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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

03
Set04

Another tale

riverfl0w
Era uma vez um chinês. O chinês tinha um filho e muitos cavalos. Esta estória foi o meu paizinho que me contou e não precisa de ser obrigatoriamente sobre um chinês, mas como o meu pai estava a viver na China, passou a meter um chinês. Chama-se a isto Contextualização Geográfica Forçada. Ou manias. Tanto faz. Adiante. Certo dia, o filho estava a montar um dos cavalos, assim a atirar para o bravio e irreverente, quando, no meio da agitação da contenda, o rapaz tomba ao chão e parte uma perna. Danado, o chinês (pai) quase que espanca o cavalo, por causa do acidente. Roga-lhe todas as pragas e mais algumas e pensa seriamente em mandar rifar o animal. Enquanto pensa e não pensa, o imperador manda recrutar para exército todos os moçoilos capazes, para encher a panela da carne para o canhão. Representantes do exército batem à porta do chinês, a esfregarem as mãos de contentes, mas voltam por onde vieram, de mãos a abanar, pois uma perna partida não dá para nada. O chinês, felicíssimo com a escapada do filho às fileiras bélicas, muda radicalmente de opinião em relação ao cavalo, enchendo-o de mimos e paparicos. Tanto encheu, que o cavalo certo dia meteu-se ao fresco, por entre uma cancela esquecida aberta. Lá se danou o chinês, que não tinha assim tantos cavalos que fizesse pouca diferença um a mais ou a menos. Para além das rituais pragas, jurou abatê-lo sem dó nem piedade, mal fosse encontrado. Tipo vingança do chinês. Enquanto era procurado e não era, o animal regressou por iniciativa própria aos estábulos, na companhia de umas boas duas dezenas de outros cavalos, certamente fugidos ou selvagens. Um belíssimo piparote nos números, para o chinês, vendo de repente a sua manada ser engrossada com belos exemplares. E lá se foram as pragas e as juras, voltando o bicho a ser alvo dos maiores mimos por parte do chinês. Fim da estória. Agora a moral. Não me lembro, sinceramente. Isto é embaraçoso… Mas qualquer coisinha se há-de arranjar. Ora bem, vamos lá a ver, isto deve ter qualquer coisa a ver com os altos e baixos da nossa vida, com a imprevisibilidade das consequências que se seguem aos acontecimentos que marcam o nosso dia-a-dia. O que pode ser mau num dia, no dia a seguir pode vir a ser fantástico. E vice-versa. A vida é mesmo feita de incertezas e o que há mais no mundo são cambalhotas. Dadas, e por dar. Se depois de uma cambalhota nos podemos erguer triunfantes para receber os aplausos olímpicos, com a mesma simplicidade podemos ficar estendidos no solo com a coluna estilhaçada e o futuro remetido para o assento de uma cadeirinha de rodas. E vale a pena dar a cambalhota? Claro que vale! Estatisticamente, o mais provável é mesmo fazermos má figura e mais nada. pickwick

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