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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

30
Ago04

Saudade é...

riverfl0w
“Saudade é o ar que vou sugando e aceitando como fruto de Verão nos jardins do teu beijo...” é o que diz aquela cançãozinha que agora está na moda, dos Laranja ou lá que fruto são eles que agora não me lembro. Não percebi nada do que eles querem dizer com esta frase, mas enfim, o poeta é um bom poeta. Entretanto, e porque fiquei curioso, assaltei as prateleiras da Internet em busca da definição. É uma colagem, eu sei, mas não resisti a ler o que outros escreveram sobre o assunto. E aqui vai:
Saudade é o abraço ausente de alguém que está presente em você. Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já. Saudade é a 7ª palavra mais difícil de traduzir. Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida. Saudade é sentir que existe o que não existe mais. Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam. Saudade é doce contacto da ausência de quem queremos. Saudade é presença ausente de alguém que queremos junto. Saudade é querer sempre com alguém estar. Saudade é verdadeiramente um vazio que teima em ficar. Saudade é um doce ácido que dói, uma dor extremada. Saudade é sentar-se à sombra, triste e ficar aguardando a amada. Saudade é sentir com a alma o coração que faz falta sentir. Saudade é querer ficar na calma, mesmo precisando ir. Saudade é lembrança de alguém distante. Saudade é querê-la perto sabendo que a ausência é constante. Saudade é sentir a tua falta quando não estás aqui comigo. Saudade é olhar em seus olhos, com o sentir maior do que amigo. Saudade é procurar suas palavras gravadas em algum papel. Saudade é sentir felicidade mesmo provando do fel. Saudade é saudade que, doce mesmo não é. Saudade é saber viver trazendo no coração a fé. Saudade é um pouco de fome, só passa quando se come a presença. Saudade é um aperreio p’ra quem na vida gozou, é um grande saco cheio daquilo que já passou. Saudade é canto magoado no coração de quem sente. Saudade é o trajecto do mar em nosso peito, o desassossego em nosso olhar, quando tu não estás. Saudade é um sentimento que nem a dor é capaz de apagar.
Bem, é óbvio que é quase tudo dos brasucas, os tais que confundem saudade com um biquini tanga numa praia qualquer. Mas, se queres mesmo saber como é esta saudade que eu sinto, aqui fica, no original:
Saudade é uma válvula entupida neste coração que salta descontroladamente entre o colchão da memória e o trampolim do sonho. Saudade é o dizer que basta tocar-te ao de leve no rosto para acalmar esta explosão, quando afinal nem um abraço infinito chegaria. Saudade é ter medo de esquecer o teu rosto, o teu corpo, o teu sorriso, a tua alegria, o teu olhar. Saudade é encher o peito de ar até mais não, só para depois poder suspirar prolongadamente na esperança de me libertar deste aperto, desta espécie de dor. Saudade é ter já vergonha de mostrar e dizer que a sinto desesperadamente, não vás tu enjoar ou achar-me infantil. Saudade é querer chorar por não estares aqui, mas não conseguir. Saudade é saber que estarei ao pé de ti daqui a menos de meio-dia, mas sentir como se faltasse ainda meio ano. Saudade é não resistir a escrever: até já! pickwick

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