel. Um gajo fica sempre um bocado na dúvida quando anda a rastejar dentro de um túnel, mas há que ter um bocadinho de fé. Valeu a pena. Cheguei ao fim, o dia era de sol, lindo, lindo, lindo. E o que havia à saída do túnel? Uma paisagem agradável, embora desconhecida. Respira-se bem. Há que explorar, agora. Conhecer, descobrir e desfrutar. Assim seja. pickwick

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