Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

14
Set04

Vou-me embora…

riverfl0w
No Alentejo profundo, a vários metros abaixo da linha da civilização, ouve-se um canto de lamento e de esperança.
“Vou-me embora, vou partir mas tenho esperança
de correr o mundo inteiro, quero ir
quero ver e conhecer rosa branca
e a vida do marinheiro sem dormir
E a vida do marinheiro branca flor
que anda lutando no mar com talento
adeus adeus minha mãe, meu amor
eu hei-de ir hei-de voltar com o tempo

Não vais para o mar, se calhar até nem curtes rosas brancas, nem flores brancas, nem flores, nem marinheiros. Não é preciso. Isto é só uma canção. Também não é preciso passar sem dormir. Quer-se dizer, vais fazer umas noitadas a queimar pestanas em cima dos livros e apontamentos, ou a olhar com um ar lunático para os copos vazios numa qualquer mesa de um qualquer bar nessa cidade quase à beira do mar. E, quer queiras, quer não, vais correr o mundo inteiro. Quando se sai de casa, corre-se sempre o mundo inteiro. É sempre assim. O mundo cabe sempre na palma da nossa mão. Partir requer sempre coragem. Mais daqui ou menos dali, dependendo do nosso passado. Não é caso para desesperar. É motivo para sorrir! É uma nova vida que abraçamos, bem diferente da que conhecemos até agora. Fechamos ligeiramente a torneira às amizades que fizemos, por não estarmos tão presentes, e abrimos as portas às novas que aí vêm, de braços abertos. Porque o mundo é assim, como uma bicicleta. Vais gostar da cidade, garanto-te. A viagem até ao teu lar-doce-lar de regresso até nem custa assim tanto. Tem só aquele pequenino gosto a ansiedade na ida e uma leve nostalgia no regresso. Não custa nada. No banco do comboio, aproveitas e lês um livro, escreves umas linhas sentidas ao teu amor, olhas pela janela e vês tudo a passar a correr, incluindo a tua vida. Em cada estação pensas para contigo mesmo que podia ser já ali. Quando o trabalho aperta e sexta-feira não embarcas rumo ao sul, não há que desesperar. É um fim-de-semana com sabor diferente. Vive-se de modo diferente. A saudade teima em pressionar-te para que sintas aquele apertozinho no coração que nos faz suspirar vezes sem conta. Mas, os novos amigos, todos com o mesmo sentir, mostrar-te-ão que nada custa mais do que não ter amigos. pickwick

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.