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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

16
Set04

Um dia no paraíso

riverfl0w
Ela é loira, espampanante, linda de morrer, boa como o milho e como a broa, vestida da maneira mais sexy que se possa imaginar. A luxuosa limousine passa veloz entre o trânsito, a caminho do restaurante à beira-mar, com vista para a marina cheia de iates e barcos de recreio. Antes da refeição, um mergulho na piscina privativa e requintada do restaurante, para abrir o apetite. Almoçam-se lagostas, engole-se caviar descontraidamente, o champanhe de oitenta euros borbulha nos copos, os empregados deambulam à nossa volta para que não nos falte nada, as iguarias a preços exorbitantes sucedem-se umas às outras. Vêm as sobremesas, coisas nunca antes vistas, numa diversidade impressionante de sabores e arte. Sai-se do restaurante e desce-se para a marina. No bolso já salta a chave no barco de recreio onde passaremos as próximas horas. Um barco grande, veloz e com muitos extras. Parte-se em direcção ao horizonte, ela despe o vestido curto, ficando-lhe sobre a pele bronzeada e muito cuidada aquele biquini minúsculo e provocante. Passam-se praias e rochedos, ultrapassam-se gaivotas e golfinhos, ao longe avistam-se umas ilhas. Aproximam-se. Aparecem coqueiros, praias desertas, areias sem fim. Abrimos a arca frigorífica e tiramos o repasto que fará o lanche: camarões, vinho verde e gelado de manga. Suspira-se. Afinal de contas, isto é um verdadeiro dia no paraíso. Mas, eu sou um gajo de gostos simples. Um programa destes era tédio garantido. Do que eu gostava mesmo, mas mesmo, mesmo, mesmo, era de ir até um local sossegado. Na companhia de quem me faz feliz e me consegue arrancar um sorriso quando estou mais carrancudo. Um local sossegado, pode ser à beira de um rio de águas límpidas, à sombra de algumas árvores, sem ninguém. Apenas nós os dois. E um guarda-rios muito azul que debica no leito do rio em busca do almoço. Um mergulho num rio destes vale um milhão de praias. Não é preciso ser loira, nem usar biquini tanga. Basta ser ela! E haverá algo mais romântico do que um piquenique aqui? Não me parece! Para a ementa, não haja requinte! Sandes mistas, rissóis, salada e tigeladas. Água serve muito bem para acompanhar. E depois, francamente… um barco de recreio? Mas haverá algo melhor que dormir uma sestinha ao colo da mulher por quem estamos de beicinho caído e que nos adormece entre um olhar, um sorriso e muitas carícias? Ou tentar dormir… porque se tem sempre receio de adormecer e perder minutos daquele cenário tão transbordante. E passar umas horas com ela nos meus braços, conversando, escutando ora a sua voz, ora o passar do vento entre as árvores, ora o seu riso alegre, ora as águas do rio entre as pedras. E também há lanche, atenção! O resto das sandes, do fiambre, do queijo, dos rissóis, uma fruta. Um passeio, atravessar uma ponte sobre o rio, ver uma cobra-de-água a caçar um peixe, ver muitas árvores, olhá-la de soslaio e pensar o quanto estou bem ali na sua companhia. Enfim… Como é que era mesmo o título deste post? “Um dia no paraíso”? Exactamente! pickwick

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