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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2004
On the rocks
Eu devia cobrar qualquer coisinha aos tipos. Os da tal empresa de viagens. Daqui a nada parece que não faço outra coisa senão falar das viagens que eles organizam. Depois mando-lhes um mail a perguntar como é que é, se não fazem um desconto por causa de lhes fazer publicidade de borla. Não se perde nada em tentar. Ora essa! Bem, recém regressado de mais uma viagem organizada por eles, eis-me completamente fascinado. Continuo a insistir no profissionalismo daqueles fulanos, sem margem sequer para dúvidas. A viagem era bem diferente do habitual. Nada de extravagâncias nem de longas distâncias. Apenas uma subida a um pico rochoso, do cimo do qual se proporcionava uma calma impressionante. Eu acho que eles não me injectaram com nenhuma droga, mas o facto é que me senti como que drogado, a partir do momento em que me sentei lá no cimo. Mais uma vez, o programa contemplava o acompanhamento feito por uma sereia. E, como não podia deixar de ser, era uma sereia sem rabo de peixe e igualzinha à pessoa com quem eu gostaria de me sentar no cimo de uma montanha. Eu nem reparei quanto tempo foi que estive lá em cima, mas seguramente quase duas horas. De ouro! A sereia, sorridente e irradiando felicidade, acedeu ao acanhado convite para que se deitasse no meu colo. Segurei-a nos braços, tentando que fosse com a mesma suavidade com que se segura um bebé, tornando este gesto num abraço permanente. Aí, pronto, desapareceu tudo. Desapareceram as árvores, desapareceram os rios lá em baixo, desapareceu o resto da montanha, e apenas ficaram algumas nuvens dispersas na imensidão do horizonte. Ficámos, assim, como que a pairar sobre nada e ao mesmo tempo sobre tudo. Não havendo mais nada a mirar, sobrou o rosto da sereia. Lindo! Os gajos sabem o que fazem. Era tal e qual, sem tirar nem pôr, o rosto da pessoa que eu mais queria abraçar até sempre. Desconfiado, ou apenas disfarçando, passei-lhe os dedos pelo rosto, vezes sem conta, em busca de algo que me esclarecesse se era um sonho, realidade, ou ficção. Nada. Era tudo tão real que até me custava a acreditar. Real, e por isso mesmo contrastante com a alienação que sentia em relação ao resto do mundo à nossa volta. Uma confusão de sentidos, apenas atenuada pela calma reinante e pelo prazer que o momento me trazia. Mas, como em qualquer cartão de telefone, chega a altura em que o saldo dá o último suspiro. E assim se acabou a viagem. Depois que os rios, as árvores e o resto da montanha reapareceram, e dela descemos, a sereia transformou-se numa doce recordação, gravada na minha memória como o fogo na madeira. Já de regresso a casa, descobri o bónus desta viagem: os meus braços cheiravam à sereia. Mais fantástico ainda, o cheiro era igualzinho ao da pessoa de quem eu tenho mais saudades. Ainda não percebi qual é o truque dos gajos, para conseguirem estas proezas, mas que se lixe. É aproveitar! Quilómetro sim, quilómetro não, erguia ora um, ora outro, os braços até às narinas, aspirando num prazer supremo aquele perfume enlouquecedor. E já decidi: não me lavo durante uma semana! Peço desculpa a quem tiver que conviver mais de perto comigo, mas não me lavo mesmo. É até o cheiro desaparecer, ou a saudade morrer. E esta saudade, só se mata de uma maneira. pickwick
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publicado por riverfl0w às 02:32
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