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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

22
Set04

Inconsciências 6

riverfl0w
Esta é a verdadeira inconsciência! Um gajo quando vai para a escola primária ainda está em processo procriação da consciência, a bem dizer. Antes, então, não passa de uma expectativa dos adultos que torcem por nós e pelo nosso futuro como médicos famosos e cheios de notas. Quando se anda ainda de fraldas, é a altura excelente para as barbaridades que nunca queremos que os nossos filhos saibam. Apanhei a minha primeira bebedeira com a bonita idade de ano e meio. Assim tipo dezoito meses. Por aí, segundo consta dos registos de memória da família. Local? Um bar qualquer em Moçambique, onde fazia muito calor. Dizem. Eu não me lembro de nada. Estava ao colinho da minha mãezinha, ao balcão. Como estava calor, a bela da imperial ajudava a abater o sofrimento. A minha mãezinha, que não era muito de beber, mas gostava de fazer coisas que ficassem bem aos olhos dos outros, tinha pedido uma imperial. Gostava mais de conversar com a colega ao lado do que propriamente beber cerveja. Copo cheio, portanto. Já naquela altura o meu estômago ansiava por tudo e mais qualquer coisa que mexesse, deitasse fumo, tivesse espuma ou borbulhasse. E ali, mesmo à minha frente, tinha uma combinação de duas. Espuma e borbulhas. A minha mãezinha ainda estranhou o copo vazio, mas como a conversa foi longa e a distracção ainda mais, não pensou mais no assunto. Até ao momento em que me meteu no chão e me largou. Aí, sim! Qual Fred Astaire?! A loucura total. Nem seguro pela mão! Imparável! Meses depois, o meu primeiro acidente de automóvel. Sóbrio, atenção! Sóbrio e ainda de fraldas. Era para ser uma brincadeirinha do meu paizinho. Meter-me ao volante do “Vauxhall Viva” branco da família, com uma almofada por baixo para poder ver (e ser filmado) para a frente e conduzir conscientemente. Bem, até hoje ainda não percebi como foi. Há umas filmagens de uma câmara Super 8, muito descontroladas, onde apareço eu ao volante, a olhar para a câmara, a rir-me a bandeiras despregadas. Completamente feliz, presumo. Com um chapéu à cóbói, se bem me lembro. O carro em andamento, numa pequena descida. De repente, entra em cena o meu paizinho, largado a correr, a tentar meter a mão dentro do carro e agarrar no volante ou não sei onde. Diz-se que foi a primeira árvore que apareceu logo à frente. Eu não sei. Não tenho culpa. O meu paizinho tapou-me a vista e não pude desviar o carro. pickwick

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