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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
E a choradeira?
Uiiii! A choradeira foi do canhoto! Hoje, foi dia de se fazerem várias reuniões, umas com mais gente, outras com menos gente, umas formais, outras informais, umas com mais gajas, outras com menos gajas (felizmente, todas com gajas), umas calmas, outras atiçadas. É a diversidade, no seu melhor. É bonito quando há diversidade. Numa delas, julgo que a que mais participantes reuniu, a razão entre o número de homens e mulheres bateu records: um para oito. A minha reunião começou ao mesmo tempo que aquela, mas acabou mais cedo – imperou a calma, a descontracção e as coisas deslizaram rapidamente. A dado momento, fui à entrada do edifício, do lado de fora, acompanhar a Xé e o apêndice e explicar umas coisas, e dei conta da tourada que ia no primeiro andar, na sala onde a tal reunião de oito gajas e um coitado decorria. Impressionante! Do outro lado da estrada, alguns vizinhos vinham à varanda ver o que se passava. Haveria fogo? Sequestro? Assalto? Sexo lésbico com enguias vivas? Fuga de gás pela braguilha aberta de alguém? Mortos? Feridos? Ou seria uma sessão de anedotas eróticas para surdos? Mistério! Eu, sendo do patronato, deveria ter tomado uma posição de força, subir as escadas, escancarar a porta e gritar: tudo vestido, já!, suas ordinárias!, badalhocas! E mandá-las arrecadar todo o material erótico que tinham trazido daquela feira do sexo no Algarve. Mas, não. Fiquei-me pelo rés-do-chão, para não interromper nada. Foi uma opção sábia. É de um perigo imenso interromper o que quer que um bando de gajas esteja a fazer e que envolva gritos. Risco máximo. Esperámos ansiosamente pelo fim da reunião, algumas dezenas de minutos depois. Às primeiras com quem me cruzei, e com quem tenho muita confiança, exibi um sorriso divertidíssimo, típico de quem acha o máximo as gajas aos gritos numa sala, todas histéricas, todas doidas, com os vizinhos a virem espreitar para tentar perceber o que tinha acontecido. Essas primeiras, responderam-me com rostos secos, sérios, crispados, sem qualquer movimento das beiças. Devia ter sido lindo, devia. Minutos mais tarde, depois de passada a crispação, consegui alguns relatos. Afinal, tratou-se de uma monumental peixeirada, como se tivessem estado todas no meio do rio a lavar roupa suja com sabão-azul numa mão e fueiro na outra. Todas, mas mesmo todas, choraram saliva e ranhetas em abundância. Choraram, gritaram, deitaram tudo para fora, e só não se mataram umas às outras porque não havia nada óbvio para usar como ferramenta para esse fim. O Xó (nome de código) – único homem naquela reunião -, estava todo descontrolado. Confessou que só não chorou porque se conseguiu conter, porque a histeria era tanta e todas choravam desalmadamente que ele ficou com tanta pena e tão afectado que quase se deixou levar na onda. Não lhe ficava bem, pois não. Mas, no meio de gajas aos gritos a chorar, todas elas, qualquer homem perde a noção e, das duas, uma: ou chora e grita também, ou, então, levanta-se, puxa calmamente de uma cadeira e distribui violentos golpes de cadeira em todas elas, até que não haja dentes inteiros nem guinchos. Eu, pessoalmente, acho que alinhava pelos dois caminhos: chorava e gritava e batia-lhes com uma cadeira, sem dó, nem piedade. Cerca de uma hora mais tarde, mais coisa, menos coisa, duas oponentes daquela reunião cruzaram-se no corredor, entre duas portas, a poucos metros de mim. Meti a câmara-lenta para poder intervir no caso de uma delas começar a arrancar os cabelos à outra, ou a outra fazer a primeira engolir a maçaneta de uma das portas. Estes momentos, partem-me todo. Eu sempre gostei de filmes western. Uma rua poeirenta, o vento a fustigar um arbusto seco saltitante, a música de fundo à base de banjo e violino, o Colt Frontier 45 com coronha em madre-pérola, as esporas tilintantes, o lenço do pescoço a esvoaçar, o palito asqueroso no canto da bota, a cuspidela de lasca de tabaco, o colete em pele de vaca, o Stetson preto, e, misteriosamente, nenhum poio de cavalo no meio do chão diariamente percorrido por tantos cavalos. Num duelo ao bom estilo western, não fica bem um dos opositores pisar – descuidadamente – um enorme poio fresco de cavalo, libertando o aprisionado aroma a caca. Bom, mas ali, no corredor, não havia poios, certamente. Perante o meu grande espanto, avançaram decididas uma para a outra, trocaram dois beijinhos, perguntaram uma à outra se estava melhor, não sei quê, sorriram, quase se abraçaram, e ficaram ali a conversar um bocado. Ora, é bonito, claro que é bonito. Mas, se uma delas tivesse tentado puxar os cabelos à outra, ou rasgar-lhe a roupa toda, também era giro. Hum… Bem, neste caso concreto, só valeria a pena isso de rasgar a roupa no caso de uma delas, porque a outra, enfim, ao anoitecer, confunde-se muito facilmente com uma carcaça ressequida. pickwick
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
As novas coleguinhas
Já chegaram as novas coleguinhas de trabalho. Carne fresca, portanto. Ou não. Não fiquei lá muito satisfeito. São três: a Xá, a Xé e a Xi (nomes de código, claro, que isto ainda não estamos na Pérsia). A Xá foi a primeira a chegar. Veio acompanhada por aquilo que poderia ser perfeitamente um namorado ou um marido, embora me incline mais para a tese do namorado. É alta e magra, e podia ser bonita, que eu não me importava. Mas, não é. O peito é uma prancha de surf sem barbatana com dois pedaços de casca de laranja a fazerem uma ligeira elevação na zona onde as mulheres normalmente têm aquelas abundâncias tão apetitosas. Por isso, e porque só pode ser por isso, a Xá não se apresenta com decotes. Não sei dizer se é bom ou se é mau. Por um lado, priva a vista, por outro, evita choques estéticos. Pode ficar assim, pronto, e não se fala mais nisso, a menos que haja motivos de maior para retomar o assunto. A favor, tem o facto de ser elegante quanto baste. Ser magra não quer dizer que seja elegante, especialmente a partir dos vinte e cinco anos, pois, como é sabido, há zonas do corpo de uma mulher magra que absorvem incontáveis quilos de tecidos indesejáveis, traduzindo-se isto no chamado “traseiro-que-passa-à-rasca-nas-portas”. Não é o caso da Xá, felizmente. Ao menos isso, pronto. Depois, veio a Xé. A Xé, trintona, é uma desportista nata. Com o óbvio intuito de me irritar, apresentou-se acompanhada do marido – desta forma apresentado oficialmente -, um empresário paciente. A Xé, ao contrário da colega que ocupava as mesmas funções no ano passado, não tem ancas de bisonte. Muito pelo contrário, não tem ponta de gordura ou celulite, o que é muito louvável e digno de nota. Escusava era de vir vestida com um par de suspensórios. Um cinto ficava-lhe melhor. A Xé, durante as horas que passou connosco, no seu dia de apresentação ao serviço, pouco ou nada sorriu. Não sei porquê, mas fez-me lembrar aquela senhora inglesa que estava no Algarve e que ficou sem a filha e que depois deu azo a que os órgãos de comunicação social portugueses mostrassem toda a sua patetice e falta de profissionalismo ao alimentarem um caso insignificante com a projecção mediática de um casal da realeza. Cara magra, feições de alguém mentalmente doente e psicologicamente distorcida. Ao menos, não tem o peito em prancha de surf. Por fim, veio a Xi. Veio sozinha? Claro que não. Veio com o namorado ou companheiro ou marido, que não percebi, porque não havia alianças. Esta, sim! Peito abundante, decote adequadamente generoso, calças brancas, nada de gorduras nas nádegas nem nas ancas, enfim, cara de koala com óculos, mas já se sabe que não se pode ter tudo. Em relação à Xá e à Xé, a Xi já ganhou. Já eu esfregava as mãos de contente, quando, após umas horas, a Xi veio ao gabinete do patronato largar a bomba: ah e tal, estou grávida e é uma gravidez de risco. Para com os meus botões, roguei pragas ao companheiro da Xi por não ser pila-de-sabão e a ter engravidado e ter estragado tudo. Apeteceu-me encostar a Xi à parece a bater-lhe com a cadeira. Isto, não se faz! Não se apresenta ao trabalho para anunciar que se está grávida e que, por ser uma gravidez de risco, terá que ser rapidamente transferida para outra sucursal, algures perto de casa. Como num filme, comecei a imaginar o decotado e abundante peito da Xi a sobrevoar a estrada e a perder-se no horizonte longínquo. Consequentemente, terá que ser substituída por alguém. Alguém que, para infelicidade de alguns trabalhadores daquela instituição, poderá ser do sexo masculino. Tragédia, é o que vislumbro neste destino partilhado a meias com a possibilidade de a substituição ser feita por outra mulher, ainda mais decotada, ainda mais abastada do tórax, ainda com uma alergia a tecidos desde o meio da coxa até ao tornozelo. Ou não. Pode sair uma fulana como a Tininha que parece um balão de água quase a estoirar. Bolas, e logo agora que tínhamos ultrapassado aquela ansiedade da recepção às novas coleguinhas. Enfim. Mas, isto já não é o que era. Esta de todas elas aparecerem com um homem atrás, dá que pensar. Não é normal, não é saudável, não dá bom aspecto e estraga o ambiente. E digo mais: isto tem que acabar! Queridas futuras colegas de trabalho: para as próximas apresentações, façam o favor de virem sozinhas, bem apresentadas e cheias de calor, caso contrário, é de repensar a minha posição de imparcialidade e justiça na atribuição das vossas competências nesta instituição. Com marido, companheiro ou namorado, arriscam-se a não passarem da faxina às retretes, sem luvas. Percebido? pickwick
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Empadum de Atum
Para hoje, dedico este post à bela receita de “Empadum de Atum”. De momento, estou completamente empanturrado com a iguaria. Estava a saber tão bem que só parei quando um naco enorme não passou das goelas para baixo, indicando o momento propício para terminar o jantar. Sim, porque a vida é feita destes sinais…
 
Receita de “Empadum de Atum”
 
Ingredientes:

- 1 lata de atum, grande (a lata, que o atum já tem tamanho que chegue, se bem que, se o atum for pequenino, não tem sabor… acho eu).

- 2 dois copos de arroz agulha, sem agulhas, para não espetar ninguém (as agulhas, são como os palitos, é preciso ter cuidado com os amigos que vêm a casa e metem tudo à boca sem olhar e engolem palitos e também podem engolir agulhas e é do caraças mas não deve haver problema porque as agulhas do arroz não devem fazer mal a ninguém).

- quantidade indeterminada de polpa de tomate, vinda de um frasco grande com capacidade para um litro (adquirido por sessenta e seis cêntimos com o propósito de reutilização da carcaça de vidro para produção de licores caseiros).

- temperos, especiarias, sal, azeite, água, aroma a colher de pau.

- 2 cebolas verdadeiras, daquelas que fazem um gajo viril derramar lágrimas às escondidas.

 
Modo de preparação:
Prepare uma frigideira e um tacho, vazios, lavados e secos, sem restos de comida de semanas anteriores. No tacho, deite quatro copos de água do cano e meta ao lume, para ver se ferve. Na frigideira, em azeite, pique cebola e meia, e, já farto de picar cebola, corte à toa a meia cebola que falta. Meta a refogar, com jeitinho não queimar. Atenção ao tacho. Abra a lata de atum e deite o líquido gorduroso e suspeito para o ralo do lava-louças. Prepare o arroz, directamente do pacote, sem entornar tudo no chão e deixar a cozinha num chiqueiro. Isso, em cima da banca é melhor. Meta uma tampa na frigideira. Olhe com desdém para a água que ainda não ferve. Tire a tampa da frigideira e repare como a cebola já tem uma coloração alourada. Está na hora de entornar a polpa de tomate. Com jeitinho. Entorne a polpa de tomate para a frigideira. Pare! Não deite mais! O atum é que era primeiro! Troque o frasco da polpa de tomate pela lata de atum, despejando todo o atum na frigideira. Chegue-lhe as especiarias todas que tiver à mão, incluindo duas colheres daquele picante caseiro que fez com uísque e alho e mais não sei quê. Mexa com jeito, para não entornar e emporcalhar o fogão. Tape a frigideira e meta o lume brando, para não sair asneira. Tire novamente a tampa, depois de chegar à conclusão que a polpa e o atum podem ir ao mesmo tempo, que ninguém nota a diferença e vai tudo dar ao mesmo. Entorne um quarto de litro de polpa de tomate, mexa e tape. Atire uma mão cheia de sal para dentro do tacho. A água já ferve, por isso, deite-lhe os dois copos de arroz, sem o lavar. O arroz, para homens, quer-se porquinho de branco, tal qual como vem do pacote, por causa dos anticorpos e não sei quê. Além disso, dá muito menos trabalho. Mexa bem. Repare como a água fica toda branca, com aspecto nojento de sopa de arroz insonsa para doentes com caganeira imparável. Suspire. Vá até à sala, consultar os e-mails, ver os jornais online, enfim, ver de novidades, etc. Cuidado, já passaram alguns minutos, se calhar o arroz já está esturrado no fundo do tacho e a frigideira já está seca. Abra a tampa da frigideira. Hum… E o arroz? Hum… está tudo a ficar nos conformes. Deite mais água no tacho que está tudo a ficar seco. Deite mais polpa para não desidratar a frigideira e o atum. Mexa um e outro. Ande ali a ver se aquilo fica com melhor aspecto. Ligue o forno eléctrico, regulando para vinte minutos. Prepare uma travessa de Pirex, a maior que couber no forno. Ora bem, agora desligue os dois bicos do fogão e traga o tacho e a frigideira para o pé da travessa. Com sorte, não se entorna nada. Vá, só um bocadinho da frigideira, por causa do excesso de polpa, mas não faz mal. No fundo da travessa, despeje três quartos do arroz cozido. Engane-se e despeje apenas três quintos. Não tem problema. Espalhe bem, para ficar uniforme e como uma plataforma de arroz onde qualquer mortal poderia caminhar sem se enterrar. Agora, despeje cinco sextos do conteúdo da frigideira e espalhe bem. Engane-se nos cinco sextos, mas não faça mais contas com fracções, porque isso de ser professor de Matemática não funciona quanto se está a mexer em colheres e tachos e há que dar uma folgazinha aos saberes científicos. Espalhe bem. Agora, deite o resto do arroz, acame, e, por cima, o resto do que está na frigideira, com um mau aspecto tremendo e uma cor atomatada. Meta tudo ao forno. Volte para o computador e navegue mais um bocado na Internet. Navegue, navegue. Ao som do “plim”, volte para a cozinha, abra o forno, aprecie a camada de bedum de atum e tomate quase queimado, deite para um prato, acompanhe com um guardanapo e um garfo, volte para o computador, e coma. Repita até não conseguir meter mais nada à boca. Feliz? Eu também. Nem consegue arrotar, pois não? Bendita água com gás Vimeiro! Vá, bebe lá a ver se alivia… pickwick
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Sábado, 15 de Setembro de 2007
Luciana and her new boobies
Eu não sou de ler revistas com notícias deste calibre, mas, aconteceu. Chegou a casa mais uma edição da revista da Cabovisão, enviada gratuitamente (ou não) para todos os seus clientes, a qual abri ingenuamente. Pimba. A Luciana Abreu na rifa. Chiça! Assim, na foto, até parece uma mulher toda boazona, quase que perfeita, não fosse a experiência do apreciador já denunciar uma tendência crónica desta mulher para inchar por todos os cantos, assim que parar com o jejum. Luciana, desculpa lá, mas não consigo ser benevolente para contigo. Mesmo sabendo que, pelos vistos, foste para cima de um palco com as maminhas novas a doerem muito. Chamam-te profissional. Eu chamava-te outra coisa, mas agora não interessa. Para que é que uma miúda que veste flores vai meter borracha nas maminhas? Para que é que revistas fazem notícias sobre as maminhas de borracha da miúda? Para que é que uma miúda vai para cima de um palco com as maminhas a doerem? E como é que o pessoal que estava no concerto descobriu que ela tinha um soutien com um novo tamanho?! Estes madeirenses são do caraças! A menos que, e já nada me espanta, a Luciana tenha subido para cima do palco e levantado a blusa para mostrar a novidade a toda a gente, provocando uma ruidosa onda de uivos. Sim, uivos, que na Madeira o que há mais é grotescos comedores de garotas e esfaimadas lésbicas de férias. Nada contra, claro. E o que virá a seguir? Uma onda de histeria das pitas portuguesas a atormentarem as mães para lhes pagarem uma ida à faca e um par de bolas de borracha? Não é preciso muito! Temos a televisão, temos as histéricas e temos o dinheiro. Improvável? Não parece. Se elas querem, à viva força, ir para a escola com blusas da Floribella, com uma saia da Floribella, lápis da Floribella em estojos da Floribella, cadernos e mochilas da Floribella, meias da Floribella e o sorriso idiota e depravado da Floribella, só ficará mesmo a faltar as maminhas novas da Floribella, certo? Borracha, silicone ou massa para vidros, tanto faz, o que interessa mesmo é dobrar a espinha para trás – como a Floribella – e fazer sobressair o que quer que seja de volumoso que tragam ao peito. Pessoalmente, acho que daqui sairá uma tragédia nacional. Por um lado, qualquer viagem de transportes públicos parecerá a visita a uma fábrica de colchões de água, com um repetitivo “shlok, shlok, shlok” a soar nos peitos de todas as pitas, adolescentes, jovens mulheres e mães delas todas (que não quereriam, nem por nada, ficar atrás). Por outro lado, e tendo em conta que a esmagadora maioria das miúdas portuguesas tem maminhas de muita qualidade e volume perfeito, o resultado de uma corrida às mamas de borracha transformará o panorama feminino nacional numa manada gigantesca de réplicas da Dolly Parton. A Dolly, para quem não sabe, nos seus tempos de glória da canção, tinha o hábito de atirar as mamas para trás das costas para poder cantar com mais afinco e afino. Anos mais tarde, já quarentonas, estas agora pitas terão que se confrontar com dramas vários: os filhos desgostosos e traumatizados com meses a mamar leite com sabor a borracha, os graves problemas de coluna por causa do esforço continuado para evitar que as mamas toquem no chão, a recauchutagem da borracha por causa do desgaste, a eventual reposição do tamanho original (quando o juízo regressar) e as consequentes e horríveis cicatrizes, o prejuízo das empresas de fabrico de soutiens confrontadas com uma quebra brutal e inesperada nas vendas de soutiens XXXL, etc. E, isto tudo, porque uma tal de Luciana se lembrou de meter borracha nas mamas. Luciana, se leres isto, ainda estás a tempo, adiciona-me no MSN para desabafares um pedaço e eu te convencer a voltar com as tuas maminhas ao tamanho natural. O endereço? Ah e tal, pickwick e não sei quê do sapo. Mas não metas flores na imagem de apresentação, ok? Estou mais numa de bifes. pickwick
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
Vou mudar de profissão
Notícia num jornaleco qualquer:
Romenos detidos libertados
Os quatro indivíduos romenos detidos pela Polícia Marítima (PM), na madrugada de anteontem, em flagrante, quando furtavam três motores de barcos ancorados no rio Coura, foram colocados em liberdade pelo tribunal. Os suspeitos ficaram obrigados apenas a apresentar-se depois de amanhã na delegação Serviços de Estrangeiros e Fronteiras de Viana do Castelo, fim de cumprir várias formalidades. Recorde-se que a partir do próximo dia 15, com a entrada em vigor do novo código de processo penal, apenas ficará em prisão preventiva quem cometer um crime com uma moldura penal igual ou superior a cinco anos.”
Vamos lá ver isto novamente. Então, vou ali à ourivesaria, parto os vidros, roubo o que me apetecer, regresso calmamente a casa, escondo algumas das peças e mantenho as outras no bolso. Nisto, aparece a GNR para me levar. Não há que ter medo. Amanhã estou em casa, novamente, descansado, podendo repetir o processo, sei lá, digamos que numas bombas de gasolina, ou numa velhinha coxa, ou o banco, ou um motor de um barco (que estafadeira), ou uma criancinha, ou uma loja de telemóveis, e por aí fora, sendo sempre, sempre, sempre libertado no dia seguinte, ou no próprio dia, desde que a “moldura penal” seja abaixo dos cinco anos. Roubar motores de barco, mesmo apanhado em flagrante, dá menos de cinco anos de prisão e liberdade imediata. Parece-me bem. Não sei para que raio vou todos os dias para o trabalho. Vou perder tempo, aturar peruas e desnudadas, dar ao dedo e à língua, levantar, sentar, gastar gasolina, etc. Desnecessariamente. Praticando diariamente uns roubos aqui e além, vejo-me sempre em liberdade, o tribunal enguiça porque o processo nunca mais acaba, e vou acumulando uma fortuna fantástica. Aliás, posso tentar ver isto por uma perspectiva ainda mais divertida. Os trogloditas acéfalos que inventaram este esquema todo de um gajo não ir preso e poder continuar a ganhar uns trocos à custa dos bens alheios, por certo que são endinheirados e possuidores de muitos bens. Não lhes ficaria nada mal alimentar o próprio esquema que inventaram. Isto é, serem diariamente assaltados pela minha pessoa. Um carro num dia, um computador no outro, uma televisão (para oferecer), os telemóveis, o armário dos digestivos, sei lá, coisas assim, o motor do barco, o GPS do barco, o forno micro-ondas do barco, o colchão de um dos beliches do barco, o volante do leme do barco, o armário dos digestivos do barco, e por aí fora. Mas, quem é que, não tendo motivos muito obscuros e satânicos, cria umas leis destas? Só podem ter motivos obscuros e satânicos. Só pode haver grandes jogadas por trás. Algumas, que nos transcendem, provavelmente uma jogada qualquer internacional para os autores se exibirem nas praças mundiais como pais de leis mais avançadas e não sei quê. Tem que haver aqui muita coisa obscura no meio disto tudo. No mínimo, é ridícula toda esta situação e choca com o mais elementar bom senso e sentido de liberdade de cada um. Entenda-se por liberdade a capacidade que um cidadão tem para circular livremente e viver diariamente sem que a sua vida e os seus bens estejam constantemente ameaçados. Assim, nestes moldes, acaba-se rapidamente a liberdade. Mais, com isto, posso ir a qualquer país da União Europeia divertir-me a roubar o que me apetecer, pois logo a seguir poderei continuar em liberdade e circular por onde me apetecer e roubar o que me apetecer. Isto não bate mesmo certo. Eu cresci a ler livros de cowboys, capa e espada, e muitas aventuras, sendo que, em todos eles, em rigorosamente todos eles, o crime e a maldade tinham como certa a consequência de subtrair o criminoso à sociedade, quer pendurando-o por uma corda de cânhamo, passando-lhe o pescoço a lâmina de espada, ou atirando-o para o fundo de um calabouço. Pronto, nem tudo tem que ser resolvido esticando o pernil ou laminando esófagos, mas, a bem dizer, o fundo de um calabouço não deixa de ser uma forma civilizada de privar o cidadão comum do risco de ficar sem os seus bens ou ver a sua vida por um fio. Esses valores, os tais de que o crime não compensa e não sei quê, já se foram. Agora, mais do que nunca, o crime compensa. Compensa, porque, em rigor, se eu às 8h30 assaltar o banco da minha aldeia e me deixar apanhar, às 18h00 estarei ali na tasca da esquina a molhar as goelas com uma cervejola fresquinha, gozando de uma duradoura liberdade. Compensações à parte, não me ficava nada mal um gravador de DVD’s no meu PC, umas garrafitas de digestivos envelhecidos no armário, um carro novo e pimpão, e um telecomando para o portátil para quando estiver a ver filmes. E uma casa? Também dá para roubar uma casa? Quero dizer, vou na rua, ah e tal, que casa gira, vou roubá-la e ficar com ela toda só para mim. Será que também dá? Com piscina e sauna, já agora. Tenho que ver isso. Com a celeridade dos tribunais, ainda me habilitava a desfrutá-la durante uns cinco anos, findos os quais seria eventualmente condenado a X anos de presídio, evitáveis com mais um roubo que enguiçaria as coisas todas em tribunal e que me deixaria mais uns largos anos em liberdade e não sei quê. Ainda há gente que paga para irem para um paraíso qualquer no cu de Judas. Para quê? Basta aproveitar essa coisa da “moldura penal” e o paraíso será como o Natal: a qualquer hora, em qualquer dia, em qualquer lugar. pickwick
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Sacanas das peruas
Isto de estar no patronato é um verdadeiro teste à paciência. O patrão Zé hoje andava todo agoniado, logo desde o princípio do dia. Aproximava-se a primeira reunião com os chefes de departamentos e mais uns quantos prendados com assento. Regresso de férias, ah e tal, boa altura para medir forças. As peruas, infatigáveis fãs do ex-patrão, resolveram chatear toda a gente. A mim, não chatearam porque eu não tinha assento na reunião. Mas chatearam o patrão Zé e quase toda a gente. Discursaram sobre assuntos nos quais não estavam abonadas de conhecimentos de causa, exigiram coisas a que não têm direito, bloquearam a aprovação de documentos importantes e com isso conseguiram emperrar o normal funcionamento da instituição, falaram, falaram, falaram, enervaram, despejaram. Ah pois é, que a cultura delas não é suficiente para discursaram sobre alguns temas, pelo que, obviamente, foram injectadas pelo ex-patrão com alguma dose de naftalina com aroma a peru. Cometeram o vil acto de apoquentar o patrão Zé, o que é muito feio e não lhes fica nada bem. Tanto não lhes fica bem que até a Claudinha, no final da reunião, veio ter connosco, relembrou o facto de nas eleições ter estado do lado do ex-patrão mas que, agora, isso era para esquecer e fazer avançar o barco que é de todos, mostrando-se muito surpreendida com a atitude das peruas. É o que se chama separar o trigo do joio. Ou, em linguagem mais apropriada, separar o pastel de nata dos dejectos. São umas sacanas, é o que é. Se, por um lado, dá vontade de bater nelas com toda a gana e espetar-lhes com uns bancos de arraial no meio das beiças, por outro lado, torna-se divertido ajustar contas com outras armas, menos exibicionistas e mais eficazes. Enxovalhar e humilhar delicadamente ainda constituem uns belos métodos para ajustar contas. Com dignidade, pois claro. E jeitinho. Um supositório de nitroglicerina, contudo, resolveria todos os problemas, mas, infelizmente, não sei quê, sociedade, civilização, blá, blá, blá… Por falar em civilização, estou agora a lembrar-me que os dias de ontem e hoje foram muito estranhos. E, quando falo em “muito estranhos”, estou a falar de saias e maminhas. Começo pelas maminhas. A minha fã número um apresentou-se ontem com um decote tão profundo, tão profundo, mas tão profundo, que quase dava para ver o rabo a um chinoca do outro lado do planeta. Quase. Na realidade, o que dava para ver eram duas bolas apetitosas de pele bronzeada. Tal aparição obrigou-me a reflectir cuidadosamente sobre o local onde a levar a jantar fora. Não se vai com uma mulher jeitosa com metade das mamas de fora a jantar a qualquer lado, certo? Há que pensar na clientela, em possíveis encontros imediatos, na reputação, enfim, pormenores. Maminhas à parte, ontem e hoje foram dias misteriosos no que toca a saias. Ontem, foi a Paulinha, que se apresentou com uma saia pelo joelho, discreta, selecta, séria, sóbria. A determinada altura do dia, apareceu no gabinete do patronado, para perguntar qualquer coisa, e, tardando a resposta, não esteve para meias medidas: meteu a mão entre as pernas, subiu por ali a cima, e pareceu ajeitar qualquer coisa dez centímetros abaixo das virilhas. O patrão Zé, acho que não topou nada, tão concentrado que estava entre o computador e a resposta que iria dar à pergunta da rapariga. Eu, sempre atento, topei tudo. Mas não percebi nada. Será que estava com o período e estava a ajeitar as abas do seu pensinho em forma de pizza familiar extra-queijo? Hoje, outra colega – que agora não consigo recordar quem era – voltou a repetir exactamente a mesma coisa, desta feita noutra divisão do edifício, e na presença de poucas pessoas. Mas qual é o problema? Está calor debaixo da saia? Esqueceram-se do ventilador? Bom, o facto curioso sobre a saia da Paulinha, é a sua capacidade de mutação. Eu explico. À hora do almoço, juntámo-nos uns quantos para tentar abater um pouco nos restos de comida da orgia do outro dia. A Paulinha, certamente acalorada, sentou-se no sofá à minha frente, em amena cavaqueira comigo e com outra colega. A saia discreta e pelo joelho, transformou-se numa curtíssima mini-saia, arregaçada até às ancas, de tal maneira estava a rapariga esparramada no sofá, pernas cruzadas, ah e tal, calor, à vontade, não sei quê. Não lhe fica bem estes preparos. Não pretendo queixar-me, nem nunca iria chamar-lhe a atenção para se portar com modos, mas, mesmo assim, não posso deixar de reconhecer que não fica nada bem a uma mulher casada e com dois filhos estar para ali, assim, como se estivesse num bordel à espera de um condutor de cisternas. pickwick
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Chouriças, lágrimas, tartes, baba e ranhetas
Mas que raio de dia, este. Até não começou muito mal, com os colegas de trabalho a comparecerem em peso, uns mais cedo que outros, os primeiros para trabalhar, os segundos para a reunião geral. A curiosidade pela distribuição de serviço e os horários de trabalho, as saudades, enfim, parecia um formigueiro. Pessoalmente, afligem-me estas situações pois, para além de ser alérgico a gatos e gatas, também tenho uma alergia crónica a ajuntamentos de pessoas. Mesmo que sejam todas conhecidas. É mais forte que eu. Não sei explicar. Mas, pronto, a profissão assim o exige e mais não há que fazer senão encaixar a situação. Da parte da tarde, assim que acabou a reunião geral, juntaram-se os três grupos de profissionais desta instituição, somando para cima de setenta pessoas. Juntaram-se, porque é bonito juntarem-se, especialmente se for na cantina, com meia dúzia de mesas exageradamente repletas de iguarias, petiscos, doces e bebidas. Uma concentração de comida suficiente para alimentar – à vontade – umas quatrocentas pessoas. Um momento de convívio gastronómico, para começar o ano depois das férias. Um completo exagero. Deve ser mania do povo aqui das beiras, que, quando toca ao rancho, não se atrevem a deixar espaço vazio na mesa. Não é que me esteja a queixar. Fiz um bocado de cerimónia porque, como já referi, tenho alergia a ajuntamentos de pessoas, seja à mesa, ou numa festa do pijama molhado. Fiz um bocado de cerimónia, mas, ainda assim, deu para provar algumas coisas saudáveis, como chouriças, bolas de carne, pasteis, tinto, bolinhos, tartes, presunto, Sumol, enfim, coisas assim. Comedidamente. Isto é, com discrição, comendo apenas duas fatias da bola de carne, em vez de devorar a bola toda, comendo apenas uma elegante fatia de tarte, em vez de repetir sete vezes, comendo apenas uma fatia de presunto, em vez de esvaziar o prato, e por aí fora. Estes momentos de confraternização mexem-me com os nervos. Andar ali a vadiar de uma ponta para a outra da mesa, metade das pessoas a fazerem também cerimónia, a olharem umas para as outras. Ora converso de pé, ora converso sentado, ora fico só e abandonado de pé, ora fico só e abandonado sentado, ora controlo os trajes femininos da ocasião, ora aproveito para verificar as medidas da D. Susana – que, pela primeira vez, vislumbrei à civil, sem a “farda” de trabalho. Não gosto destas cenas. Parecem aqueles cocktails do jet-set, pirosos, autênticas percas de tempo. Para comer, com prazer, é com os amigos, não com os colegas de trabalho. Mas, enfim, ossos do ofício. Entretanto, aproveita-se a ocasião para, de uma forma suave, passar a mão no pêlo às fãs do ex-patrão, encetando diálogos presunçosamente agradáveis e debates amigáveis, na tentativa de fazer confluir opiniões e sentimentos. No meio disto tudo, soma-se o desespero de algumas colegas, a chorarem baba e ranhetas por causa do horário de trabalho que lhes coube, nomeadamente por causa de umas insignificâncias que, no feminino, assumem proporções catastróficas, dignas de uma bíblia ou de um filme tipo “Jurassic Park”. Andam pelos cantos, lacrimejam, ficam com ranhetas penduradas das narinas, fungam, suspiram, fogem e simulam uma infelicidade maior do que se tivessem sido violadas a seco e com areia por um gorila-da-montanha muito macho mas muito bruto. O patrão Zé, coitado, perdeu logo o apetite com a estória das colegas choramingas. Coitado, e logo ele, que tem perdido noites a tentar que as meninas ficassem com um horário porreiro e aceitável. Não é justo. Mas, com gajas, já se sabe, a justiça não tem corpo, não tem alma e não passa de uma nuvem lá ao longe. Apeteceu-me pegar-lhes pela nuca e enfiar-lhes as fronhas na travessa das rodelas de chouriça assada, ou no prato da tarte de maçã, ou, então, pegar-lhes pelo elástico das cuecas e catapultá-las janela fora. Também tenho alergia a gajas a chorar. Não se aguenta. Não há necessidade. E não há paciência. Ainda por cima, volta e meia ando eu aqui a elogiá-las, ah e tal, ui ui, e não sei quê. Hoje, só me apetecia varrê-las para debaixo do tractor do estrume e passar-lhes com as rodas por cima. Sacanas! Gajas! Ai, que nervos! Por falar em gajas, quero terminar com uma singela referência ao facto de a loira dentuça ter sido a grande dinamizadora dos enchidos neste convívio gastronómico, organizando a assadura de dezenas de chouriças de carne, chouriças de sangue e alheiras, que sobraram em quantidades absurdas, mas que, mesmo às rodelas, não escondem a sua forma original: a de óbvios símbolos fálicos e potenciais apaziguadores de ansiedades primitivas. Além de muitos carros e pouca roupa, a loira dentuça também gosta de se ver rodeada de muitas chouriças. Não lhe fica nada bem, com aquela idade e aqueles dentes. pickwick
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Ui, que até dói…

O dia de hoje, que não coincide com o dia em que este post é publicado, até que nem foi um mau dia. Mas, o de ontem também não. Depois de passar uma esponja por cima da ressaca de cervejolas e provas de digestivos, fui até Lamego, essa bela cidade. Já tinha saudades. Quer-se dizer, ainda outro dia lá fui, mas não faz mal. As festas da Nossa Senhora dos Remédios atraem milhares de visitantes, entre eles inúmeras moçoilas todas acaloradas e dadas a desfiles de mini-roupa. É bom que assim seja. A malta agradece. Anima as festas e dá bom ambiente. Fui lá ter com uns amigos que, como manda a tradição, recebem as visitas com a maior das simpatias e mordomias. Neste caso concreto, com uma bola de carne típica da cidade, um salpicão de comer e uivar, uma espécie de pão-de-ló ao qual insistiram em chamar bolo-podre (brincalhões), e, para doer mesmo muito, um espumante Raposeira Tinto. Gelado. Uiii… Até dá vontade de ir viver para aquelas bandas e beber Raposeira Tinto todos os dias ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar, na ceia, com o xarope, em vez do xarope, e antes de deitar. Não bastasse, ainda ofereceram uma garrafa de Raposeira Rosé para trazer para casa, para provar e chorar. Assim, sim. Isto é que é falar! Eu bem me parecia que tinha uma ligação genética a Lamego, e não seria apenas por a minha mãezinha ser de lá indígena. Bela cidade. Bem, adiante. Hoje, foi dia de regresso de férias dos trabalhadores da minha instituição. Estamos a iniciar a primeira semana de Setembro, mas só agora é que o Verão chegou. E, como chegou, há que recebê-lo adequadamente. Assim fizeram as minhas colegas trabalhadoras, que se apresentaram ao serviço nuns preparos muito simpáticos, aos quais dignei prestar a máxima atenção. Ou era o bronze consolidado e perfeito, ou era a tatuagem nova, ou era o bronze-à-lavrador, ou era o top preto com alças de plástico transparente, ou era a saia curta, o sorriso à matadora, a bela da sandália, o decote vistoso, enfim, um dia muito ocupado que este foi. Pouco produtivo, devido ao constante vai e vem de trabalhadoras descascadas e acaloradas, mas, pronto, não se pode ter tudo. Mas, no meio daquele leque, a loira dentuças destacou-se de longe, ou não fosse ela a verdadeira, a única, a espampanante, a extraordinária. Já agora, soube na semana passada que esta mulher tem uns dezassete ou dezoito carros em casa, já contando com o jipe Mercedes que habitualmente traz para o trabalho. Além de uma dentuça abundante e saliente, também tem um grande parque automóvel. E, hoje, a loira dentuça destacou-se pela incrível mini-saia com que se apresentou ao serviço. Acho que já a descrevi num post qualquer, mas, mesmo assim, vale a pena relembrar, segundo a perspectiva de hoje: meio palmo de ganga e mais meio palmo de folhado. E está feito. Quando cheguei do almoço, estava ela sentada no computador da secretária ao lado da minha, a tratar de uns documentos quaisquer, perna traçada, 95% da qual ao léu, como se estivesse numa qualquer taberna de tráfego de meretrizes. Se não tivesse aquelas trombas de meter medo ao susto e aqueles seios até ao umbigo, eu até me teria sentido honrado pela presença dela. Mas, dadas as características técnicas, não, obrigado. Mas, lá andava ela, toda contente, depois levantava-se, inclinava-se toda para cima da impressora para fazer não sei o quê tipo meter mais papel, andava de um lado para o outro, cruzava e descruzava as pernas, entrava e saía, enfim. Eu sei que esteve um dia de muito calor, mas, mesmo assim, ela escusava de fazer aquelas figuras. Ao menos viesse como a Ana, com um top preto encolhido e uma saia branca até ao tornozelo. Ou como a Caty, com uma tatuagem do seu nome no ombro, em egípcio. Ou como a Gracinha, com a barriguinha desprovida de gordura toda à mostra. Ou como a Cris, que não trazia nada à mostra porque tem bom senso e sabe que é melhor não evidenciar ainda mais o facto de ser uma autêntica bolinha de chicha. Ou como a Alex, que sabe puxar pelo que tem de melhor, nomeadamente o poderoso – embora não exagerado – par de seios que ostensivamente disponibiliza aos apreciadores através de um generoso decote, suficiente para se ver um muito sexy sinalzinho na maminha direita. Ou esquerda. Já não me lembro. Bolas! A loira dentuça, se fosse uma senhora com algum juízo e espírito auto-crítico, encomendava uma burqa directamente do Afeganistão e usava-a diariamente para se apresentar no trabalho. Eventualmente, com a parte de baixo arregaçada até três dedos acima do joelho, pronto, por causa do calor e para não tornar o ambiente demasiado pesado. pickwick

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
Na Sopinha da Aguieira - 3
Já em casa, cervejinhas no congelador, batatas e chouriça para o forno, sal e salsa, e o jantar a caminho de se comer. Antes, ainda começámos a ver o filme. Tivemos que interromper para o jantar. No fim deste, gerou-se à mesa uma intensa discussão a propósito das aguardentes, cachaças e bagaços que deram entrada na minha cozinha, uns para consumo directo, outros para envelhecimento segundo técnicas requintadíssimas à base de madeira, outros para elaboração de licores ilegais. Não chegasse a discussão a nenhum resultado conclusivo, tivemos que resolver a questão através de uma sessão de provas, o que é muito bom, porque ajuda a fazer a digestão. E desentope o nariz. E alivia a tosse. Embora ninguém estivesse com problemas de saúde. Depois, já com a digestão em velocidade de cruzeiro, fomos ver o resto do filme “Flyboys”. O filme é fixe: aviões, biplanos, triplanos, mortos e feridos, decepados, tiros, fumo, um leão com coleira, franceses, francesas, revólveres, soldados, uma garrafa de conhaque com cem anos, alemães mal encarados, e a Jennifer Decker. Ah, pois é! Não fosse a Jennifer e o filme seria fantástico. A Jennifer veio estragar o filme, a fazer o papel de virgem carente, que não dá duas para a caixa em inglês mas que se apaixona à primeira vista por um piloto americano que não dá duas para caixa em francês, e fazem umas cenas românticas muito pirosas, ora debaixo de um carvalho, ora com ele a levá-la a passear de avião, enfim, do piorio. A Jennifer, que é francesa, tenta fazer o papel de virgem – entenda-se jovem mulher que nunca provou do que é bom -, mas muito mal. E, muito mal, porque não consegue disfarçar o ar real que a actriz tem por natureza: a de uma francesa ninfomaníaca, magricelas e depravada, com lábios perfeitamente adaptados ao desempenho de alguns actos de índole sexual, nomeadamente o mítico “bóbó”. Perdoem-me a franqueza, mas é mesmo assim. E mais. A Jennifer, no papel que desempenha neste filme, tem um efeito perverso nas mentes masculinas: traz à memória o sonho de se engatar uma mulher que não fala a nossa língua, nem nós a dela, com a fantástica vantagem de ela poder falar, falar, falar, falar, e isso não nos afectar minimamente, porque não percebemos chavelho do que ela diz. Aparentemente, e a menos que eu tenha adormecido nalguma parte mais monótona do filme, o piloto acaba por não lhe saltar para a espinha, o que também é bom, porque poupa o espectador a mais uns momentos de fastio. Posto isto, algumas conclusões sobre o dia.
1. Não andar de bicicleta num Domingo. No dia seguinte não haverá força nas pernas para subir qualquer lanço de escadas, nem espírito crítico para apreciar as pernas das colegas de trabalho.
2. Não discutir questões vinícolas à mesa. A coisa pode facilmente descambar para uma sessão de provas e acabar com uma violenta ressaca na manhã do dia seguinte.
3. Não ver filmes de guerra ou pancadaria que incluam virgens francesas protagonizadas por francesas com ar de tudo menos de virgens, a menos que seja um filme do Quentin Tarantino, estilo “Kill Bill” – pois, aqui, qualquer virgem pega numa espada e ceifa meia dúzia de cabeças, em vez de perder tempo com conversas da treta debaixo de um carvalho.
4. Não comprar equipamento completo de windsurf da década de oitenta por apenas cem euros.
5. Não esquecer de levar uma carabina com mira telescópica quando se vai passar um dia pacato junto a um extenso lençol de água; pode ser bastante útil para eliminar de forma eficaz e discreta alguns ruídos indesejáveis provocados pela anormalidade de alguns cidadãos.
6. Não sair de casa para um dia cansativo sem deixar o frigorífico devidamente abastecido; caso contrário, o regresso tardio ao lar poderia implicar a impossibilidade de fechar o dia com umas cervejinhas fresquinhas, o que se transformaria numa infelicidade imensa.
7. Não ligar a resultados de análises sobre a qualidade da água onde se toma banho; se seguirmos esse caminho, quando dermos por isso, estamos a tomar banho com garrafas de litro e meio de água do Luso, previamente fervida e desinfectada com lixívia.
8. Não comprar bicicletas sem motor.
9. Não passar o dia numa praia sem gajas em biquini, ou simplesmente sem gajas, como aconteceu, porque priva o homem de apreciar o que o mundo tem de mais belo.
10. Não dizer mal da Jennifer Decker, que até é elegante, francesa, engraçada e nada feia, embora pareça ter maminhas que mal dão para encher – as duas juntas - meia malga de caldo verde. pickwick
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Domingo, 9 de Setembro de 2007
Na Sopinha da Aguieira - 2
Durante a tarde, que passou lentamente mas acabou muito rapidamente, o que quer que isso queira dizer, ainda deu tempo para estar mais um bocado de molho na sopa, tirar fotografias a libelinhas, montar um soberbo computador de bordo na bicicleta, dormir uma sesta, dormir outra sesta, estar mais um bocado de molho na sopa, e ainda outro bocado, e ainda mais outro, e só mais um bocadinho. Ah e tal, dizia não sei quem, tenho uma amiga que andou a fazer análises à água em diversos pontos do país, e que diz que, por ela, não se metia aqui dentro da água da barragem. Só por causa disso, fomos outra vez meter-nos lá dentro, para afogar o calor. Afinal, não há que ter medo: na água há peixinhos a nadar, apesar dos pedaços de algas com ar altamente suspeito e de não se ver um palmo à frente do nariz debaixo de água. O que realmente estraga todo o ambiente, ali, na Barragem de Aguieira, são os anormais que passam lá o dia a andar para trás e para a frente com as suas motos-de-água e as suas lanchas. Não os percebo. É como subir num balão de ar quente até quinhentos metros de altitude e ligar uma aparelhagem aos berros com música hip-hop. É como escalar uma montanha com música metal-pesado a ecoar por todo o lado. É como subir aos céus e ligar um martelo-pneumático. Simplesmente, não se compreende, a não ser que tenhamos em conta a evidente limitação cerebral destas pessoas! É que, ali, naquelas paragens, com árvores, água e erva verde, a última coisa que apetece ouvir é um motor a roncar. Mas, eles insistem. Passam para um lado, passam para o outro, prego a fundo, velocidade máxima, ui, que emoção!, os estúpidos. Emoção era pegarem numa pagaia e dar aos braços. Isso, sim! É que era de homem! Assim, conspurcam o ambiente sonoro, conspurcam a água, conspurcam a paisagem, e dão-nos uma vontade enorme de lhes trespassar a cabeça com um ferro em brasa. Aqui, sentado, pouco mais posso fazer para além de lhes chamar nomes feios e rogar-lhes pragas negras. Finda a tarde, arrumámos as trouxas e rumámos ao “Lagoa Azul”, para, no âmbito da despedida, bebermos umas cervejinhas geladas. Ah e tal, aposto como não chegas de dia ao Carregal, dizia o Miguel. Vá, anda lá meter a bicicleta dentro do carro, dizia o Nando. Os amigos, são mesmo para estas ocasiões de grande cansaço. Um aposta que não consigo, outro quer convencer-me a desistir. É bonito! Mas eu, que não sou de me deixar ficar, excepto quando vale a pena não ir, arrastei-me até à bicicleta e, com um esforço hercúleo, saltei-lhe para cima e saí disparado estrada fora, em direcção ao horizonte, a brisa no rosto, com destino ao infinito, velocidade de cruzeiro, ah e tal. Vá, pronto, fui a pedalar, quase que não me aguentava em cima, com o cu todo dorido das duas horas passadas em cima, os músculos das pernas a darem as últimas, e o estômago a ressentir-se da variedade gastronómica do dia. Mesmo assim, ainda dei quase quarenta quilómetros por hora numa descida e percorri dez quilómetros. É fácil dar quarenta numa descida. Ou não. Depende, se o computador de bordo estava a funcionar direito ou não. Depois, liguei ao Nando, onde é que estás?, espera aí! Eu podia dar a desculpa esfarrapada de que parei porque já era noite. Mas, não. A verdade, é que parei porque já era mesmo noite. Eu não sou de dar desculpas esfarrapadas, obviamente. Também podia dar a desculpa esfarrapada de que parei porque estava tão cansado que já não aguentava mais nenhum plano adversamente inclinado e até já nem para pedalar no plano horizontal tinha força nas pernas. Mas, não. A verdade, é que parei porque andar de bicicleta é uma actividade muito monótona e não dá luta e homem que é homem não prolonga actividades que não dão luta. E assim foi, metemos a bicicleta no Fiesta do Nando e lá fomos, rumo à minha aldeia. E o jantar? Ah pois é, havia restos de chouriça, uma assada, outra nem tanto, mas faltava o mais importante: a cervejinha fresca. Às 20h40, não havia grandes esperanças de encontrar um supermercado aberto. Ainda parámos em dois, fechados. Mas, como há gajos com sorte, e chegámos à minha aldeia às 21h04, demos um pulinho ao Pingo Doce, só por descargo de consciência. As meninas do Pingo Doce da minha aldeia, umas mais feias que outras, tinham-se esquecido de desactivar a abertura automática das portas, pelo que, assim sendo, aproveitei para entrar por lá a dentro, com passo acelerado, como se aquilo fosse as Urgências do hospital distrital e eu levasse o chifre de um touro enfiado naquele sítio onde o sol não brilha. Uma emergência, portanto. A menina que passava a esfregona ainda gaguejou, mas eu necessitava mesmo muito, muito, muito de umas cervejinhas. Em menos de um minuto estava com dois packs debaixo de um braço e cartão de débito na mão oposta. Dali saídos, ainda passámos no clube de vídeo (que hoje em dia se deveria chamar clube de dvd) para buscar o “Flyboys”. Aviões, tiros, mortos e feridos! Ui, que é bom! pickwick
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