Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

28
Ago04

A minha missão é…

riverfl0w
Não é. Quer-se dizer, eu não tenho. Ou até talvez tenha uma, assim obscura, do estilo de limpar da face da terra todas as taças de “natas do céu”, engolindo-as sofregamente, salvando assim o mundo de uma obesidade indesejada e pouco saudável. Yeah!... Soa-me bem… Mas não era sobre este tipo de missão que queria divagar. É a missão de missionário. É uma coisa que me fascina, devo dizer. Uma amiga minha vai partir numa missão destas, algures para um país africano, durante um ano. Vai deixar para trás (em modo “pause”) o emprego, a família, os amigos, a casa que ainda está a pagar em prestações, os espectáculos de teatro, os concertos e o conforto da sua vida citadina. Vai, inclusive, abdicar do seu ordenado, nada magro, doando-o à instituição que organiza estas missões. Apenas retira o necessário para pagar mensalmente o empréstimo do seu apartamento. Viverá um ano em África apenas com o indispensável. Dará de si tudo o que tem para dar, em termos de trabalho, de tempo, de afecto, de paciência, de disponibilidade e de sabedoria. Os destinatários são perfeitos desconhecidos para esta rapariga. Também não deve interessar serem desconhecidos ou não. Aliás, até deve tornar as coisas ainda mais aliciantes. Sim, porque, por mais estranho que pareça, nem tudo na vida é moldado ao ritmo das telenovelas, dos telemóveis, e da pretensa civilização, a qual não passa de uma monotonia estúpida e vazia. É preciso estômago, para partir. Ás vezes (não sei em que percentagem) está em causa uma fuga. Alega-se o espírito de missão, mas a verdade é que se foge de alguma coisa. Consciente ou inconscientemente. Mas só às vezes. Há ainda muita gente que abraça realmente esse espírito. Corajosos, eu acho. Muito corajosos. Num mundo em que ganhar o estatuto de efectivo numa profissão se torna um objectivo primordial, que garantirá a segurança do dia-a-dia, o pão na boca e todo o conforto, renunciar – ainda que por apenas um ano – a isto não é para todos. A eles, tiro o meu chapéu. pickwick