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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

19
Abr06

O colunato das Baleias

riverfl0w
Como toda a gente sabe, os colonos são aqueles gajos que invadem solo alheio, mesmo que o alheio não tenha gente, em busca de uma forma de vida melhorzinha que aquela que faziam de conta que não tinham lá no lugarejo de onde vieram. Invadem, logo, são invasores, e jamais em tempo algum serão “da terra” onde aterraram de escova-de-dentes e bagagem recheada de paninhos de renda e enxadas para estragar o terreno. Há um tipo de baleias que me dá a volta ao estômago: as gajas super gordas. Entenda-se por super gordas aquelas mulheres que se assemelham a um frasco de banha a borbulhar na lata em cima do lume. Aquelas mulheres que têm de puxar verdadeiros cortinados de peles gordurosas só para fazerem as necessidades fisiológicas. Aquelas mulheres que, decididamente, não passam a direito em qualquer porta. Aquelas mulheres que estalam cadeiras em locais públicos, que não cabem num espelho, que já não têm paladar às custas de comerem toneladas de porcarias. Enfim. Um nojo. Invadem locais públicos, esvaziam piscinas, não vão ao cinema porque não cabem nos bancos, e teimam em circular na via pública sem autorização da alta autoridade para a estética mínima. O que eu ainda não consegui perceber, é como é que estas fulanas conseguem arranjar e manter relações com gajos normais. Quer-se dizer, entenda-se por gajo normal um ser humano do sexo masculino com menos de 100 kg (para eu também ser normal, claro). Outro dia vi um filme que me deixou agoniado durante vários dias. Andei com indigestões, prisão da tripa, soltura da tripa, quase vómitos, sei lá. Não me lembro do nome do filme, mas o actor principal sofreu uma conversão por hipnose, que o obrigava a apreciar o lado interior (e belo) das mulheres, transformando o lado exterior delas em algo compatível com o seu sonho. Vai daí, qualquer baleia (ou burgesso de saias) que se lhe atravessasse à frente era vista como a coisa mais linda e jeitosa deste mundo. Entretanto, conheceu uma baleia, que aos olhos dele (que a câmara insistia em mostrar, e era, de facto, muiiiiiiiito boazona e ainda por cima loira) era um sonho de mulher. Mesmo depois de ela escangalhar um banco robusto num restaurante, o rapaz continuava a só ver uma jeitosa de saia travada e cabelos loiros. Bom, lá mais para a frente, um amigo foi ter com o hipnotizador e convenceu-o a fazer regressar o sonhador ao seu estado normal. Mesmo assim, quando eu pensava que o mundo estava salvo e o fulano ia cair em si, então não é que o estúpido resolveu vencer o seu bom senso e bom gosto e manter-se apaixonado pela baleia ?! Acho que no fim até casou-se com ela, já não me lembro, que fiquei tão agoniado que perdi o fim à meada, mas acho que a felicidade foi total e ah e tal. Raios! Já não há decência???? Se fosse apenas um filme, ainda vá que não vá, mas eu tou farto de ver gente assim na vida real, a atravessar-se à minha frente em locais públicos. Gajos bem apresentados, nos seus 65 kg, de mão dada com baleias de 180 kg. Que nojo. Ó pá!... Enfim, é feio diminuir o lado físico dos outros, mas este é um caso de excepção ao qual eu não consigo fugir. Aqueles pensamentos bonitos sobre a beleza interior e ah e tal… eu acho bem, e até sou apologista e crente, mas há limites. Digamos que 100 kg de limite para um máximo de 1,70 m é um valor aceitável. Tudo o que passar daí, francamente, passa a ser assunto para o jornal Incrível ou para um episódio subaquático com o Jaques Cousteau. pickwick

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