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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

10
Out04

Crónicas de uma viagem

riverfl0w

Na gare, há bagagens. A abarrotar, apenas cheias, ou com aspecto mais leve. Mochilas, sacos, caixotes selados, malas e maletas. Um estranho interrompe-me a observação. Roupa andrajosa, saco roto:
"Falta-me 1,80€ para apanhar o comboio de Coimbra... será que me pode ajudar?"
Meneio a cabeça. Percebo depois que o preço varia conforme a pessoa abordada. A senhora dos altifalantes fala ininterruptamente:
"O comboio rápido Intercidades com destino a Beja circula com 9 minutos de atraso... Vai dar entrada na linha número 5 o comboio suburbano com destino a Braço de Prata..."
A senhora de botas de cano alto, sentada à minha esquerda, continua a mastigar batatas ruidosamente. Aqui e ali, os beijos apaixonados multiplicam-se, sente-se o ambiente saudosista.
A minha partida, hoje, não passa de rotina. Talvez por isso tenha um aspecto menos ansioso que os demais. O comboio chega sem pressa, a contrastar com a multidão que se atafulha na plataforma. A entrada desordenada anuncia que nada está diferente: as pessoas continuam a querer sentar-se primeiro. O corropio de pessoas e bagagens mantem-se durante alguns minutos, e há sempre alguém que procura o seu lugar já com o comboio em movimento. Desta feita, foi a menina que tinha bilhete para o lugar ao lado do meu, que com um ar ainda um pouco perdido (embora amistoso), afirmou que se iria sentar no banco de trás, para viajarmos "mais à vontade". Cheia de boas intenções, a moça.
As distracções são variadas, no decorrer da viagem: jogam-se cartas, lêem-se magazines, ouve-se música, ou simplesmente assobia-se. Eu escrevo enquanto vagueio o olhar pela carruagem.
A menina do banco de trás faz-se notar com um leve toque no meu ombro esquerdo. "Vou ter mesmo de me sentar ao seu lado...". Respondo com um sorriso, enquanto me levanto.
Já novamente sentados, pondero se deva continuar a escrever... os olhos curiosos da menina passeiam-se de quando em vez pelas minhas letras. Talvez fique por aqui.

A menina foi buscar um livro à mochila. Está de calças verdes, de bombazine. Estou com fome, estamos quase a chegar. riverfl0w

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