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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

01
Set04

Inconsciências 2

riverfl0w
Ainda nesse mesmo ano… Desviei lá de casa uma caixa de munições de 9mm e levei para a escola. Munições são tipo balas e coisas assim. Os 9mm são a espessura do cartucho. É muita espessura. Só os militares podem usar munições destas, tal é o balázio. Há quem lhe chame “munição de guerra”. Ainda por cima, a caixa tinha 50 munições. A malta delirou com a coisa. Fomos para uma mata e acendemos uma fogueira. Naquele tempo ainda se podiam acender fogueiras. Ora bem, e que faz um bando de putos de onze anos, à beira de uma fogueira, com uma caixa com 50 munições de guerra? Atira-as para a fogueira, claro está! Isto também não se faz, obviamente. É que aquilo rebenta! Passámos uma tarde inteira naquilo. Das 50 munições, algumas ficaram nos bolsos como recordação, mas a maior parte foi mesmo para a fogueira. Deduzo que não tenha aparecido ninguém por causa dos estoiros, porque afinal de contas tínhamos escolhido uma mata dentro de uma área militar, onde era suposto ouvirem-se tiros. Aquilo, devo dizer, foi bastante divertido. Uma a uma, sem qualquer ritmo, as munições iam explodindo e as balas saíam disparadas para o meio das árvores, fazendo aqueles ruídos dos filmes de cowboys, resvalando nos troncos. Nós, agachados atrás de uns montes de terra, delirávamos completamente. No fim, sobrou uma munição. E a fogueira. Foi aqui que começou o verdadeiro disparate. Fizemos uma rodinha à volta da fogueira, atirámos a munição lá para dentro e ficámos à espera. Como a munição ficou tombada para um lado, metemo-nos “cautelosamente” todos do lado oposto, para não sermos atingidos. Grandes mongos! Sem um cano para direccionar o disparo, aquilo sai em qualquer direcção, aleatoriamente, só que a malta jovem não fazia a mínima ideia. Passados uns minutos, o estoiro! Atrás de nós, o “pfiiuuu” da bala a passar nas árvores. Ficámos colados ao chão… aquilo não devia ter saído na direcção oposta? Entretanto, alguém se queixa. Era o “cabeçudo” (alcunha carinhosa), com um dedo a sangrar. Outro queixou-se de qualquer coisa numa perna, mas como não tinha nada que se visse, não ligámos, e toca tudo a correr para o posto médico mais próximo. Brincadeiras de putos, é o que é… inconscientes… completamente… Poucas semanas antes, ou depois, não me recordo ao certo, nessa mesma mata, encontrámos um ninho de vespas. Era uma quarta-feira à tarde. Que é que um bando de putos de onze anos faz com um ninho de vespas? Chega-lhe o fogo, claro está! Resultado: uma visitinha ao posto médico com a cara inchada de tantas picadas e um carro dos bombeiros para apagar o incêndio. Se o meu paizinho soubesse… fazia-me a folha, fazia… pickwick

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