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Sábado, 8 de Setembro de 2007
Na Sopinha da Aguieira - 1
No passado fim-de-semana, combinei uma ida à Barragem da Aguieira com o Nando e o Miguel. Porquê? Porque sim, e porque o Miguel queria ir treinar windsurf, e porque a água é salobra e dá vontade de ficar-se por lá de molho, como numa sopinha, e porque ainda é Verão. Para condimentar a coisa, obriguei-me a fazer o percurso de bicicleta, que é coisa de homem, até porque a distância de minha casa até ao sítio combinado é de cerca de 36 km. O Nando, que arranjou maneira de habilmente não trazer a bicicleta dele, ofereceu os seus préstimos para servir de “carro de apoio”. É bonito, ter-se um “carro de apoio”. Ah e tal, porque eu não sou como vocês, eu trabalho e preciso de descansar e mais não sei quê. Pois sim. Bem, os primeiros quilómetros da jornada correram bem, pelo menos até chegar à Lapa, num sítio onde a estrada passa por cima da linha e que, por isso mesmo, se eleva em altura, facto que serviu de pronta desculpa para desmontar da bicicleta e ir a pé. Vá lá, foi a única vez em todo o percurso que sucumbi à tentação de poupar-me ao esforço. Enfim. A sorte, é que o percurso tinha sido cuidadosamente estudado, havendo a certeza de que era quase sempre na horizontal, o que é muito bom para a saúde e facilita. As partes irritantes foram aquelas em que se atravessavam aldeias e aldeolas, trocando-se o piso de alcatrão perfeito por um montão de “paralelos” de pedra, obrigando a um passo de caracol e à sensação de que a bicicleta se iria desmembrar toda a qualquer momento. Não se pode ter tudo, é sabido. Em jeito de reclamação, tenho a dizer que fiquei extremamente desiludido por não haver exemplares do sexo feminino nas ruas das aldeias por onde passei. É desmoralizante! Só gajos com mau aspecto e automóveis estacionados. Assim, não estão reunidas condições para um passeio de qualidade! Adiante, mais à frente, já quase a chegar à barragem, e na dúvida sobre qual o caminho a tomar para rodear as bombas de gasolina e atravessar a ponte, liguei para o meu “carro de apoio”. Do outro lado, um toque de conforto: “estou perdido”. Excelente! Não sei quê IP3, nomes de aldeias para aqui, nomes de aldeias para acolá, mas, pronto, lá nos encontrámos e rumámos ao local combinado com o Miguel. Contudo, achei por bem obrigar o “carro de apoio” a pagar um fino no “Lagoa Azul”, até porque estava muito calor, a garganta estava seca e uma cervejinha cai sempre bem a qualquer hora. O Miguel, já na “praia”, tinha acabado de chegar com o seu C3, prancha de windsurf no tejadilho e um desejo enorme de se fazer à água. Fomos testar a qualidade da sopa, que se mantinha a uma temperatura agradável, convidando-nos a ficar a boiar, como se fossemos feijões e ervilhas. Ui! Do melhor! Não sabia que montar o equipamento para a prática de windsurf dava tanto trabalho! É só mecanismos esquisitos, fitas para aqui, esticadores para ali, encaixa dali, estica de acolá, enfim. O Miguel já suava por todos os cantos. Um caiaque acho que dava menos trabalho. Mas, pronto, gostos são gostos. Levámos a prancha para a água, para encaixar o mastro da vela, e puf. O encaixe da vela na prancha partiu-se. Ah e tal, isto tudo custou-me 100 euros em segunda mão, material de mil novecentos e oitenta e não sei quê, tinha o Miguel anunciado minutos antes. Eu ainda gostava de saber quem foi o anormal que inventou um encaixe daqueles, em plástico, com cerca de quinze milímetros de diâmetro. É normal? Claro que não é normal! Não lembraria a ninguém! No mínimo, um encaixe em aço, com trinta milímetros de raio, que é para não se partir e estragar o dia ao dono e aos amigos do dono que tinham vindo de tão longe para apreciar a arte de surfar com a força do vento. Por falar em vento, esse estava de férias, de tal maneira que um barquinho à vela que velejava algures no meio da barragem, ficou sem energia e os desgraçados ficaram ali incontáveis minutos completamente parados no meio do nada. Com tanta energia dispendida na montagem do equipamento (o Miguel a montar e nós a darmos apoio moral), e com o choque psicológico de vermos o encaixe partido, fomos atacados por uma fome horrível. Corremos para a pseudo-sombra de umas mimosas e começámos a tratar do almoço. Ementa: presunto, chouriço assado, pão e batatas fritas. Acompanhamento: três garrafas de tinto. Sobremesa: licor de uva caseiro. Há uma grande vantagem em não se fazer um piquenique com gajas. A ementa é muito mais restrita e limitada, sendo possível, assim, apreciar com mais rigor a qualidade e o sabor dos itens disponíveis. Não somos obrigados a comer rodelas de tomate, a catar lascas de cenoura, a debicar folhas de alface, a provar a colheita de sumo de laranja e a mordiscar uma maçã, só para ficarmos bem na foto e sermos simpáticos. Não há rissóis, croquetes, empadas, doces caseiros, rolinhos de fiambre e queijo, e outras iguarias perfeitamente dispensáveis. No fim, até podemos terminar tudo com uma boa cigarrilha. E a meio, quando nos apetece, como aconteceu, podemos levantar da “mesa” e ir a correr para a água refrescar o corpo aquecido por um intenso dia de Verão. Só tivemos um pequeno deslize, cuja culpa nos é alheia: uma das garrafas de tinto estava estragada, sendo que o líquido sabia a groselha com detergente para a loiça e fazia muita espuma. Azar. pickwick
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Asquerosas mantas de retalhos
Hoje, chegou ao patronato correspondência do Tribunal, ou coisa que o valha. Dizia respeito a um processo iniciado em 2005, a propósito de um bando de putos rançosos e ordinários – lixo humano, portanto – que, num momento de puro lazer, resolveu apedrejar quatro candeeiros de exterior na nossa instituição. Não é por apedrejarem candeeiros que são lixo humano. Eu, na minha doce adolescência, bem me lembro de também partir uns vidros numas casas abandonadas em Lisboa, esvaziar os pneus de alguns carros, tocar desalmadamente às campainhas, etc. Bom, modéstia à parte, e passadas estas décadas todas, não me considero propriamente lixo humano. Talvez um pouco tóxico, pronto. Estes putos são lixo humano porque são mesmo. São mal educados, ordinários, maldosos, merdosos, inúteis, vadios, drogados, e mais um montão de coisas que não me apetece estar a enumerar porque se torna informação redundante. Bem, mas isto, são considerações minhas, que tenho uma paranóia qualquer contra os indivíduos que se encaixam na minha categoria de lixo humano. A correspondência, com uma página e uns anexos, vinha numa linguagem fantástica, uma mistura entre grego romanizado e alemão gago. Intragável. Ao fim de ler o documento umas vinte vezes, juntamente com o anexo, achei por bem tentar descobrir o que diz o “Código de Processo Penal”, já que, linha sim, linha não, o autor do texto faz referência ao artigo este e aquele e aqueloutro do “Código de Processo Penal”, alínea não sei das quantas, blá blá blá, fazendo um discurso que só é tragável por quem vive no meio jurídico. Ora, seja onde for, quem vive numa profissão na qual abundam terminologias muito específicas e tem de lidar com o comum dos mortais de outras profissões, das duas, uma:
a) é uma pessoa sensata e um bom profissional, e, nesse caso, no relacionamento com o cidadão comum modela a sua linguagem de modo a tornar-se perfeitamente perceptível e claro, traduzindo termos por significados;
ou
b) é um completo anormal, palhaço, troglodita, camafeu, monte-de-esterco-de-gravata, murcão-de-ceroulas-amarelas e diverte-se a atirar para cima do cidadão comum uma caldeirada de termos pirosos e frases com sentido indecifrável, mostrando-se incapaz de qualquer gesto de humildade.
Ora, o senhor que escreveu o documento enquadra-se perfeitamente na categoria b). Enfim, uma vez que no documento pouco parece fazer sentido, vai-se à procura do belo do “Código de Processo Penal”. E, para grande alegria e satisfação, descobre-se que a nação portuguesa não tem um “Código de Processo Penal”. Já teve, em tempos. Hoje, já não tem. O que há, e que fica tão bem a um país iletrado e atrasado, é uma mixórdia de leis e decretos-leis e pilinhas-leis e despachos e despachos-normativos e portarias e portarias-da-cueca e sei lá mais o quê, onde uns revogam os outros e os outros são alterados por aqueloutros, em que a portaria X revoga a alínea Y do artigo Z do decreto W que por sua vez introduz alterações à lei nº M sendo que o artigo N desta lei já foi revogado pelo decreto-lei P com as correcções introduzidas pelo despacho Q e por aí fora. A isto, na minha terra, chama-se incompetência crónica! O pior, é que esta metodologia saloia para lidar com legislação é comum em todas as profissões. Ou seja, não temos leis. Temos caldeiradas e ensopados de despachos e decretos e portarias e sem delícias-do-mar. E temos uma grande quantidade de anormais à solta, que vivem da produção destas javardices! No meio disto tudo, aos sacanas dos putos que partiram os candeeiros, foi dado um despacho de acusação. Fica-se sem saber quem vai dar à instituição os mais de 1500 euros que custou a reparação dos candeeiros. Ao que parece, é preciso brincar mais um bocadinho aos processos judiciais, pedir não sei o quê que não explicam o que é, para ver se, com sorte, se estiver sol, a pesadíssima e enferrujada máquina integra nas suas engrenagens disfuncionais mais um molho de bróculos e papeis para que um palhaço qualquer gaste mais dois anos para decidir que seja dada uma ordem aos putos para pagarem o que estragaram. Ou seja, o que me pareceu, é que, ao fim de dois anos, alguns carapaus engravatados chegaram à brilhante de que os putos partiram mesmo os candeeiros, mas entendem que não é óbvio que os mesmos putos tenham que pagar aquilo que estragaram por puro divertimento. Isto não é normal. Vindo de um centro de acolhimento de pessoas com deficiência mental profunda, ainda era aceitável um disparate destes, mas, de tribunais? Estamos entregues aos bichos? Ou quê? Agora, é preciso perder horas e horas, ir ao tribunal bater à porta, fazer um esforço para não os chamar a todos pelos nomes mais adequados, obrigá-los a traduzir o que escreveram, entrar no jogo do papelinho para aqui, papelinho para acolá, pagar não sei quanto, perder mais umas horas, esperar mais uns anos, e, então, talvez, quiçá, um anormal qualquer emita uma ordem a dizer que ah e tal, agora os putos têm que pagar os quatro candeeiros que partiram há nove anos atrás. É preciso ter alguma paciência. Ninguém mete mão nisto? Eu devia dedicar-me ao vandalismo e à gatunagem. Deve ser fixe. Para além de não ir preso, deve dar um gozo dos diabos ver as vítimas feitas baratas tontas a esbracejaram no lodo para tentarem manter-se à superfície da tonta burocracia, do desperdício do tempo e do infindável chorrilho de papéis em que um cidadão normal se afunda ao tentar fazer valer os seus mais elementares direitos. A mim, pessoalmente, apetece-me pegar no taco de basebol e espancar os putos, espancar a malta que trabalha nos tribunais, espancar os juízes, espancar os advogados e espancar toda a gente que faz esta máquina absurda mover-se lenta e estupidamente. Depois de espancá-los, era enfiá-los a todos numa fossa de dejectos de um qualquer bairro de gente duvidosa e com muitas doenças pegajosas! E deixá-los lá ficar até eu me esquecer que eles existem, como diria o Tenente Oliveira. pickwick
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Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
As férias não tidas
Isto deve ser já um efeito crónico e inconsciente. Todos os anos, desde há alguns para cá, o final do Verão é um período macabro. É a sensação obscura de umas férias nunca tidas. Como se não tivesse havido Verão. Como se não tivesse havido férias. Bom, este ano, com a brincadeira do patronato, não tive mesmo usufruto dos dias todos de férias a que tinha legalmente direito, mas isso é um pormenor técnico a corrigir com firmeza em 2008. É como se o tempo fugisse à nossa frente e não o conseguíssemos agarrar. Agosto a acabar, nenhum plano concretizado, nenhum dia aproveitado, nada feito. Entra-se em paranóia e tenta-se, de forma atribulada de nada sensata, dar uso ao tempo, recorrendo a expedientes ridículos e inúteis. Ano após ano, torna-se cada vez mais irritante. Aqueles planos todos, ah e tal, este Verão é que vai ser, vou escrever um livro, vou andar muito de bicicleta, vou levantar pesos e ficar com um corpo musculado e perfeito, vou alimentar-me saudavelmente, vou desenhar, vou nadar, vou passear na serra, vou fazer isto, vou fazer aquilo, vou conhecer não sei quê, vou visitar não sei quem, vou ao banho, vou beber umas cervejolas geladas com os amigos, vou ver filmes até me fartar, vou comprar um caiaque, vou acampar, vou arrumar a casa, vou arrumar a garagem, vou limpar o jardim, vou inventar qualquer coisa, não sei quê, e ah e tal. Pois sim. Passa-se o Verão e as únicas coisas que aconteceram foram um incremento de peso, um alargamento do perímetro corporal, uma consolidação do sedentarismo, e um permanente ar de estúpido ao ver o tempo a passar. O problema será do excesso de planos ou da falta de vontade de os concretizar? Será do inconsciente a gritar: “não te mexas, é Verão, é férias, ‘tá quieto!”? Não se cumprem compromissos, deixam-se atrasar coisas para fazer, não se responde aos e-mails, não se arruma nada, e o tempo passa, devagar, dando oportunidade para tudo fazer mas não deixando espaço para nada. É triste, mas assim se acabou mais um Verão. O melhor, é não entrar na fase seguinte: a tal em que se começa a fazer planos e promessas para o que vem a seguir. Ah e tal, este ano é que vai ser, vou andar de bicicleta todas as semanas, vou escrever um livro, vou voltar a praticar Judo, vou levantar pesos, vou acampar para a serra, vou isto, vou aquilo, blá blá blá. Francamente! Vou é ver o tempo a passar, feito parvo, até chegar Junho e fazer mais uma bem intencionada lista de planos para o Verão de 2008, que depois não vou concretizar, à quase seguirá mais uma lista de planos e intenções para 2008/2009, que não se concretizarão, e por aí fora, como se isto tudo fosse uma droga que transforma um gajo aparentemente normal numa máquina fraudulenta de planeamento do futuro. Também gostava de saber porque é que o relógio marca 4h56 da madrugada, quando daqui a um bocado tenho que estar no local de trabalho, armado em dedicado membro do patronato, com umas olheiras exageradas e a arrotar de forma azeda a Bacalhau à Zé do Pipo (ainda). Por falar em planos, aqui fica uma lista íntima para 2007/2008:
- levar a bicicleta ao mecânico para substituir a roda dentada traseira e assim poder ter acesso às mudanças todas.
- limpar definitivamente o jardim.
- ir ao ortopedista ver o que se passa com o cotovelo direito.
- ir ao ortopedista ver o que se passa com o fundo das costas.
- ir ao dermatologista perguntar se vou morrer em breve com um cancro da pele ou se tenho que passar a vergonha de chegar aos 90 com a pila murcha e um par de bengalas.
- ir ao alergologista certificar-me da minha alergia a gatos e gatas com pêlo.
- ganhar o Totoloto ou o Euromilhões para poder pagar todas aquelas idas aos médicos e, ainda, trocar de casa e mudar-me para uma sem vizinhos nem vizinhas.
- escrever mesmo um livro.
- ir de minha casa a Aveiro, na bicicleta, e, ao lá chegar, ensopar-me completamente em cerveja.
- arrumar a garagem, ao fim de quatro anos e meio de desarrumação e pó.
- levantar mesmo pesos, para tentar suprimir a fisioterapia que não fiz depois das luxações que tive em cada um dos ombros.
- tirar da cozinha as centenas de garrafas vazias de cerveja que se têm vindo a acumular nas últimas dezenas de meses, fruto do consumo desenfreado dos meus amigos que me visitam, pois, como se sabe, eu nem gosto de cervejolas fresquinhas.
- comer mais legumes e frutas, e abandonar a prática negra de comprar latas de leite condensado às escondidas e mamá-las de pênalti.
- evitar, a todo o custo, elaborar uma lista de coisas para fazer no Verão de 2008. pickwick
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007
O Forno e o Zé do Pipo
Aproveitando a proximidade das fraldas da Serra da Estrela, demos um pulinho à bela e apetecível Praia Fluvial de Loriga. Água límpida, extremamente potável em comparação com o caldo suspeito que corre das torneiras das vilas e cidades, cheia de relva e com escadinhas a dar para a água. Uma coisa lindíssima. Ah e tal, splash, mergulho, spaf, spaf, braçadas, ui e tal, salta para fora da água que o sol já se pôs e a ventania não agrada. Mais uma paragem ou duas, para visitar este e aquele ermo, e fomos parar ao belo do lugar da Senhora do Desterro, ali mesmo à beirinha de São Romão, Seia. A Senhora do Desterro é conhecida por ter quase mais capelas do que casas. Em tempos idos contei pessoalmente nove capelas, mas, desta feita, vi um quadro com fotografias de dez capelas. Enfim, deve ser mais um daqueles produtos das mentes pirosas dos novos-ricos. À beira da ponte, como que a chamar por nós, estava o restaurante “O Forno”, o qual faz parte do roteiro turístico da zona. Ainda vacilámos, entramos, não entramos, entramos, não entramos, pois uma tasca num lugarejo no sopé da serra tanto pode ser uma surpresa agradável como um poio mal cheiroso onde pomos o pé por engano. Enfim, dada a hora da noite, optámos pelo risco, como se a ida a um restaurante desconhecido fosse uma actividade radical com requisito de uso de capacete. Cá fora, uma placa de ardósia anunciava a modalidade de 12,50 euros para pagar entradas, pratos, sopas, sobremesas. Bebidas à parte. Dava a entender que o serviço seria abundante. É o preço normal para um rodízio à brasileira com infinitas fatias de carnes e infinitos feijões pretos. Ah e tal, a casa funciona assim, explicava a senhora que nos atendeu. Éramos os únicos clientes. Azar do caraças, o único prato – o prato do dia – era Bacalhau à Zé do Pipo. Torci o nariz ao ver frustrados os meus intentos de comer um mega-bife e afogar as mágoas num balde de batatas fritas. Ainda assim, imaginei uma mega-posta de suculento bacalhau, que, com um bocadinho de imaginação, poderia passar por bife de novilho. Vieram as entradas. Frustração. O presunto não se serve com coirato! Tive uma sensação idêntica à que teria um dinossauro esfomeado a invadir uma aldeia alentejana e a meter à boca todos os habitantes, os quais tinham o estranho hábito de estarem sempre agarrados a uma enxada com cabo em madeira maciça. O queijo não se serve rançoso. Serve-se fresquinho, com ar de quem foi cortado agora mesmo, e não com ar de sobra de um pequeno-almoço qualquer algures em Janeiro. Os croquetes, esses, não se podem parecer com caganitas de raposa mergulhadas em pão ralado e atiçadas no óleo a ferver de uma frigideira. O pãozinho, escusava de parecer aquele pãozinho cheio de hélio que se compra na cidade, até porque, no sopé da serra, o pão tem obrigação de ser excepcional. A sopa, mesmo sendo um creme de cenoura, deve vir na malga até cima, e nunca, mas nunca, a cinco centímetros da borda da malga, como que a dar o aspecto de que já não havia mais. Quanto ao Bacalhau à Zé do Pipo, tenho algo a dizer ao fulaninho que deu o nome a este prato.
Senhor Zé do Pipo: o prato com o seu nome é uma fraude! O senhor engana o povo com postas de bacalhau estragado, habilmente disfarçadas debaixo de uma camada de substância suspeita, que mais parecem borras de natas estragadas. Para além de estragado, o bacalhau apresenta-se, também, com textura de platex, tornando-se simplesmente intragável, ainda que ensopado na tal substância suspeita, ou misturado com o puré ou molhado em Super Bock. Não há volta a dar-lhe. Como se não bastasse, metade da posta é feita de espinhas, e eu, trabalhador por conta de outrem, não acho muita piada dar o meu dinheirinho - que tanto custa a ganhar - para andar a catar magras lascas de bacalhau no meio de uma multidão absurda de espinhas e tudo isto encharcado numa mistela branca queimada. O senhor pensa que disfarçando a coisa toda com a substância branca consegue enganar o bom apreciador de gastronomia, mas não consegue. O bom garfo, só funciona com nacos generosos e limpos. Fique sabendo.
Já no capítulo das sobremesas, a modalidade era arrear as nádegas da cadeira, ir à mesa das ditas e servir a gosto, sob o olhar pouco discreto do dono do restaurante. Não gosto de gente a olhar enquanto me sirvo. E não gosto de sobremesas feitas em 1987 e servidas em 2007, com um ar ressequido e suspeito, desidratadas pelo tempo. Enfim, um restaurante onde nunca regressar, apesar de a decoração ser bem gira, com muito granito, muita madeira e muitos artefactos tradicionais da zona. E nem os guardanapos de pano dobrados em forma de lírio me convencem. Da próxima vez, não arrisco estes pretendentes a restaurante. Da próxima vez, vou direitinho ao “Mocas”, em Folgosinho, e não se fala mais no assunto. pickwick
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007
Puto sortudo
Notícia (desta vez na imprensa portuguesa):
Argentina: Detida mulher de 50 anos que foi viver com rapaz de 12 anos

Uma argentina de 50 anos foi hoje detida pela polícia, na cidade de Paso de los Libres depois de ter deixado o marido para ir viver com um rapaz de 12 anos, cujos familiares a denunciaram às autoridades.

A mulher comunicou segunda-feira ao companheiro que se tinha apaixonado por um menor e foi-se embora para ir viver com o rapaz em casa de uma amiga.
Os pais do rapaz apresentaram queixa à polícia por "sequestro" e "abuso sexual" e as autoridades detiveram imediatamente a mulher.
O rapaz, por seu lado, foi internado num hospital para ser submetido a uma série de exames que deverão determinar se foi abusado pela mulher.”
Isto é o que se chama um puto com sorte. Imagino que o mesmo me tem acontecido quando eu tinha doze anos. Havia de ser o bom e o bonito. E logo eu, com aquela idade, com a parvoíce no zénite e o cérebro escondido na arca frigorífica na garagem da casa dos meus pais. Uma mulher com 50 anos apaixonava-se por mim (cof ! cof! cof!) e levava-me para casa de uma amiga, passando a viver lá os três, em perfeita harmonia. Calhava muito bem esta paixão, pois, com aquela idade, e se a memória não me falha, estava mesmo a começar a dominar o fenómeno da masturbação. Presumo que a profunda diferença etária entre mim e a minha apaixonada estaria associada, também, a um profundo mau funcionamento da gaiola dos pirolitos, sendo que, por uma mera questão de associação lógica, a amiga também deveria ter uma falha algures. Assim, tudo levaria a crer que a minha prestação sexual teria que ser a dobrar, ora para uma, ora para outra, ou, eventualmente, para as duas ao mesmo tempo, no caso de não haver ciúmes nem invejas. Cansativo, mas interessante. Assim, evitava o incómodo da adolescência, de ter que andar com revistas deslumbrantes escondidas no fundo de gavetas. Passando à frente o detalhe da prestação sexual a que me veria obrigado, e considerando que não haveria constrangimentos provocados por uma eventual deterioração natural dos órgãos sexuais das senhoras, com hipotéticos reflexos no meu aparelho olfactivo e no choque visual com estruturas orgânicas não previstas, sinto-me tentado a concluir que a vida seria extremamente cor-de-rosa. Muito cor-de-rosa! Ver televisão até cair para o lado de enjoo (embora quando eu tinha 12 anos a televisão portuguesa não chegava para as encomendas). Não fazia a cama, não limpava o pó, não aspirava o chão, não levantava a mesa depois da refeição nem lavava a loiça (a pila serviria de moeda de troca na perfeição, em contraste com a adolescência que vivi de facto, durante a qual qualquer insubordinação era imediatamente regularizada com dois prontos e certeiros chapadões). Ia comer guloseimas e doces todos os dias até estes me encherem o estômago e chegarem cá acima ao céu da boca (naquele tempo, ui!, uma travessa de arroz doce dava para duas semanas). Ia beber Coca-cola fresquinha aos dois litros de cada vez (em mil novecentos e oitenta e troca o passo, a água imperialista entrava em minha casa com o estatuto de champanhe, tal era a raridade). Todos os jantares seriam constituídos por uma taça enorme cheia de Cerelac, Nestum ou Pensal (no meu tempo, a minha mãezinha só me deixava comer uma taça média, e só podia ser ao Sábado). Não ia à escola, nem ia esbanjar tempo precioso a estudar ou a virar as folhas dos livros (até podia ir à escola, ver as garotas, carne fresca em vez de carcaças peludas, mas estudar é que não, abrir os livros é que não, ora essa). Havia de ir bastas vezes jantar fora, comer que nem um alarve, ao cinema todas as semanas, à praia ver carne fresca, à piscina ver carne fresca, passear de carro para trás e para a frente, enfim, esturrar os trocos à senhora e à amiga da senhora. E isto tudo, toda esta boa vida, este luxo todo, a troco de quê? Da pilinha de um puto de 12 anos? Há gente com gostos muito enviesados… pickwick
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Era só o que faltava!
A propósito de uma notícia hilariante que nada tem que ver com o que se segue, tropecei numa notícia num jornal online argentino. Rapidamente, recrutei os préstimos de um daqueles fantásticos tradutores linguísticos automáticos e pu-lo a traduzir o texto de Espanhol para Inglês (os palermas ainda não descobriram que falta o tradutor de Espanhol para Português). Com o resultado, repeti o serviço, mas desta feita de Inglês para Português. Assim, como se depreende, obtive uma magnífica tradução bypass Espanhol – Inglês – Português. Uma pérola da tecnologia ao serviço dos mortais. O trabalho final:  
O bisexuality marcará as relações no futuro
O oncólogo Humberto Veronesi, seus 81 anos, sonroja nenhuns é surpreendido quando afirmar um do controverted postulados mais foi proferido na matéria do sexuality: após três gerações, os povos terminarão suas relações intimate sem distinção da sorte.
O specialist, com recognition amplo no continente e no candidato velhos ao prêmio de Nobel, declarou ao Reformist o jornal de Il que “diminui as diferenças entre homens e mulheres”.
Com o tempo, devido a desenvolver menos tarefas da sobrevivência, os homens reduziram hormones dos andrógenas. Na uma mão, as mulheres modificaram também seu rolo na sociedade, que implica um desenvolvimento menor do estrogen.
Todo o sistema reproductive do homem vem submetendo-se a mudanças: “Os órgãos atrophied lentamente”, explicam o perito no cancer. Isto ocorre em parte pelas modificações que a biologia genetic impôs à medicina tanto quanto os tratamentos do comparecimento para as gravidezes.
É mais porque o ato sexual será reduzido pouco quando da afeição e ao containment, do que como a rota reproductive do homem, ele Veronesi expresso. Conseqüentemente, isto afetaria a decisão com de quem para ter o sexo, ou rather, já não importaria a intimar com um homem ou uma mulher.
“Será o preço a pagar pela evolução natural da espécie humana. E eu acredito que o preço é positivo”, foretold o oncólogo italiano, a que adicionou que esta volta biológica e cultural ocorrerá porque há menos homens e mulheres dos viriles com masculinidad mais grande.”
Caro Dr. Humberto,
 
No supremo respeito pelo seu trabalho científico durante uma vida, quero usar o meu direito de discordância para com os seus dantescos pareceres. Vou fazê-lo por partes, para que tudo seja melhor inundado pela luz.
 
1. A bissexualidade jamais marcará as relações no futuro. Nem no futuro, nem no futuro vindouro, nem no tempo da senhora que há-de vir. Percebeu? A bissexualidade é uma preferência do passado, do presente e do futuro, para quem gosta! Se agora, com esta idade de avozinho coxo, é que anda a navegar na Internet e a descobrir o deslumbrante mundo da bissexualidade e da homossexualidade dos dois géneros, problema seu. Não extrapole, que lhe fica mal e é muito pouco científico. Lá por aparecerem cada vez mais pessoas a darem a cara pelos seus gostos sexuais, isso não tem nada que ver com estatística de algibeira nem com alterações genéticas. Resumidamente, há seres humanos com pila que têm um gosto desalmado por outras pilas e desdenham orifícios lambuzados e maminhas; há seres humanos sem pila, que desdenham as pilas, a menos que sejam de material sintético e não tragam um gajo peludo agarrado, preferindo orifícios lambuzados e maminhas; há seres humanos que são as verdadeiras Madres Teresa de Calcutá do Sexo, pois tanto amam as pilas como o resto e de esquisitos não têm nada; e há os seres humanos com pilas que preferem o contrário, e o contrário que prefere as pilas. É simples, Dr. Humberto. Portanto, não invente!
 
2. Quanto à teoria de haver menos tarefas de sobrevivência e a mulher mudar o seu papel na sociedade, tendo por consequência os homens reduzirem as hormonas andrógenas e as mulheres desenvolverem menos estrogénio, caro Dr. Humberto, tenho a dizer-lhe que anda a ver pouca televisão e a navegar pelos sites errados na Internet. Pelo contrário, cada vez mais o homem vive para a sobrevivência: desportos radicais, cartões de crédito chupados até ao tutano, a taxa de sete mulheres para cada homem que afinal é uma fraude, o vestuário feminino cada vez mais provocante que coloca em risco de colapso cardíaco quase todas as faixas etárias do sexo masculino, o perigo na condução em cidade, com o dilema das vistas agradáveis, enfim, e por aí fora. Pelo contrário, o papel da mulher na sociedade é cada vez mais o papel da mulher: depois de passada a fase fracassada de quererem dividir tarefas com os homens, as mulheres das sociedades avançadas há muito descobriram que o seu papel tradicional na sociedade tem uma razão de ser, é necessário e dele depende o equilíbrio moral e físico de uma nação – Portugal, que vive ainda a mania de que ah e tal o papel da mulher não sei quê, é, por isso mesmo, um poço de adolescentes psicologicamente muito doentes e jovens adultos com bolhas de mel acima da linha do nariz, arrastando o país para um buraco escuro e mal cheiroso. Além do mais, pelo que se vê na Internet, a mulher está bem longe de se afastar do seu papel de objecto sexual.
 
3. Essa de os órgãos atrofiarem lentamente, é que não lembraria nem ao Diabo! Chama-se a isso ficar velho jarreta e acontece invariavelmente aos idosos que conseguem chegar aos 81 anos! Esse seu curso de medicina deve ter sido tirado em África, através de toques de tambor, não?
 
4. A ideia de que as quecas existem para procriar… bem, não sei que lhe diga. Alguém o enganou bem enganado. Mas, deixe-me fazer-lhe ver a luz. Isto é muito simples. A queca existe porque a malta gosta, ok? Sabe bem. É como ir a um bom restaurante, porque se quer ir satisfazer a gula. A procriação é apenas um efeito secundário. Se as quecas não fossem tão saborosas, acha que havia tanta gente no mundo? Claro que não! Nem metade! Francamente! Portanto, os seres humanos continuarão a dar cambalhotas com quem lhes souber melhor: com a prima, a namorada, a namorada do amigo, a vizinha da frente, o engate de verão, a nadadora-salvadora, a ovelha, o amigo, o amigo do amigo, o amigo e o amigo, a namorada e a amiga da namorada, a mãe da namorada, o pai da namorada, enfim, é conforme os gostos e a disposição.
 
5. Acha que é positivo? Acha mesmo? Você deve é gostar de levar com o duro entre as nádegas, não é? Tanta coisa, tanta afirmação parola, só para um dia destes justificar-se ao ser apanhado com um rapaz de 23 anos no convés de um iate, todos nus e besuntados com óleo de coco.
 
6. No que toca à virilidade dos homens e à masculinidade das mulheres, julgo que é meu dever dar-lhe uns quantos conselhos. Primeiro, deixe de conviver tanto com larilas efeminados, meta obras em casa e aproveite para conviver com os trolhas musculados e peludos. Segundo, esqueça as suas irmãs, as suas cunhadas, as amigas das irmãs e das cunhadas, esqueça até as suas sobrinhas; aponte faróis às sobrinhas-netas, às netas, às amigas das netas, às amigas das sobrinhas-netas, às namoradas dos netos e dos sobrinhos-netos, enfim, a toda essa diversidade de carne fresca no feminino, observe com atenção, esqueça a sua vincada faceta de larilas e aprecie: as mulheres estão cada vez mais femininas, cada vez mais bem tratadas, cada vez mais bonitas, cada vez mais sensuais e cada vez mais apetecíveis.
 
Termino desejando-lhe umas boas férias de verão com o seu namorado. Ao menos, que seja um jovenzinho com as nádegas firmes a abanar e uns tiques nos bracinhos, como decerto aprecia.
 
Com os meus melhores cumprimentos,
 
pickwick 
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Domingo, 2 de Setembro de 2007
Também quero ser inspector

Uma brigada da ASAE esteve ontem, ao princípio da noite, na Expo do Sexo, no Pavilhão Arena, em Portimão. A principal preocupação dos três inspectores presentes residiu na falta de tradução para português das embalagens de artigos eróticos à venda nos stands”. Esta foi a notícia. Para os mais distraídos, ASAE quer dizer Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. E, em face desta e de outras notícias das actividades desta autoridade, também quero ser inspector e pertencer a uma brigada e ir às exposições de sexo e feiras do presunto e do leitão. Sim, quero. É bom. Um gajo mete-se no carro, com a pistola na sovaqueira e o crachá ao peito, os colegas de brigada todos sorridentes, ah e tal, entra-se num festival do sexo, confraterniza-se com as estrelas porno, quiçá recebe-se um donativo em forma de queca (é uma vertente da alimentação, como todos nós sabemos) ou um simples strip privado, trazem-se para casa umas dezenas de DVD’s pornográficos ou uma peça de lingerie obscena para cegar a mulher lá em casa, e pronto, missão cumprida. Quero ser inspector da ASAE. Já não bastava irem às feiras e trazer de lá quilos e quilos de roupas e óculos marroquinos, agora também se pode ir aos festivais do sexo. Parece-me muito bem. Gosto. Não consigo deixar de pensar no assunto. Imagino-me, fato e gravata, ar de manganão, pistola, gel no cabelo (tinha-o deixado crescer de propósito para poder usar gel), sapatos engraxados, fósforo por acender entre os dentes, yes, estilo q.b., e uns óculos Rayban. Ui! Entro na Expo do Sexo. Rapidamente, os organizadores da expo acercam-se de mim e dos meus colegas inspectores, com uma bandeja repleta de copos de champanhe caríssimo e salgadinhos apetitosos. Ah e tal, estávamos à vossa espera, temos ali um cantinho especial, não sei quê. Vamos para o cantinho especial, discretamente desviado do público, “a media luz”. Uma mesa redonda, sofás, espelhos, incenso, mais champanhe. Uma cortina fecha-se nas nossas costas. Música no ar. Elas entram, desfilando nos seus trajes minúsculos e botas altas. Eles despedem-se, coiso e tal, tenham uma boa estadia entre nós, até mais logo. Elas começam a dançar, besuntam-se com óleos aromáticos, abanam as nádegas com mestria inigualável, puxam pelas pontas das tetas como se estivesse na hora da ordenha, roçam-se nas nossas pernas e estragam-me as calças com a porcaria do óleo que trazem no corpo. O ambiente aquece. Já não há cuecas nem fio dental, as depilações estão perfeitas, elas riem-se, o prazer flutua no ar. Uma delas, morena, que tinha entrado com folhas de castanheiro atadas à cuequinha e um colar de flores pendurado no pescoço, dobra-se e, para além de mostrar a coisa e tal, apanha de um armário meio coco com uma palhinha lá dentro e começa a beber, a chupar pela palhinha, ah e tal, ui! que sexy!, exclama o Carlos, entusiasmado. Coco?, pergunto eu? Mas estas parolas não sabem que eu detesto coco? É pior que arroz de grelos com carapau frito depois de assado! Noite estragada! Levanto-me, ajeito a zona da braguilha, saco da pistola, dou três tiros para o ar, e elas fogem em pânico. Vamos a isto, cambada! Porra lá para o coco, palhaço, acabaste de me estragar a noite, diz o Tiago. Atiramos a cortina para os lados e invadimos a expo. O Carlos saca da pistola dele e dá dois tiros para o ar. Gente a fugir por todo o lado. Tiramos os sacos dos bolsos e corremos para os expositores das Sex Shops, repletos de objectos de incrível sofisticação, DVD’s, lingerie sugestiva, etc. Em poucos minutos enchemos os sacos e estamos dali para fora, com uma fortuna arrecadada e meses de entretenimento gratuito garantido. Quando já vamos a passar as portas do Pavilhão Arena, um dos organizadores vem a correr atrás de nós e interpela-nos: mas, então?, que é isso?, que vieram cá fazer?, porque levam esses sacos cheios? Com ar de poucos amigos, passo com a palma da mão na coronha da pistola recentemente devolvida ao coldre, meto ao mão ao saco e tiro, ao acaso, a caixa com o DVD do último filme da Dolly Golden. Esfrego-lhe a caixa nas ventas, com alguma agressividade. Seu palhaço, chamas a isto uma tradução em português? Golden? Como é que os clientes vão perceber que a miúda é dourada? Hem? Devolvo a caixa ao saco, viro-lhe as costas e vamos embora para o carro. Noite ganha! Como é bom ser inspector da alimentação. pickwick

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Sábado, 1 de Setembro de 2007
The Hooligans of the Green Eufémia
Vem isto a propósito de mais um grotesco episódio da nossa praça pública, algures ao sul, protagonizado por um bando de mascarilhas e eco-mutantes. Anda na moda falar sobre isto e como ainda andam notícias nos jornais sobre isso, vou bem a tempo. Vamos lá. Eu só gosto assim-assim de milho. Cozido e misturado com ervilhas e cenoura e umas massas, trespassado com um fio de azeite e borrifado com vinagre, não fica nada mal. Melhora com uma borradela de maionese por cima. Já nas pipocas torna-se irritante quando se entala nas profundezas da dentadura. Acontece que um senhor plantou, no seu quintal, uma versão radical de milho, a que chamam pomposamente Transgénito. Podiam chamar-lhe Milho Tia Maria, ou Milho Equilibrista de Alcoitão, ou simplesmente Milho Mutante. Podiam, mas não o fizeram, e, para se armarem aos cágados, inventaram este nome tão esquisito, que mais parece saído de um filme com o Super-Homem e as forças do mal. Assim seja. Depois, vieram outros também armados aos cágados, e, num gesto comunitário bonito, desbastaram o milho ao homem. Depois, veio a GNR e impediu que o dono da plantação e os que lá trabalham comessem vivos os desbastadores, o que ficou muito bonito na fotografia, mas não impediu o desbaste. Estranho, não é? Obviamente que os organizadores do desbaste compraram os militares da GNR com uma caldeirada de peixe e algumas caixas de tinto alentejano, mas isso agora não interessa. Depois, veio a comunicação social, outro bando de doentes-de-artrose-nos-neurónios, filmaram os rapazes e as raparigas, filmaram as bonitas e elegantes mascarilhas brancas, filmaram a plantação estragada, e registaram os depoimentos dos desbastadores e dos desbastados. Depois a imprensa escrita. Alguém deu a cara, sem mascarilha, armado em herói, e largou umas barbaridades como “a prisão seria um acto de muito baixa democracia, uma vez que não se atentou contra a vida de ninguém”, “não foi uma acção criminosa e destrutiva, mas política” ou “a desobediência faz sentido”. Posto isto, tiro as minhas ofuscantes conclusões, correndo o risco de ser virtualmente espancado ao virar da esquina.
1. Os mascarilhas que protagonizaram o desbaste são, preto no branco, um simplório bando de hooligans, apesar de usarem um nome piroso para um suposto Movimento supostamente ecologista, aludindo a tendências desportivas com juba e fazendo referência a uma santa que não tem culpa de eles serem assim tão pobres de espírito e terem uma necessidade tão grande de dar cabo do trabalho alheio.
2. Entre estes mascarilhas e um grupo de skinheads com o fogo nos genitais e uma barra de ferro nas mãos, a diferença está apenas no efeito visual, porque o resto é idêntico, ou seja, há que destruir qualquer coisinha, nem que seja um castelo de cartas, quer se faça a proeza com uma máscara nas beiças ou em tronco nu e meia dúzia de suásticas tatuadas no ombro.
3. A questão não é o Milho Transgénito, pois esse tema já é uma preocupação de associações ecologistas e defensoras do ambiente; a questão é, tão só e apenas, uma mera oportunidade para destruir qualquer coisinha sem levar um tiro de caçadeira entre as nádegas e, ainda por cima, ser estrela de TV.
4. A avaliar pelos inteligentes depoimentos de um Gualter não sei quê, pseudo-porta-voz do pseudo-movimento, e tendo-os como base, sinto-me com toda a legitimidade para fundar um Movimento qualquer e empreender algumas acções políticas com sentido, a saber:
a) Vou pegar fogo a todos os carros dos membros do Green Eufémia que não sejam fabricados na Europa. Justificação? Ah e tal, não foi uma acção criminosa e destrutiva, mas política, pois queremos que seja defendida a economia europeia e as vendas das marcas europeias.
b) Vou esperar cada um dos membros do Green Eufémia à entrada para os seus empregos (dos poucos que tenham emprego, entenda-se) e, sorrateiramente, vou despejar-lhes um balde de diarreia de boi barrosão pela cabeça abaixo; não há problema, pois, apesar de ser apanhado com o balde na mão e me ter sido dada ordem para não o despejar, o certo é que a desobediência faz sentido.
c) Vou apanhar cada um dos membros do Green Eufémia, num local público, e, aos membros do sexo masculino, vou espetar dois bufardos nas fuças e amachucar-lhes os testículos com uma tenaz, sendo que, aos membros do sexo feminino, vou arrancar as roupas todinhas e besuntar-lhes o corpo com óleo-de-fígado-de-bacalhau estragado; não há crise, pois não vou atentar contra a vida de ninguém. 
d) Vou financiar o meu próprio Movimento, extorquindo dinheiro a todos os membros do Green Eufémia e aos respectivos paizinhos, utilizando todos os meios ao meu alcance, na certeza absoluta de que a desobediência faz sentido e de que todo o acto criminoso e/ou de destruição pode justificar-se e ilibar-se com uma motivação política qualquer, mas sempre com o extremo cuidado de não atentar contra a vida de ninguém, porque isso é que não pode ser.
E a Diana Dias? Também lá foi ajudar à ceifa. Já viram o profile dela? É só espreitar em http://www2.couchsurfing.com/people/utupiar. Uiiii!, que desperdício... pickwick
publicado por pickwick às 00:10
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