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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

24
Mai06

Surprise!

riverfl0w
Surprise, como os mais cultos devem saber, quer “dizer surpresa”, em húngaro, ou noutra língua qualquer. Tanto faz a língua. E surprise porquê? Porque a miúda estava pacatamente a estender roupa no estendal (eu encomendei especificamente umas pernas, mas não me quiseram fazer a vontade) quando surgiu o artista e a retratou assim. Surpreendidíssima. Presumindo que a roupa estendida seria a roupa a vestir de seguida, nomeadamente umas botas pretas (ficam sempre sexy), uma camisola de gola alta laranja (já vi cores mais bonitas) e… e… bem… o que aparenta ser uma saia moderna, às listas verdes e brancas. Tanto faz que seja uma saia branca às listas verdes, como uma saia verde às listas brancas, desde que o verde não seja brando, nem vice-versa, porque aí é que ia ser uma grande confusão para a miúda. E é escusado alguém vir alegar que aquilo é uma toalha, porque não é. É uma saia, nota-se logo, até porque não há mais nenhuma peça de roupa para usar abaixo da cintura, o que imediatamente leva à brilhante conclusão que aquilo é a saia. O modelo da saia, isso sim, é o modelo sai-do-banho-enrolada-na-toalha, também muito sexy! Mas há outras coisas que faltam no estendal e que me levam a conjecturar. Outras coisas como uma cuequinha. Podia ser uma daquelas tipo fio-de-seda a fazer comichão nos pêlos do rabo. Mas nem isso. Não tem nada. E, para cima, para os apetrechos de amamentação das crianças, também não há nada que sirva de suporte ou, ao menos, de preservação do pudor. Nadinha. É uma opção de vida da miúda, entenda-se e respeite-se. Trata-se, obviamente, de uma galdéria, mas pronto, de galdérias e de peruas está o mundo cheio, que no inferno não as deixam entrar. Ao olhar para o rosto pretensiosamente surpreendido da moça, ocorre-me que nunca surpreendi uma miúda nestes preparos. Nem miúda, nem graúda, nem nestes preparos. É uma daquelas coisas da vida que apenas imagino através dos filmes. Será que só acontece nos filmes? Não sei, mas fico sempre com a impressão que não há miúda que seja realmente surpreendida assim. Ou nunca é apanhada de surpresa, ou se é apanhada, não é surpresa nenhuma, antes pelo contrário, é o satisfazer de um sonho íntimo e tal. Eu sei que estou a ser maldoso, mas os factos especulados são para ser relatados sem omissão. Sobre a miúda do estendal, apanhada de surpresa, devo acrescentar apenas que é desdentada. Eu não aprecio miúdas desdentadas, até porque depois não são capazes de dar umas trincadelas sensuais na carne alheia, mas deve haver quem aprecie profundamente miúdas desdentadas. Provavelmente, especulo eu, por razões de ordem técnica no decorrer de algumas actividades mais em privado. Neste mundo, há de tudo, como sabemos. Mas, recordo-me agora de uma história de uma miúda que foi, de facto, surpreendida com os pêlos púbicos arejados. Contaram-me há anos atrás e acredito piamente que a história é mesmo um facto. Passo a descrever. M (nome fictício para preservar a identidade de uma miúda que eu nunca conheci nem me lembro do nome) era uma estudante universitária e, tal como a maior parte das estudantes universitárias, transformou-se rapidamente numa galdéria espevitada e aluada (das que uivam à lua). Longe dos pais, a liberdade esticou-se até não poder mais, até aos limites de tudo o que pudesse ter limites. Certo dia, mais um dia daqueles dias banais feitos de aventuras e traquinices, juntou um grupo de amigos no apartamento alugado, na cidade. Amigos e amigas, que resolveram proporcionar uns aos outros uma actividade lúdica, recreativa e desportiva, banalmente conhecida como orgia. Para os que não sabem o que é uma orgia, é tipo numa festa com vinte lésbicas de olhos vendados dentro de um tanque cheio de peixes e enguias. Uma festança! Ora, calhou que, nesse mesmo dia, e não noutro, os dedicados pais que lhe sustentavam os estudos e o apartamento, resolveram vir de lá do sol-posto, qual caravana em peregrinação, para fazer uma visita de surpresa à adorada filha universitária. Vieram, chegaram, bateram à porta e foram atendidos por uma filha toda nua, com um fundo de jovens possuídos e desabridos, todos nus e suados, com música ambiente de gemidos e garrafas a tilintar. A isto, sim, chama-se uma “surprise” e uma miúda surpreendida! pickwick

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