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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006
Uma folgazinha ao Natal

Vou dar uma folgazinha ao Natal, que tão traiçoeiramente foi atacado ultimamente por este destroço de um naufrágio do pensamento que se encarna na minha pessoa. Por partes:

1. A garrafa de J&B

O dia de hoje começou da melhor maneira. Ainda antes das nove badaladas do relógio da torre da igreja não tinham começado a bater, e já tinha na minha posse uma prenda de Natal comunitária, dada por um sorridente grupo de criancinhas: uma bela garrafa de J&B! Perguntou-me um colega: então isso foi ideia dos meninos, e qual foi a prenda das meninas? A ideia foi das meninas, respondi-lhe eu. Depois acham foleiras aquelas dissertações sobre as gajas que não deviam ter autorização para parir. Pois é. As crianças são muito queridas, quando querem, garrafas de uísque e ah e tal. Quinze anos. É a idade do uísque. As meninas têm menos. Fiquei a saber que o J e o B são de Justerini e Brooks, provavelmente dois fulanos que descobriram que emborrachar comuns mortais era mais lucrativo do que trabalhar.

2. As nádegas da Célia

Queria pedir publicamente desculpa à Célia, por ter comparado as suas nádegas com o Mosteiro dos Jerónimos. Desculpa lá, ó Célia. Hoje vi a Célia, estacada numa porta, inclinada para o interior de um compartimento, a trocar palavras com alguém. Não sei se as calças de fato treino pretas ajudaram, mas, assim naqueles longos segundos em que analisei pormenorizadamente o volume, cheguei à conclusão que eram mais do tamanho da fachada da minha casa, que é bem modesta e pequena. Questão do dia: será que a Célia andou a fazer dieta para ficar mais elegante para a festa de passagem de ano? Ou é do seu novo Windows Vista, que instalou no computador portátil? Fica o mistério. Vou estar atento.

3. Maquilhagem

As mesmas criancinhas que compraram uma garrafa de uísque, até se portaram com relativo civismo durante o almoço. Comeram o arroz de pato com passas (o pato estava de baixa, em casa), o peru assado com osso esborrachado em fanicos, a sopa e o creme de leite. Menos bem esteve a sobremesa, em jeito de festejo. Acabou com uma sessão de maquilhagem, com caras sorridentes esfregadas abundantemente com bolo e macacos a cair do nariz. É tão bonito ser-se criancinha e besuntar a cara do vizinho com o resto do bolo da sobremesa.

4. A gaja da Moviflor

Hoje fui à Moviflor e fui atendido por uma aberração da natureza. Termos de comparação? Batman Returns, o filme. Danny DeVito faz o papel de Pinguim. Alguém se lembra deste Pinguim? Aspecto nojento, ar de pinguim apodrecido num pântano qualquer, corpo balofo e corcunda, etc. Pois bem, imaginem uma mulher-pinguim! Tal e qual! Eu até fiquei mal disposto. Só lhe faltava o chapéu e o pó talco na cara. A fardazinha da Moviflor não abonava nada em seu favor, antes pelo contrário. Enfim. Olhei em volta para ver se encontrava uma lufada de ar fresco, mas não havia mais funcionárias à vista. Vida dura, a minha.

5. A Joana das Tostas e o regresso a 1959

A Joana das Tostas é um nome de código, obviamente. A Joana das Tostas enviou-nos um e-mail muito simpático, alertando para o facto de o nosso blog estar em destaque nos blogs destacados dos Blogs do Sapo. Aqui: https://blogs.sapo.pt/destaques.bml. Fui lá ver e até se me embrulhou o estômago. Aparecia, de facto, uma referência ao nosso blog. Ou seja, um desenho colorido de uma gaja nua a ser apanhada em flagrante a estender roupa, e um título natalício: “Raios partam o Natal”. Melhor publicidade do que esta para cativar para sempre uma potencial sogra, não há! Fiquei curioso quanto à autora do aviso, vindo a descobrir que a mesma domina por completo os blogs dos blogs do Sapo. E tem um blog e tudo! Um blog que domina os outros blogs. Os blogs dos Blogs do Sapo. Achei fantástico, achei-a fascinante, super simpática e bem disposta. Uma querida, portanto. Só tem um defeito: não tem foto no blog e não tem registo óbvio no “áifaive”. E isso, por muito que me custe afirmá-lo, é um drama sério! Em 1959 é que se ouviam as vozes na rádio e se imaginavam corpos esculturais de onde brotavam aquelas vozes divinais. E ficávamo-nos todos pela imaginação. Quer-se dizer, os que já eram vivos e ouviam rádio, claro, que eu ainda nem tinha sido imaginado! Mas, em 2006, quase 2007, não fica bem uma “locutora” da “blogosfera” esconder-se num vazio visual. Até parece de propósito. Mesmo sendo de propósito, faço um apelo: Joana, se me estás a ler, por favor, dá-nos um sinal da tua graça, atira-nos uma foto. Obrigado.

6. Medo, muito medo

Eu devia ter medo. Ando a abusar dos relatos que referem nomes que não estão encobertos por nomes de código e que, por isso, são nomes verídicos. Imaginem só que, um dia destes, a Maria da queixada de bisonte tropeça neste blog e se identifica de pronto! Atiçada como ela é (hoje apalpou o peito ao Zé Manel umas seis vezes), arriscava-me a ver as minhas partes baixas serem trucidadas à mão, sem dó, nem piedade. Vou reflectir sobre o risco em que incorro.

7. Outra vez o Alzheimer

Por falar em 2006 e 2007, o Mauro adorou o livro. Espero que ele saiba ler português. Lá dentro escrevi num cartão uma pequena mensagem, ah e tal, feliz Natal, boa leitura e boa entrada em 2006. O Paulo, que estava ao lado, perguntou logo: 2006? Errrr… desculpei-me eu, num engasgo. É pá, não liguem, desculpa lá, ó Mauro, isso é do Alzheimer, sabes?, respondi com convicção. É fixe quando um gajo dá uma imagem de credibilidade falhada, não é?

8. O rei dos bolos

Chama-se bolo-rei, certo? Ontem comprei um, dos grandes, no Lidl, daqueles que duram até 2019. Comi metade ontem. E a outra metade há minutos atrás. A minha técnica é simples: corto fatias da grossura das pernas daquela senhora que estava à frente da comissão de não-sei-o-quê da lutra contra a SIDA e que era assim muito grande, trago-as num prato para a frente do computador, faca e garfo e aqui vai disto, enquanto vagueio por jornais e páginas na Internet e leio uns e-mails. Eu não devia contar estas coisas. Assim ninguém me vai convidar para escrever um livro para crianças. Mas, as verdades não podem doer só à Célia. É por uma questão de justiça e solidariedade que conto estas bestialidades da vida real. É a vitória da fraternidade sobre o ego. Além do mais, e deixando de lado as graçolas de alguidar, esta alimentação anormal não é mais do que um treino para a noite de consoada em casa da minha mãezinha. Lá, a vida endurecerá: para qualquer item do vasto repasto, a distribuição é feita segundo a receita 2-49-49. Um dos 49 é para o meu irmãozinho e o outro 49 é para mim. O 2 é para a brigada do reumático. Há que treinar com afinco! pickwick

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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006
Ainda mais raios partam o Natal

A ver se, com tanto raio, o Natal aprende a lição. É que, a bem dizer, isto está cada vez pior! Eu explico. Amanhã estou convocado para um almoço de Natal. Por convocado, entende-se obrigado, coagido, sem escapatória. Como não bastasse, a tarde de hoje foi passada a decorar uma cantina com motivos de… pois, claro, Natal. Na parte de arrastar as mesas e cadeiras, ainda a coisa ia bem, com alguma masculinidade. Mas, depois, veio a parte de dobrar estrelinhas de papel brilhante para que ficassem assim com um relevo radical, tipo verruga. Ora, acontece que, por motivos que me são alheios, vi-me nestes preparos - tão pouco dignos - sozinho, completamente sozinho, abandonado, como que atirado aos lobos, no meio de um bando de mulheres! Ah pois é! Bonito serviço para uma tarde de quarta-feira: dobrar estrelinhas no meio de nove mulheres. Ao fim de poucos minutos, descobriram que o único marmanjo presente é que dominava, afinal, a verdadeira técnica da dobragem de estrelinhas em papel brilhante. Elogio e ah e tal. Eu assobiava a ver se aquilo terminava e me podia ir embora. Uma delas, a Carla, que é uma querida mas parece o pato Donald quando se ri (acho que já dissertei sobre ela algures num post atrás), sugeriu que eu desse uma acção de formação sobre dobragem de papelinhos. Eu segredei-lhe: não é dobragem de papelinhos, é origami! Pronto, está bem, mas como já vais dar aquele formação sobre Excel… Tive um flash logo ali… a formação de Excel… já tinha visto a lista de inscritos… era só gajas!!! Gajas!!! E ainda mais gajas! Como diz o dito: o que é demais, enjoa! O Natal tem destas coisas de haver sempre coisas demais que depois enjoam. Enfim. Entretanto, enquanto se dobravam mais umas estrelinhas pirosas, apareceu o Filipe com um tijolo daqueles que tocam CDs. Ah e tal, vamos ensaiar para sexta-feira?, pergunta ele. Ensaiar? O Filipe é o homem da música! Ensaiar o quê?, perguntei a mim mesmo em berros histéricos a ecoarem-me dentro do caixote de cima. Alguém pensou o mesmo que eu, mas em voz alta, ao que ele respondeu que íamos todos cantar em público na sexta-feira, numa festa de Natal. Assim, como que do nada, atirar-me para debaixo do comboio pareceu ter muito cabimento num momento desesperado como aquele. Ainda eu estava a senti-los apertadinhos, quando o Filipe ligou o tijolo e uma chinfrineira natalícia invadiu o recinto. O Filipe cantava, as gajas cantavam… Enfim! Ah e tal, a todos um bom Natal, que seja um bom Natal, para todos nós… blá blá blá, milhões de meninos, os sinos a tocar, vão aos saltos pela casa, e o caraças. Já estava o ensaio quase no fim, já me doíam os maxilares de tanto os forçar para cima e para baixo, quando se acercou de mim a Célia, que é uma miúda aloirada e muito simpática mas que tem umas nádegas da largura da fachada do Mosteiro dos Jerónimos (desculpa lá, ó Célia, mas as verdades são para doer), questionando-me baixinho: olha lá, mas tu só mexes a boca? Sssshhhhhhhh… sussurrei-lhe. Sacanas destas gajas! Havia de fazer o quê? Exibir em alto som esta voz grave e desafinadíssima, no centro de um coro de galinhas a dobrarem estrelinhas?! Obviamente que não! Jamais! Por falar em galinhas, estrelinhas e Natal, a Maria, aquela destravada com queixada de bisonte e corpo de deusa, apalpou-me o peito catorze vezes, hoje! Contei catorze assim por amostragem, claro, porque a cada palmadinha dela eu procurava um buraquinho para me enfiar, porque era sempre em público, o que se torna um abuso. Se estivéssemos apenas os dois sozinhos numa sala, seria assédio sexual, mas, ali, em público, numa sala com mais dez pessoas, isto é abuso! Ou seria ao contrário? Bem, não interessa. Já nem sei o que tem que ver isto com o Natal, mas ocorreu-me, assim, até porque, como já avisei, o Natal tem destas coisas esquisitas e inexplicáveis. O que vale é que a ementa para o almoço de amanhã, segundo os colegas bem informados, será peru assado com arroz de pato. Faz-me lembrar um filme francês que passou na RTP à hora do jantar, no início da década de 80, chamado “Pato com laranja”, cheio de erotismo, sendo que foi um atrofio agonizante visualizar maminhas desnudadas num ecrã na presença dos meus pais, a meio de uma refeição que não era de pato, numa época em que as únicas maminhas desnudadas que apareciam na televisão eram as de uma das pirosas cantoras do grupo musical de galdérias “As Doce”, cujo vestido teimava em cair e ela tinha que se virar de costas para as câmaras para ajeitar os rebuçados. Portanto, comecei com o Natal e acabei nas maminhas. Muito bem. Gosto mesmo do Natal... pickwick

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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006
Raios partam o Natal

Já não sei se, nos longos anos de vida deste blog, divaguei violentamente sobre a época natalícia. Se não o fiz, foi por distracção, por via do Alzheimer. Se o fiz, foi com intenção, obviamente. Seja como for, está na hora de retomar o tema. Detesto o Natal. Não é por maldade. Mas é irritante! Enjoa! É como diz o dito: o que é demais, enjoa. Não é pelo Natal em sim, até porque é uma época bonita, celebra-se o nascimento do menino que era aquecido com o bafo de uma vaca e de um burro, e ah e tal. Por falar em vaca, este ano o menino vai ter mais frio que o costume. É que a vaca mudou de vida e foi transferida para a chefia de um ministério importante. Hehehe! É pá, não resisti, pronto. Fica-me mal contar piadas destas, mas esta, em particular, é irresistível. Bom, ia eu na vaca e no burro e não sei o quê. Ora bem, o Natal é, portanto, uma época teoricamente bonita. O menino veio ao mundo, as famílias reúnem-se, etc. No meu caso, que sou um filho desnaturado, vou aproveitar para tentar compensar as dezenas de dias que não passei com os meus pais durante este ano. Então, o que é que estraga esta época tão linda? São as prendas! O caraças das prendas! Eu já não gosto de prendas, acho-as irritantes e um desperdício evitável de dinheiro e papel de embrulho e laçarotes pirosos. A grande maioria das prendas são dadas assim por descargo de consciência, digo eu, não sendo nada daquilo que os presenteados desejavam ou precisavam ou que lhes dava jeito. Chiça, estou a ser mesmo mau. Desculpem lá. Pela parte que me toca, detesto que me ofereçam prendas! Seja em que altura do ano for! Irrita! Pronto, está dito. Acontece que, por via da profissão, vi-me esta semana embrulhado numa situação daquelas extremamente foleiras em que se trocam prendas dentro de um grupo de pessoas. No ano passado, escapei à do “amigo invisível”. Uma colega ainda veio ter comigo, que ah e tal vamos jogar ao “amigo invisível” e eu: NÃO! Adoro esta postura do anti-social. Mantém a distância e afasta as melgas. Mesmo assim, ainda tive que gramar com a cena das prendas. Pronto, ofereci uns belos chocolates (daqueles bem grandes) a um miúdo e um colega ofereceu-me uma caixa daqueles chocolates em forma de bola-com-borbulhas, que foram devorados em cerca de catorze minutos. Este ano, a mãe de uma criancinha a quem costumo explicar como se dividem bolos em partes iguais, ofereceu-me uma grande caixa de chocolates recheados da Nestlé, que foram devorados de forma selvagem numa noite. Mas, isto são pormenores técnicos. Este ano, portanto, vi-me sujeito a mais uma troca de prendas. Calhou-me na rifa o Mauro, um miúdo de doze anos, muito porreiro e educado, filho de brasileiros mas português falante. Pensei logo em presenteá-lo com um caixote de chocolates, mas há um problema: o rapaz usa daqueles aparelhos nos dentes que parecem uma alfaia agrícola. Chocolate misturado com alfaias, não fica bem. Por isso, pensei numa alternativa. Dado que, há umas semanas atrás, ele se mostrou interessadíssimo na Força Aérea Portuguesa, dedicando horas a pesquisar sobre o assunto, achei que ficava bem oferecer-lhe um kit de um avião de combate, para ele se entreter a montar durante as férias do Natal. Desenvolve a habilidade manual, afasta-o das parvoíces que passam na televisão e do vício da Internet, reforça a concentração, e sempre fica uma coisa construída por ele. Quando for grande, pode fazer filhos e outras asneiras. Por enquanto, pode muito bem montar um avião, pensei eu. E toca a rumar à cidade capital de distrito aqui mais próxima do marasmo da minha terra. Bem, descobri que já não há lojas de brinquedos. Um gajo anda quilómetros e quilómetros e poios de quilómetros pela cidade, passa os olhos por dezenas e dezenas e dezenas de lojas, e não há uma única que venda brinquedos. Isto é normal? Já não se usam brinquedos? É só bancos, roupas, telemóveis, tecnologias, uns livritos aqui e ali, sapatos, chineses, e pronto. Mas, está tudo doido? Enervadíssimo, fui até ao Continente. Entre o carro e a entrada do edifício, a minha companheira de viagem lembrou-se de mais um rasgo de cultura portuguesa: um Continente, é o que não é incontinente, que se consegue conter, portanto. Achei o apontamento de uma pertinência brutal e acrescentei, em jeito de resumo, que, de facto, sendo assim, o Continente não se urina pelas pernas abaixo. O Natal tem destas coisas: deixa um homem completamente aparvalhado, a ter conversas deste calibre com uma mulher enquanto ambos entram numa superfície comercial gigantesca. No Continente há muitos brinquedos. Corri as prateleiras todas e, meu Deus!, é só porcarias! Só para não dizerem que não têm brinquedos! Kits para montar? Oh sim, isso dá muito trabalho! Já não se usa. Os brinquedos têm os dias contados! Literalmente! Foram trocados por telenovelas infindáveis e repetitivas, computadores com Internet, telemóveis e outras porcarias produzidas por esta sociedade em rota de colisão com o pó do chão. Aconselhado pela minha companheira de passeio, fui à secção dos livros. Primeiro pensamento: porque é que eu ainda não escrevi um livro para vender aos consumidores que compram qualquer porcaria só para ficarem bem na fotografia? Isso é que era! Ganhava rios de dinheiro, fugia ao fisco, e passava dois ou três anos a atender delicadamente leitoras devotas. Lá encontrei um livrito que fala dos romanos com um humor engraçado, ensinando História a brincar e a rir. Comprado! E não se pensa mais nisto. Com sorte, o Mauro não arrancará as folhas do livro para fazer aviões de papel… pickwick

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publicado por pickwick às 23:19
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006
Piroso! Piroso! Piroso!

Mais apropriada seria uma palavra acabada em “oso” e começada com “m”, mas isto ainda não deixou de ser um blogue cheio de decência. Mas que marasmo de vida que isto tem sido! Não tem apetecido escrever uma única letra! Arre! Até chateia. Eu sei de que é… É do sacana do frio! A malta lá no trabalho deve achar que eu sou muito pobrezinho e não tenho dinheiro para comprar uma reles camisola ou um casaquinho da feira, porque teimo em sair de casa em mangas de camisa, quando anda toda a gente embrulhada em camisolas e casacos. Aliás, o Cláudio até me perguntou, logo às 8h30, se eu pensava que estava no Havai. Claro que não estava no Havai. Estava numa terreola chungosa no meio de nenhures, onde metade das miúdas devia ter o útero inutilizado com um ferro-de-soldar em brasa. Mas, isso são outras estórias. O certo é que este frio que não é frio a sério mas que já devia ser porque estamos em Dezembro, deixa um gajo muito apático em relação aos variados aspectos da vida. As mulheres cobrem-se de roupa e o mundo deixa, por isso, de ser cor-de-rosa. É uma pena! É uma tragédia! Uma infelicidade! Bom, mas este fim-de-semana que termina agora foi uma lufada de ar fresco no marasmo destas semanas. Ah pois é! Fui passá-lo ao apartamento de uma amiga íntima, com a amiga lá dentro. Acontece que o apartamento desta amiga tem uma quantidade enorme de coisas que o meu apartamento não tem, a saber: sofás, televisão, gato, lareira, aspecto de casa de gente, janelas fechadas no Inverno, comida normal, varandas, janela com vista belíssima para a cidade, forno micro-ondas, chocolates de coco, Mon Cheri, grelhador antiaderente e um tapete antiderrapante para banheira com sapos! Descobri que, afinal, já não sou tão alérgico a gatos como outrora. Só um bocadinho, a julgar pelo nariz afectado e por um ligeiro atrofio na respiração. Há coisas piores! Imagine-se que era alérgico a mini-saias! Safa! Já passaram vários anos desde a última vez que estive em frente de uma lareira acesa. É muito romântico, especialmente com a companhia certa. Aconselho vivamente! Cuidado, apenas, para não tentarem aquecer nenhuma peça de roupa próximo do lume… Há doze anos atrás, no meio de um temporal num vale glaciar da Serra da Estrela, derreti um par de botas, uma meia e um gorro, com a brincadeira de usar uma fogueira para secar roupa e aquecer-me. Fartei-me de enfardar. As amigas têm sempre aquela preocupação de ah e tal, come lá que podes desfalecer, e depois é um caso sério que um gajo enfarda para ali comes e bebes até ficar com pedaços de bife a saltar pelos ouvidos. De meia em meia hora lá vinha a minha amiga, saltitando suave e delicadamente, de azulejo em azulejo, para me enfiar pela boca abaixo uma bolinha de chocolate coberta de coco. Um gajo bem que tenta não passar dos sessenta quilos, mas elas teimam em estragar tudo. Por falar em estragar… Os sofás e a televisão, por si sós, constituíram o retorno a um estado vegetativo do qual tinha algumas saudades. Um gajo alapa-se ali no conforto, de telecomando na mão, e fica pura e simplesmente grudado na porcaria toda que passa nos canais que envergonham a nossa nação. Já quase me tinha esquecido dos anúncios comerciais! Especialmente os da quadra natalícia. Mas, este ano as coisas estão diferentes, e só faltam quinze dias para o Natal. Posso, com alguma facilidade e muita presunção, reduzir os anúncios comerciais deste Natal a três tipos: os de brinquedinhos, os das roupas da Floribella e os dos perfumezinhos. Os dos brinquedinhos, pronto, é aquele apelo à parvoíce ignorante das criancinhas para quererem tudo o que é porcaria a mexer ou parada. Fazemos um ar de condescendência e encolhemos os ombros. Mas, os outros dois tipos de anúncios são extremamente pirosos. Bem, os das roupas da Floribella, não têm ponta por onde se pegue. A cachopa que faz o papel, por esta altura do campeonato já deve sofrer de uma grave crise de identidade que a levará ao suicídio por asfixia com uma saia rodada nos meses mais próximos. Aparece ela, com aquele ar de quem… enfim, é melhor ficar caladinho… Bom, e os dos perfumezinhos? Esses batem os recordes da pirosice! São pirosos! Muito pirosos! Que raio de gente é que cai naquele tipo de publicidade? É gente de nota grande, só pode, a avaliar pelas ideias transmitidas nos anúncios, sem jeito nenhum. Mas é daquela gente que só tem mesmo o dinheiro, porque lhe falta o resto para serem gente normal. É gajas semi-nuas com brilhantes nos mamilos a banharem-se num líquido duvidoso, é gajos armados aos cágados que não deixam as gajas boas tirarem a camisa toda, é gajos num iate gigante, é gajos agarrados a um volante de madeira falsificada, é gajas com ar de enguias mal amanhadas, é gajos com ar gay e peito depilado, é um perfume chamado “Amor Amor” para enfeitiçar não sei quem, enfim. Não se pode! Piroso! Piroso! Piroso! Mas, com tanta chuva a cair neste país, para que é que esta gente precisa de perfumes? Falta de água não vai haver! Lavem-se! Escovem os sovacos! Metam-se na tômbola da máquina de lavar roupa! Não alimentem a foleiríssima indústria da publicidade dos perfumes, que estraga a televisão com aquelas baldadas de pirosice! No meu tempo, por altura do Natal, passavam anúncios de berbequins para oferecer aos pais, panelas de pressão para oferecer às mães, ceroulas para oferecer aos avôs, rolos de lã para oferecer às avós, caixas de Lego para os rapazes, bonecas com ar mórbido para as raparigas, e chocolates para todos. Quando o perfume triunfa, é o primeiro sinal de que a decadência vai em velocidade de cruzeiro. No ano 2077, a higiene pessoal, corporal e íntima será dominada pelo uso do frasquinho milagroso tira-cheiros, esfrega aqui, esfrega ali, e ficamos todos bem cheirosos. É isso mesmo: cada vez menos esperança que tenho nesta raça! pickwick

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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006
Perdem-se as palavras...

"É assim, acrescentam-se coisas à ideia, ou ideias às coisas, e as palavras continuam, mas perdem-se. Quer dizer, as palavras são uma espécie de casa que abriga mas que se arruina, se descasca, perde a pintura, caem-lhe bocados, abre buracos... Lá dentro as coisas têm um espelho onde vêem as palavras, ou também vice-versa, claro. Lá vão vivendo, cada vez menos espaço, raramente entram e saem, um dia dá-se por ela: falta uma, ou há uma nova.

Como um candeeiro novo, ou um tapete. De modo que eu estou a perder as minhas palavras, quer dizer que a minha casa está a despir-sem qualquer dia ficam só as paredes, depois caem elas..."

Alberto Pimenta in "Repetição do Caos"

Releiam-se as velhas ou esperem-se novas. Palavras. riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 20:24
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