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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

05
Set04

Virtual pleasure – The Princess

riverfl0w
Numa noite recente, estava eu aqui sem nada para fazer, ou pelo menos sem vontade de pegar no muito que tinha para fazer, quando descobri na Internet um site que vinha mesmo a calhar para essa noite tão solitária. Era em www.virtualpleasure.com e não é preciso explicar mais. Ou é? Havia vários programas para ocupar a noite com algo que nos desse um prazer para além do real. Bastava termos os olhos bem abertos, um microfone e uns auscultadores (colunas de som não convinha, por causa da vizinhança). Entre todos os programas disponíveis, houve um que me atraiu, não sei bem porquê. Deve ser por andar meio lamechas, ultimamente. Chamava-se “The Princess” e não hesitei muito em o escolher. Isto ia meter uma princesa, obviamente. Já era quase meia-noite, portanto, uma belíssima hora para uma coisa destas. Depois que cliquei no botãozinho que dizia “Go and be happy”, os acontecimentos sucederam-se a uma velocidade que ainda agora não consigo definir se era lenta, normal ou demasiado rápida. Ora bem, vamos lá a contar a coisa. A história, resumidamente, era um cavaleiro que faria uma viagem até um castelo longínquo, “roubaria” a princesa ali mantida prisioneira, levá-la-ia para uma cabana algures no isolamento de uma floresta, passaria a noite com ela, e, no dia seguinte, devolvê-la-ia ao castelo mesmo a tempo de alguém dar pela sua falta. Estas estórias modernas, realmente, não são como as de antigamente. Dantes, a princesa não voltava a ser prisioneira, ora bolas. O cavaleiro levava-a e pronto, eram felizes para sempre. Enfim. Modernices!... Adiante. Aquele site deve ter muitas visitas. Ó pá! A parte da viagem, que não interessava para nada, demorou quase uma hora. Irritante! Depois, o site foi abaixo logo na altura em que chegava ao castelo. Era suposto meter a princesa na garupa do cavalo e zarpar para a cabana na floresta, mas o que é certo é que ainda tive de gramar ali quase hora e meia à espera que metessem o site a funcionar novamente. Já estava a dar em doido. Ainda reiniciei o pc a pensar que o problema seria daqui, mas não, era mesmo deles. Assim que o site retomou a actividade, apareceu a princesa. Bem, um luxo. O site tem umas opções para se escolher a figura da princesa, assim bastante sofisticadas. Com jeito, consegui fazer uma montagem que ficou igualzinha à rapariga que eu mais desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Impecável! A parte do corpo é que foi mais engraçado. Os gajos aí só tinham uma opção. Nem havia hipótese de escolha. Era corpo perfeito e mais nada. Isto não é bom, porque há muito gajo que prefere miúdas com mais de 150kg, e assim nem participa, tal é a desilusão. Mas, no meu caso, assentou que nem uma luva. Um corpo perfeito é o que tem a rapariga que eu desejava que fosse a minha princesa nessa noite. Assim, de alto a baixo, ficou igualzinho. Cinco estrelas. Viva a tecnologia! Na garupa do meu cavalo, linda de morrer, ia a princesa. Mais uma seca de viagem por montes, vales e florestas, até à cabana. Tenho de mandar um e-mail para ver se eles encurtam essa parte, que não tem piada nenhuma. Já na cabana, notava-se logo uma falhas. Não havia lareira. A sorte é que não estava frio. Também não havia uma cama! Ao menos um sofá, poxa! Mas nem isso! Estenderam-se umas mantas no chão e já fomos com sorte. A partir daí, uma vela iluminou-nos até se apagar, e a noite não foi noite, mas sim horas e horas de… de… enfim… Eu nem tenho palavras… Inexplicável. Também não vou entrar em detalhes. Mas foi… Eu sei lá!... Podia ficar assim dias seguidos! Um gajo não se farta! Nunca, quando estamos com a rapariga com quem mais gostamos de estar, a nossa princesa deste sonho que é a vida. O único atrofio era um relógio daqueles antigos que fazem ding-dong-ding e dão as badaladas de hora a hora, e às meias horas fazem ding. Ou dong. Sacana do relógio! A manhã nasceu cedo e o sol penetrou por entre as fisgas da janela. Diz-se que, se queremos saber se uma mulher é realmente bonita, o teste infalível é ao acordar. Se for mesmo bonita, acorda igualmente bonita, senão, é uma farsa. E esta? Estava perfeita! Eu se não estivesse já irremediavelmente apaixonado, era ali mesmo que o ficava. Princesa que é princesa, toma o pequeno-almoço na cama. E um cavaleiro nunca nega os direitos a quem de direito, daí que lhe fui levar o dito à “cama”. E o dito era, dentro das limitadíssimas opções disponíveis no site, duas rodelinhas de ananás e um copo de sumo de alperce. É lindo levar o pequeno-almoço à cama, a uma princesa, mesmo que seja de ementa limitada. Conta a intenção e o gesto, e, princesa que é princesa, sabe disso. Mais tarde, fiz-lhe um almocinho ligeiro e levei-a de volta ao castelo, mesmo a tempo de as gentes aparecerem para mais um dia entre muralhas. Sobra, agora, a recordação. Parece que ainda sinto os seus lábios nos meus, nas mordiscadelas provocadoras, o toque naquela pele macia, o abraço contínuo, e a insubstituível companhia. É escusado ir ao site agora, pois está em baixo. Pode ser que qualquer dia o voltem a meter online. Espero que sim. Quanto a ti, minha princesa virtual, seja o perpetuar dos meus beijos e do calor do meu abraço o preenchimento dos teus sonhos passados e futuros. pickwick

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