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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
Que tédio – parte 2
Porque o tédio está sempre presente…
 
4. De cama
Foi em três tempos que apanhei um bicho qualquer e fiquei derreado por muitos dias: dor de cabeça, tosse compulsiva, dores no corpo todo, sonolência, etc. Em pleno Verão! Não há condições! Um gajo devia andar permanentemente de cuecas, ou sem elas, mas, dadas as circunstâncias, só me restava passar o dia de fato de treino ou pijama de Inverno, para tentar suar um bocado e expelir os bichos. É foleiro. Já quase no fim, com a coisa quase a passar, a D. Fernandina bateu à porta, para saber se eu estava bem, porque não me via há já vários dias e a vizinha de baixo tinha-lhe dito que eu passava a vida a tossir. Ah e tal, você é como um filho para mim, dizia ela. Eu até me engasgava. Tão contente que eu vivo, bem longe das saias protectoras da minha mãe, e ia logo agora arranjar uma mãe adoptiva?! Chiça! Ah e tal, não, estou quase bonzinho, obrigado, ah e tal. Entretanto, apareceu uma amiga. Passou na cozinha, de raspão, e, com aquela mítica capacidade que só as mulheres têm, descobriu que eu tinha andado a medicar-me com aquele frasco grande de licor de uva caseiro que tinha feito no ano passado, a partir de um garrafão de aguardente que me arranjaram. E, qual, antibiótico, senti-me na obrigação de o mamar até ao fim. Enfim, esta estratégia de medicação não pesou a meu favor na perspectiva da minha amiga, mas soube muito bem enquanto durou o néctar.
 
5. A gastar dinheiro
Quando as gajas estão a transbordar de tédio, que fazem? Vão às compras esturricar dinheiro em coisas fúteis. E eu? Todo doentinho, todo cheio de tédio. Fui à Internet fazer compras. Acho que nem dei bem conta do que andei a fazer, mas parece-me que tenho uma bonita conta de várias centenas de euros acumuladas no cartão de crédito. E tudo isto para quê? Para ser proprietário de meia dúzia de livros antigos e pirosos, que em nada melhorarão as minhas condições de vida, nem me aproximarão de gajas boas. Enfim, podia dar-me para pior e comprar cuecas às riscas e sapatos com lantejoulas e purpurinas e mais não sei quê. Por isso, não tenho nada que me queixar. Ao longo das próximas semanas os livros vão chegando pelo correio e pronto, nada mais haverá a fazer.
 
6. O escondidinho
Anda, anda, o sol. Muito escondidinho. Assim, à primeira vista, parece bem. Há menos calor, a vida suporta-se melhor, não suamos tanto, não cheiramos tão mal, não gastamos gasolina com o ar condicionado do carro, temos menos vontade de ensopar o esófago com cervejolas fresquinhas, não perdemos tempo à procura de sombras porque é tudo uma sombra geral, etc. Só que, há um pequeno detalhe que faz com que a vida fique dramaticamente cinzenta. É que, com tanta falta de sol, com tanta falta de calor, as lindas mulheres deste mundo não se apresentam em todo o seu esplendor. Não têm calor, logo não têm necessidade de recorrer a vestuário mais reduzido, o soutien não incomoda, a saia pode ser comprida e decote não porque fica frio nas maminhas. São Pedro, tu, que estás aí em cima, qual é a tua? Estás nalguma missão de preservação da moral pública? Foi alguma beata mal feita que te encomendou o serviço? És mesmo um chato do caraças!
 
7. Andas a comê-la?
Hoje fui apanhado de surpresa. O Nené ligou-me e, assim como quem quer pegar o touro pelos cornos, perguntou-me: andas a comer a Maria Papoila (nome de código)? Estas conversas de homens são do melhor. Aleguei patamares de exigência e qualidade, limites etários e outras justificações que me vieram à cabeça e depois a conversa passou a versar sobre queijos. A comer a Maria Papoila?! Esta agora!... pickwick
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publicado por pickwick às 19:00
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Domingo, 12 de Agosto de 2007
Que tédio – parte 1
Isto vai de penico para sola de sapato. Este verão está a ser uma coisa para esquecer, para atirar para o fundo inundado da sanita. Aparentemente, as alterações climatéricas e profissionais só trouxeram tédio, e mais tédio. Até uma ida ao país dos bifes tresandou a tédio! Como é possível? Não sei. Uma manta de retalhos entediante.
 
1. No patronato
Já estou enjoado desta palermice de ter alinhado numa lista para o patronato. Para além de ter ficado sem os dias legais de férias, esse tempo é passado a coçar a micose no local de trabalho, atafulhado em papéis que chegam de novo todos os dias, a ler legislação feita por parolos, a ver este e aquele a chegarem só para dizer tchau e boas férias, a ler e-mails, a consultar fóruns onde ninguém responde porque ninguém sabe respostas, a fazer telefonemas, a receber telefonemas, a formatar computadores, a coçar mais um bocado a micose, a tirar macacos do nariz às escondidas, a trocar SMS’s com amigas, a agrafar papéis, a abrir e fechar dossiers, a furar folhas, a rabiscar papéis, a receber pessoas, etc. Do melhor! Quando a visita é do sexo feminino, aproveito para dedicar uns minutos à apreciação que se impõe, mas, para meu desespero, vez após vez, os exemplares que se apresentam são tão cheios de defeitos que não há jeito de um gajo se babar um bocadinho. É aquilo a que se chama trabalhar sem condições. Ou melhor, estar no local de trabalho sem condições.
 
2. De casa pintada de fresco
É verdade. O meu irmãozinho já não tem motivos para se ir chibar para o pé da nossa mãezinha a dizer que eu vivo numa casa saída de um bairro degradado da 2ª Guerra Mundial. Pela módica quantia de 8000 euros, contratou-se uma pequena empresa para pintar todo o exterior do prédio, mais os muros dos jardins, mais os gradeamentos, mais as caixas do correio que deixaram de ser usadas, e mais não sei o quê. A cor é de um amarelo cor-de-peido, se me permitem a brejeirice, assim entre a baunilha e a bolacha Maria. Para o efeito, serve perfeitamente, dado que o prédio data de há três décadas atrás e nunca havia sido pintado de novo. Há dias, agora, em que fico confuso, se estarei a entrar no prédio certo. Mas, está bonito, há que concordar. Como diria uma amiga, já cá posso trazer a minha mãezinha… desde que não passe a porta para dentro do apartamento…
 
3. No jardim
A propósito da pintura do prédio, certo dia bateu à porta a D. Fernandina, administradora do condomínio, para solicitar à minha pessoa que se dignasse fazer um desbaste na vegetação do meu jardim, para que os senhores pintores pudessem dar umas pinceladas no muro. A D. Fernandina é uma querida. Veio dar-me a conhecer esta necessidade com um frasco de compota de abrunho numa mão, com uma etiqueta decorada a marcador pela sua mão, com flores e motivos muito femininos. De caminho, ofereceu-se para ajudar no desbaste, ao que eu prontamente declinei. Era só o que me faltava, ir jardinar com a minha vizinha de setenta e tal anos. Bom, a D. Fernandina não me foi ajudar, mas o marido apareceu de tesoura em punho, com os seus oitenta e três anos. Tipo filme. E logo eu, que detesto estas coisas de andar no jardim com outras pessoas, à vista de toda a gente. Sou muito ciente da minha privacidade, entenda-se. Já me estava a conformar com situação, quando surgiu o vizinho de baixo, profissional de seguros e amante da agricultura, de tesoura e enxada, para dar uma mãozinha. Ele gosta mesmo é de usar a enxada. Eu rangia os dentes, pior que estragado com a cena toda, rogando pragas a toda a gente por se virem meter na minha vida. Nisto, o casal da moradia do lado aproximou-se da vedação e ficou-se à conversa, ah e tal porque o limoeiro isto, e tal o damasqueiro aquilo, blá blá blá, os bichos não sei quê. À porta do prédio, para animar a festa, ficou a D. Fernandina, a quem se juntou a vizinha da frente que vinha a chegar a casa e que aproveitou para dar dois dedos de conversa, precisamente no dia e hora em que eu andava no jardim a amanhar a vegetação com dois ajudantes e outros dois assistentes. É por estas e por outras que há êxodos rurais na história! pickwick
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publicado por pickwick às 23:28
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