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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

02
Mai06

Investir os rendimentos

riverfl0w
Estava há minutos no banco a olhar para um folheto acerca de investimento de rendimentos, quando fui iluminado por uma solução fantástica para aplicar os milhares e milhares de contos que tenho em marasmo na minha conta bancária. A solução não seria, obviamente, investir numa aplicação financeira gerida por um banco qualquer, mas sim aplicar o dinheiro num negócio. Lembrei-me daquelas gajas tremendamente feias que estão sentadas à espera de clientes ali na descida para Mondego. Podem ser feias, mas quando passo por lá e não vejo alguma delas, é sinal que está a satisfazer o ímpeto animalesco de um qualquer camionista e a tirar rendimentos pessoais dessa satisfação. Um trabalho como outro qualquer. Assim, eu poderia lançar-me no negócio da satisfação do prazer alheio, a famosíssima SPA, que tanto vemos publicitada em revistas da média-alta sociedade. Mas, façamos contas. Estabelecendo contrato com 3 meninas disponíveis para trabalhar dedicadamente ali na descida para o rio Mondego, sendo de 50% a minha comissão de gestão, cabendo a cada serviço básico (entenda-se por serviço básico o feminino daquele conhecidíssimo bolo de pastelaria) a cobrança da módica quantia de 30 euros, e considerando uma média diária de 4 clientes, é só facturar. Sendo por cada menina uma comissão diária de 4 x 15 euros = 60 euros, eu ganharia com a brincadeira qualquer coisa como 120 euros por dia. Apostando apenas em dias úteis, totalizando 4 x 5 = 20 dias úteis por mês, estaria aqui este rapaz a facturar o gordo bolo de 2400 euros por mês. Assim, por alto, 480 contos. Cada menina meteria ao bolso 1200 euros por mês, um ordenado muito jeitoso. Aos 2400 euros teria de deduzir despesas de manutenção, isto é, considerando uma ida por mês ao médico, corresponderia a despesas de 3 x 40 euros = 120 euros, mensalmente. Oferecendo almoço diário, a 4 euros por cabeça, seria, no final do mês, 20 x 3 x 4 euros = 240 euros. Para o transporte diário das meninas, considere-se uma média de 50 km por dia, contabilizados a 0,12 euros por km, ou seja, 6 euros diários ou 120 euros mensais. Deduzindo as despesas, então, ficaria com 2400 - 120 - 240 - 120 = 1920 euros. What???!!!! Só???? Uns míseros 384 contos? Bem, vida de proxeneta não está fácil… E se triplicasse o número de meninas? Metia mais 3 aí numa recta qualquer e outras 3 num parque da capital deste distrito. Ou seja, 9 meninas. Mantendo as mesmas contas, receberia uma comissão de 3 x 2400 = 7200 euros, deduzindo 3 x 480 = 1440 euros de despesas com saúde, alimentação e transporte, resultando num saldo de 5760 euros ou 1152 contos. Assim sim! Já é vida!... Bem, assim, só precisava mesmo de investir os meus milhares e milhares de contos numa carrinha para transportar as funcionárias da minha empresa de SPA. E livre de impostos, claro. Sim, é fixe ser-se empresário em Portugal. Qualquer porcariazinha de negócio da treta gera rendimentos astronómicos livres de impostos. E anda aqui um gajo feito parvo a trabalhar para o Estado mal-pagante porquê? Porque é mesmo parvo! Só pode! pickwick