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Terça-feira, 11 de Julho de 2006
Reiki e outras coisas acabadas em i
Recentemente recebi um comentário a um dos meus posts, da autoria de um misterioso Ouvinte nº57, respeitante à possível coincidência das três Arletes na minha vida. Isso mereceria uma abordagem dedicada, mas, para ser sincero, fascinou-me enormemente a alusão ao Reiki. Essa bela arte. Ora bem, o meu primeiro contacto com o Reiki ocorreu há largos anos atrás, quando a minha ex (vou meter-lhe o nome de código “ex” para ninguém saber) chegou a casa com a notícia de que ia assistir a umas aulas de Tai Chi, ou Tai Li ou qualquer coisa acabada em “i”, no pavilhão do quartel dos bombeiros da cidade alentejana onde vivíamos. Eu achei graça e estive a pontos de ir também, se bem que durante vários anos vivi no Oriente paredes meias com um jardim onde dezenas de chinocas de pijama faziam daquilo todos os dias a partir das 6h da manhã. E não fui. Em pouco tempo o Tai Chi passou a Reiki e as demonstrações públicas do mestre passaram a sessões de grupo, para praticar a arte. Temo não conseguir recordar com precisão a evolução da coisa, mas em poucas semanas começaram a aparecer espelhos pela casa, colocados em lugares estratégicos e altamente estéticos, como em cima das aduelas das portas, por exemplo. Pensava para comigo que a rapariga devia estar numa demanda misteriosa para alongar o pescoço, como aquelas africanas estranhas, as mulheres-girafa, mas não liguei, na esperança que fosse algo passageiro. Havia planos para mudar a disposição da mobília da casa, de acordo com não sei o quê do sol e da lua e das energias e tal, mas, felizmente, não foram avante. Isto tudo ainda era aceitável. É como aqueles gajos que começam a praticar uma nova arte marcial e depois andam por aí cheios de tiques esquisitos e gestos abichanados, com os braços a abanar e o rabo a dar-a-dar. A coisa começou a descambar quando, a propósito da Helena (nome de código para uma colega minha lá do trabalho, que por acaso também se chama Helena), a minha ex manifestou disponibilidade para, em conjunto com o seu grupo de amigos e aficionados do Reiki, proporcionar tratamento sofisticado para a minha colega. Ora, a Helena era (e ainda deve ser) uma daquelas personagens dos filmes de ficção e muita aflição, artista típica de vanguarda, de ideias do avesso e muito, mas muito, maluca. Para além de gostar de fazer-se aos homens comprometidos e de adorar fazer arte com montes de ferro muito ferrugento, era acometida frequentemente por profundos poços de depressão, assim com ligeiras inclinações para as tentativas frustradas de suicídio, acabando sempre por rodear-se de amigas preocupadíssimas com o seu lamentável estado depressivo. Bom, a minha ex queria, portanto, levar lá a Helena para uma sessão de tratamento. Tentei explicar-lhe que aquele tipo de mulheres são avariadas por gosto e não há conversa que as meta na linha. Uns pares de galhetas deveriam fazer algum efeito, mas consta que ela gostava que o namorado lhe batesse, daí que o método teria resultados opostos. A minha ex passou a tentar explicar que o tratamento não seria à base de conversa, mas, sim, de energia. Das mãos e ah e tal, e os fluxos de energia e não sei mais o quê. Percebi imediatamente que a minha ex viria, mais ano, menos ano, a ser, de facto, minha ex. Eu até curto as cenas orientais, pratiquei uma arte marcial durante muitos anos, vivi vários anos no Oriente, acredito na capacidade do corpo para além daquilo que conhecemos do nosso dia-a-dia, mas, francamente, curar a Helena?! Não há sabedoria oriental que cure uma chanfrada ninfomaníaca que tem em casa uma galinha com um metro de altura, a que chama “a minha filha”, toda feita com peças de ferramentas agrícolas alentejanas completamente ferrugentas! No entanto, vejo um lado fantasticamente positivo no Reiki: o uso das mãos para transmitir energias e curar! Portanto, um gajo afiambra-se de uns diplomas na Feira da Ladra, monta um consultório, compra indumentária a condizer – qualquer pijama serve, espalha uns palitos de incenso e meia dúzia de espelhos, e passa o resto da vida a apalpar mulheres lindíssimas e endinheiradas, desejosas de verem curados todos os seus males através de um fluxo misterioso que lhes entrará pelas nádegas castigadas e pelos seios recauchutados. Ora bem, este é mesmo um mundo cheio de oportunidades!... pickwick
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publicado por riverfl0w às 21:58
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Segunda-feira, 10 de Julho de 2006
Extremas
Ao que parece, o nosso blog foi referenciado como contendo abordagens à política. Ou seja, falamos de mulheres (estou a tentar evitar o termo “gajas”, porque fica muito mal quando ouvido na rádio) e de política. Eu, sinceramente, não me lembro de falar de política. Mas, já que temos a fama, não custa nada fazer o jeito ao proveito. O meu parceiro de blog situa-nos, politicamente, em opostos: ele é de extrema esquerda e eu sou de extrema direita. Perguntei-lhe porque é que eu era de extrema direita, ao que ele justificou com umas quantas banalidades e uns certos posts da minha autoria. Não percebi nada do que ele disse, mas desconfio que estava a tentar dizer que sou um bruto. Pronto, está no seu direito. Os brutos são da extrema direita e os meigos são da extrema esquerda. Ora bem, é como o mais e o menos na electricidade. Mas, isto da política sempre me fez muita confusão. Isto de direita e de esquerda, dos do centro, dos do centro à esquerda, dos do centro à esquerda, e depois os dos extremos, e mais os caramelos, as bolachas, os comunistas e os paninhos quentes. Enfim, eu acho que é tudo uma grande tanga! Acho que o pessoal usa esta classificação apenas para darem ares de entendidos. É como falar do Sporting, do Benfica e do Porto: ninguém sabe muito bem porque é que é de um ou de outro clube, todos deitam fogo aos restantes clubes, especialmente os que fazem sombra, chamam-se nomes uns aos outros, não se sabe muito bem porque é que os outros não prestam e muito menos porque é que o seu é que é bom, comenta-se em catadupa sobre coisas que têm a mania que sabem mas que ninguém dá cinco tostões pela sabedoria, enfim, mais ridículo que ser adepto extrovertido de um clube de futebol ou militante activo de um partido, só mesmo andar de patins em cuecas de renda num bar gay. Com todo o respeito pelos respectivos. Portanto, eu não curto adeptos e militantes que erguem bandeiras. Pronto. Nem adeptas e militantas. Se forem podres de boas, ainda posso fechar os olhos, mas as restantes ficam de fora. Pronto, lá estou eu a ser de extrema direita… Mesmo assim, não consigo evitar sonhar com a fundação de um verdadeiro partido político que meta tudo isto na ordem. Cor política? Podem ser tremoços com umas cervejolas fresquinhas, obrigado! Posicionamento político? Sentado! Acho que é por causa destas ideias para o partido que o meu parceiro me situa na extrema direita. Não podia ser apenas radical? Ou às bolinhas? Mas que mania as pessoas têm de encaixar tudo em grelhas esgalhadas em cima do joelho! Ora bolas! A única coisa que me leva a não fundar um partido político é porque depois era preciso andar pelas feiras a beijar morsas suadas e a elogiar cuecas e casacos à venda por meia leca. No dia em que as vendedoras de feiras forem todas jeitosas, bem cheirosas, arranjadinhas, falarem com doçura e não palitarem os dentes com os ferros do guarda-sol, então, aí sim, estarei disponível para fundar um partido que faça de Portugal uma nação triunfante e orgulhosa, correndo as feiras todas a dar beijos na boca às feirantes. Mas, não é por beijar feirantes que seria frouxo, ou me esqueceria das grandes necessidades que só serão ultrapassadas quando grandes medidas tomarem efeito. A nação lusa necessita, com urgência, de um pulso firme que coloque regras onde hoje só há saladas mistas, de umas reguadas nas nádegas dos que julgam que isto é o da Joana e da Francisca, de uma mega prisão onde caibam, em estádios sociais distintivos, trinta por cento da população portuguesa, ou seja, os indivíduos com os quais não me quero cruzar na rua. Eu tenho a mania das prisões, sei disso. Mas é um bom sistema. Um tipo rouba, prisão com ele, para não roubar mais. Um tipo bate no outro, prisão com ele, para não bater em mais ninguém. Um tipo abusa sexualmente de outrem, prisão com ele, para não abusar mais. E por aí fora. Entra e não sai mais. A reabilitação é um mito e ocorre com frequência inferior à mudança de sexo. Depois, claro, há a questão da estética. O meu partido seria extremamente preocupado com a questão da estética. Aquelas mulheres mal feitas, com cuecas fio dental, barriga de melancia, que passam de lado nas portas e têm mandíbulas à crocodilo, não podem andar livremente na rua. São como grafitis humanos andantes, a desfigurar a paisagem urbana. Eu devia escrever um manifesto político e falar na televisão. Já falaram por mim na rádio, por isso, já faltou mais. Depois, vêm as fãs. Sim, que isto da política é muito prático para arranjar fãs desejosas de serem vistas aos pés do líder do povo, com fama e proveito de com ele se deitarem, ansiosas por transportarem pantufas e bandejas com azeitonas. Podia começar por escrever um livro de referência, tipo manual de instruções para seguidores fanáticos, um best-seller para estudantes universitários sequiosos de disparates e teenagers lunáticos abandonados por gurus caídos em desgraça. Também me podia deixar destas tangas e ir beber umas cervejinhas geladas, que o calor está em grande… pickwick
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publicado por riverfl0w às 18:00
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A verdade e a mentira
Parece o nome de um filme com actores musculados e encardidos e actrizes de cabelo oxigenado e lábio inchado à pressão, mas não é. A verdade e a mentira aconteceu hoje, já perto da hora do almoço, quando fui a um dos supermercados cá da terra abastecer-me devidamente para proporcionar um almoço romântico a dois na estranha cozinha do meu apartamento. Depois de alguns passos vigorosos entre o carro e a entrada, esbarrei-me com uma mãe de filhos e respectivo marido. Eu temo insistir muito nisto, mas, francamente, há gente que não devia casar-se, ter filhos e, muito menos sair de casa. Esta senhora tinha uma aparência aparentemente normal, para quem é mãe, assim do tipo bola de Berlim, vestido à sopeira e cambalear pesado. Olha uma mãe, pensei eu, a poucos metros de me cruzar com ela, que, por sua vez, estava a três passos do resto da família e do respectivo carro. Tudo corria bem, até ao momento em que a mãe abriu a boca para falar para a família e sorrir. Valha-me Deus! Eu já tinha visto umas coisas parecidas na net, mas nunca ao vivo, e nunca tão medonho! A senhora, coitada, tinha um pavão dentário dentro da boca! Uma coisa descomunal e horripilante! De ambas as mandíbulas saltavam dentes com cerca de 8 cm, cada um disparado em sua direcção, quase como a cauda de um pavão, só que com as penas desorientadas. Tipo filme de terror! Quase como o “Eduardo Mãos de Tesoura”, mas adaptado para as mandíbulas, com as tesouras transformadas em dentes. Não é humano! Nestes momentos, que acabam por ser demasiado frequentes, não consigo evitar perguntar-me a mim mesmo que raio de homem é que se casa com um par de mandíbulas tão medonhas?! Deve aproveitar os sacos do InterMarché para qualquer coisinha, lá naqueles momentos mais íntimos, quase que aposto. Um verdadeiro camafeu, aquela mulher! Entrei no supermercado meio atordoado pelo choque estético e fui encher o cesto. Nisto, surge no supermercado uma jovem mulher, dos seus vinte e poucos anos, alta, esbelta, formas exemplares, vestido clássico todo preto, saia solta, sapato alto a condizer, óculos, cabelo claro, costas direitas, caminhar firme e hirto, sorriso a cumprimentar as funcionárias, cesto em riste, enfim. Ia eu para pensar comigo como esta terra está a mudar, que já não tem só camafeus com tesouras a sair das mandíbulas e feiosas com bigode enrolado, e tal, quando reparo mesmo na moçoila. Ora, afinal, era a miúda (com o devido respeito, que já deve ser licenciada) que atura as criancinhas mais parvinhas ali no centro de explicações. Olhei com mais atenção, especialmente do pescoço para baixo. Aquilo… era uma fraude! Assim, de preto, vestida daquela maneira, é compreensível que faça virar todas as cabeças masculinas nos arredores, mas eu sei que é uma fraude, uma mentira. Ela tem andado a fazer dieta, de certeza, só pode, porque é rechonchuda e abonada da bunda por natureza, a atirar para o disforme, até, retirando-lhe qualquer atributo perto da elegância. Além da possibilidade da dieta, podia estar a usar um colete-de-forças, estilo corpete medieval, com aquelas cuecas cor bege que fazem gangrenas nas nádegas de tanto apertarem a bunda. Enquanto passeava o meu cesto em busca de petiscos para o tal almoço, lá me fui entretendo com os meus botões, divagando sobre o triste que acabar por ser caçado por aquela mulher, fascinado pelo vestido preto e o aspecto intelectual, e que só mais tarde dará conta que, afinal, a gordura abunda naquelas partes do corpo onde mais gostamos de assentar as manápulas. Viverá momentos felizes enquanto continuar a ser enganado por aquela mentira. Coitado. Com um sentimento de pena, regressei a casa para preparar o tal almoço romântico. Pousei os olhos na deusa de lingerie azul sentada na minha sala, sorrindo com a minha chegada. Devorei, com os olhos, a elegância debaixo da lingerie e o que sobrava a descoberto. Sorri, deliciando-me com um pensamento: esta é verdadeira e não engana! Sou um gajo com sorte, carago! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:03
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Domingo, 9 de Julho de 2006
Conversas de estendal

pickwick diz: Eu fiquei francamente fascinado com a forma viril como os textos foram lidos...
pickwick diz: Por outro lado, fiquei envergonhadíssimo por o locutor dizer "gajo" e "gaja"....
pickwick diz: soou tão mal...
pickwick diz: Acho que nem dei por música de fundo alguma... tocaram alguma coisa?
riverfl0w diz: sim, punham umas musiquinhas de ir à xxx enquanto falavam riverfl0w diz: tenho de estudar
riverfl0w diz: e ir à casa de banho
riverfl0w diz: e escrever um post para ver se angario uns comentários femininos
riverfl0w diz: é um misto de sensações fisiológicas
pickwick diz: como eu?
riverfl0w diz: exactamente como tu
riverfl0w diz: achas que alguém ouviu aquilo?
pickwick diz: erm… sabes… eles têm que ocupar a emissão, nos momentos em que não há audiências, com uma coisa qualquer... por isso vão buscar blogs com disparates...
pickwick diz: não que todos os blogs tenham disparates... mas o nosso é muito fértil
riverfl0w diz: pudera, não fôssemos nós os autores
riverfl0w diz: era tão giro que os comentários disparassem assim do nada...
riverfl0w diz: pensei que aquela conversa dos mensageiros louros e esculturais trouxesse uma pombinha ou outra aqui para os nossos lados
pickwick diz: um dos poucos comentários veio de uma mãe chamada felina cujo blog está cheio de mulheres nuas... um escândalo!
riverfl0w diz: mãe? nua? bom, tu é que tens mais de 30
riverfl0w diz: dás conta do recado?
pickwick diz: ela não quer... tem um felino e não sei o quê...
pickwick diz: eu prefiro princesas, mas isso é outra estória...
riverfl0w diz: oh, só nos calham delas com anilha
pickwick diz: bom
pickwick diz: voltando à rádio
pickwick diz: achei tudo muito estranho cantarem assim os textos
pickwick diz: foram escritos para ler e não para ouvir
pickwick diz: mas tive uns ataques de medo...
riverfl0w diz: como quando aquele Cantor Mistério cantou o "Tiveste um dia mau"?
riverfl0w diz: acho que esse foi o ponto alto
pickwick diz: bom
pickwick diz: tive muito medo quando foi o da Arlete...
pickwick diz: e se a Arlete estivesse a ouvir?
pickwick diz: podia correr muito mal
riverfl0w diz: acho que lhe devias pedir desculpa
pickwick diz: oh
riverfl0w diz: assim pela via das dúvidas
pickwick diz: é melhor não
pickwick diz: não vou arriscar...
riverfl0w diz: e atenção - são as Arletes e não a Arlete
pickwick diz: oh
pickwick diz: bom
pickwick diz: a primeira Arlete é que é perigosa... fala no marido... e na terra dele.. não deve haver muitas Arletes casadas com Zés de Mirandela...
riverfl0w diz: eu se fosse uma menina prendada não gostava que me dissessem NA RÁDIO que pareço uma morsa escavacada por um cachalote muito macho
pickwick diz: isto pode correr muito mal
pickwick diz: ainda por cima, vivem na mesma cidade onde estás agora...
riverfl0w diz: ai
pickwick diz: mas ela não era prendada! ela era... muito... mas muito feia...
pickwick diz: enfim
riverfl0w diz: qualquer dia tenho um bastão de baseball de Mirandela apontado ao meu crânio
pickwick diz: bom, tivemos os nossos momentos de fama, com uma audiência de cerca de 56 pessoas
riverfl0w diz: 56? superou as minhas expectativas!
riverfl0w diz: alguém de fora do estúdio da Comercial?
pickwick diz: eu, tu, as nossas fãs... e pouco mais
riverfl0w diz: as nossas fãs?
riverfl0w diz: desconheço
riverfl0w diz: devias falar no singular
pickwick diz: fiquei envergonhado de ouvir aquelas coisas na rádio... um gajo como eu, assim todo coiso... e enfim...
riverfl0w diz: sim, o que tu és mais é envergonhado
pickwick diz: eu sou tímido...
riverfl0w diz: sim, tímido
pickwick diz: isso
riverfl0w diz: agora que toda a gente sabe o teu nome, vão ser só fãs à procura de Pedro Monteiro na lista telefónica de Viseu
riverfl0w diz: e eu a ver navios
pickwick diz: sim... procurem lá
pickwick diz: ou mandem mail
pickwick diz: se quiserem mandar cheque, também podem
riverfl0w diz: tenho de escrever uns posts à pickwick
pickwick diz: tens é que escrever posts, e ponto final...
riverfl0w diz: é, mas isto de ter uma vida para além dos blogs... é difícil
riverfl0w diz: se pudesse descontar como blogger a tempo inteiro...
riverfl0w diz: agora fazer reportagens que não interessam a ninguém...
pickwick diz: ah pois, a tua faceta de jornalista e ah e tal... pois... eu só fazia entrevistas se as entrevistadas fossem assim umas brasas famosas e ah e tal e oferecessem almoços requintados aos entrevistadores... e tal...
pickwick diz: eu não gosto de reportagens
pickwick diz: gosto é de divagar
riverfl0w diz: a isso chama-se um gigolot
riverfl0w diz: desculpa desiludir-te
pickwick diz: chama-se quem? esse é algum amigo teu?
pickwick diz: gigolot? parece o nome de uma guilhotina francesa
riverfl0w diz: ouve lá
riverfl0w diz: isto dava um post, não?
pickwick diz: isto o quê?
pickwick diz: gigolot?
riverfl0w diz: não, esta conversa, homem
pickwick diz: esta conversa?
pickwick diz: mas esta conversa não é um post?
pickwick diz: mau mau maria
pickwick diz: já tás a desconversar
pickwick diz: olha lá, mas não era para falarmos sobre a nossa projecção mediática na rádio?
pickwick diz: alô?
pickwick diz: tás aí?
pickwick diz: que se passa?
pickwick diz: alô!!!
riverfl0w diz: desculpa, tive de ir ao WC
pickwick diz: ao wc?????
pickwick diz: interrompeste uma conversa para ires ao WC????????????????
riverfl0w
diz: tás a confundir-me todo
riverfl0w diz: e olha que só as gajas é que costumam fazer-me isso
pickwick diz: hey
pickwick diz: respeitinho!
pickwick diz: pá, tás aí sozinho?
riverfl0w diz: sim, já te disse que sim
pickwick diz: ok
pickwick diz: então, vá, concentra-te
riverfl0w diz: mmmmmzzzzz
riverfl0w diz: ok
pickwick diz: achas que vão publicar um livro com o nosso blog?
pickwick diz: até pode vir a ser adoptado como literatura obrigatória no ensino secundário
riverfl0w diz: no dia em que eu e tu escrevermos um livro, é porque algo vai muito mal na literatura portuguesa
riverfl0w diz: aliás, acho que li qualquer coisa assim no Livro do Apocalipse
pickwick diz: nós não vamos escrever um livro... eles vão é pegar nos posts todos e fazer um livro!
pickwick diz: enfim
pickwick diz: seja como for, lamento a escolha que fizeram dos posts
pickwick diz: reparei como foram escolher os mais sérios que encontraram
pickwick diz: foi uma pena
riverfl0w diz: hahahaha
pickwick diz: podiamos ter sugerido outros mais simpáticos e afiados
riverfl0w diz: sim, reparaste que censuraram algumas partes?
pickwick diz: malandros...
pickwick diz: é a censura
pickwick diz: é o fascismo
pickwick diz: adeus, Abril
pickwick diz: que partes?
riverfl0w diz: como quando tu dizes que se deviam "espetar um cacto nas nádegas das crianças" no "É na boa"
riverfl0w diz: eles cortaram isso
riverfl0w diz: talvez com medo de haver público juvenil que procurasse algum tipo de retaliação
pickwick diz: cacto nas nádegas
pickwick diz: eu escrevi isso????
pickwick diz: ai ai ai
rverfl0w diz: por mais incrível que pareça, escreveste
riverfl0w diz: e és professor daqueles pirralhos
pickwick diz: sssshhhhhhhhhhhh
pickwick diz: por acaso não eram meus alunos... senão excomungava-os a todos pela prestação horrível
pickwick diz: e cortaram porquê????
pickwick diz: cacto é uma planta e nádegas é um termo simpático
riverfl0w diz: sim, concordo
riverfl0w diz: mas cacto + nádegas dá uma combinação nada agradável
pickwick diz: ora
pickwick diz: isso foi de um livro que eu li, faz muitos anos, que o meu pai lá tinha numa prateleira discreta... chamado a Ilha das Ninfomaníacas...
pickwick diz: na altura passou-me ao lado uns 90% do livro, mas nunca mais me esquece uma cena macabra no meio de um deserto, com uma fulana toda nua de perna aberta e um cacto e mais não sei o quê...
riverfl0w diz: é isso que devia ser adoptado como literatura juvenil
riverfl0w diz: é o exemplo perfeito daquilo que queremos passar às nossas criancinhas
pickwick diz: sim sim, tal e qual
riverfl0w diz: nossas salvo seja... Deus me livre de conceber tão novo
riverfl0w diz: ainda quero escrever uns posts antes disso
pickwick diz: tu não vais conceber nada
riverfl0w diz: ah, obrigado
riverfl0w diz: falta-me capacidade?
pickwick diz: quem concebe são as fêmeas
pickwick diz: tu fecundas
riverfl0w diz: isso
riverfl0w diz: fecundar
riverfl0w diz: dá sempre jeito ter um professor por perto
pickwick diz: és, portanto, um fecundador
riverfl0w diz: sou um fecundador...
riverfl0w diz: esbelto, louro, escultural e de trombeta em punho
riverfl0w diz: confesso que isso me faz bem ao ego.
pickwick diz: e, quando estiveres pior que estragado e te apetecer apertar algo a alguém, já sabes, dizes: estou fecundado com isto!
pickwick diz: isso... ego ao alto é que é preciso
riverfl0w diz: ego ao alto?
riverfl0w diz: não querias dizer falo?
riverfl0w diz: cof
pickwick diz: eu não falo nada, ora essa
pickwick diz: mas que conversa é essa?
riverfl0w diz: esquece lá isso
pickwick diz: bom, e as tuas amigas, foram ouvir o programa?
riverfl0w diz: arranjaram todas óptimas desculpas para não o fazer
riverfl0w diz: ah e tal ... faltou a luz - disse a Curujinha
riverfl0w diz: ah e tal... estava no comboio - disseram a Daniela e a Mónica
riverfl0w diz: ou então ouviram e preferiram escusar-se a fazer comentários
pickwick diz: há uma coruja a ler o blog?????
pickwick diz: fenómeno!
riverfl0w diz: e uma felina também
pickwick diz: ah essa
riverfl0w diz: li agora o comentário a um post teu
riverfl0w diz: devíamos abrir um zoo 
pickwick diz: o comentário não interessa... lê mas é o blog dela...
pickwick diz: até ficas baralhado
riverfl0w diz: espera, deixa lá dar uma vista de olhos

(3 minutos depois)

riverfl0w diz: tens aí algum calmante?
pickwick diz: gelo, serve?
riverfl0w diz: seja.
riverfl0w diz: e as tuas fãs? aposto que já te inundaram a caixa de correio
pickwick diz: cof cof
pickwick diz: pois sim
pickwick diz: a minha fã número um ainda nem sequer ouviu...
pickwick diz: isto é a desgraça
riverfl0w diz: já tens fã número um?
pickwick diz: tenho
riverfl0w diz: eu vou no número exactamente anterior
pickwick diz: qual é o número exactamente anterior?
riverfl0w diz: isso para um professor não fica nada bem
riverfl0w diz: até devíamos publicar isto para seres escarnecido na praça pública
pickwick diz: ssssshhhhhhhh... olha.. não podes passar a vida a dizer que ah e tal professor e não sei o quê... tá bem?
riverfl0w diz: combinado
pickwick diz: obrigado
riverfl0w diz: mas alguma vez te explicaram que ninguém consegue ler as nossas conversas pelo MSN?
riverfl0w diz: a menos, claro, que eu publique isto
pickwick diz: não conseguem? como é que não conseguem? se isto é net, é porque é público, logo toda a gente consegue ler! ora essa!
pickwick diz: ah
pickwick diz: publicar
pickwick diz: isso é bom
pickwick diz: e vai passar na rádio?
riverfl0w diz: acho que já não vai a tempo
riverfl0w diz: tenho de ir estudar
riverfl0w diz: pega lá aí num word e compõe isto
pickwick diz: poxa
riverfl0w diz: fazes esse favor à malta?
riverfl0w diz: o meu exame é daqui a 9 horas
pickwick diz: faço faço
pickwick diz: se for capaz
riverfl0w diz: isso, eu vou fazer uns ovos mexidos

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publicado por riverfl0w às 23:52
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Terça-feira, 4 de Julho de 2006
O pesadelo num sonho de pescador

No domingo fui até à Barragem da Aguieira lavar uma canoa e dar umas pagaiadas com o Miguel, para desenferrujar o corpo entorpecido por meses de cativeiro. Junto a uma ponte, existe um restaurante, uma loja de pesca e um parque de estacionamento, onde combinámos encontrar-nos. A sessão de canoagem foi divertidíssima. Apesar de sensação de andar a navegar numa sopa de cadáveres, patrocinada por aquele já célebre talhante de Santa Comba Dão, é sempre um prazer sulcar as águas calmas e esverdeadas de um lençol de água, abalroando um ocasional peixe morto ou serpenteando entre nacos de madeira apodrecidos. A parte mais divertida reside na falta de destreza da tripulação da canoa, muito adeptos dos golpes de rins que fazem desequilibrar a embarcação. Os artistas, são bons artistas, e assim proporcionaram o belo espectáculo de virar a canoa várias vezes. Um dos motivos para os golpes de rins e o consequente naufrágio, ou mesmo o maior motivo, era a bela da gargalhada. Pronto, um gajo ri-se por tudo e por nada, a barriga contrai, deixa de estar relaxada, contrai para aqui, contrai para ali, e em menos de nada um gajo está a gargarejar a bela da sopa esverdeada, com peixes minúsculos a saltarem pelas narinas. Bom, com toda a aventura e divertimento, chegou-se ao fim como numa prova de natação: todos estafadinhos e todos molhadinhos. Uma vez que se aproximava a hora do almoço e a fome começava a fazer corpo presente, demos um saltinho à loja de pesca, para tentar comprar uma t-shirt para o Miguel, que se tinha esquecido de uma de reserva. A verdade é que ele não tinha contado com os naufrágios da embarcação. Enquanto o Miguel corria a loja à procura, com o dono a mostrar-lhe as existências, eu vim até à rua ver o ambiente e a montra da loja. Aí, na montra, dei de caras com o calendário 2005 da Zebco, uma marca de equipamento para pesca. Aquilo não era um calendário. Era uma mostra de horrores! Não consegui evitar uma cara de enjoado e uma boca toda aberta. Os calendários, a cores e bem grandes, mostravam mulheres nuas e semi-nuas em poses artísticas com… peixes! Pá, não estou a falar de sardinhas nem petingas! Estou a falar de peixes grandes! Muito grandes e cheios de lodo. Elas encostavam as mamas aos peixes, seguravam neles com carinho como se lhes fossem beijar apaixonadamente as beiças, sentavam-se em cima deles como se tivessem um prazer fantástico em roçarem-se nas escamas, eu sei lá. Fiquei como que atirado para o meio de um pesadelo! Uma gaja toda boa e nua sentada em cima de um descapotável numa oficina de mecânica, ainda que bezuntada com óleo queimado, ainda vá que não vá, mas… peixes?! Peixes grandes?!... Por favor! Eu não tenho em muito boa conta os caçadores. Mas os pescadores, pronto, eu até pesquei uns peixitos no Mondego, quando ainda não tinha barba e a actividade até era divertida. Mas esta marca Zebco considera os pescadores como seres semi-humanos, animais com pila de homem que se excitam com um par de mamas e umas belas nádegas, mas que se excitam muito mais quanto as mamas e as nádegas contracenam com um peixão feio e asqueroso. Se a marca existe é porque tem clientes, e, se os clientes compram equipamento da marca, é porque se encaixam no perfil destinatário da publicidade. Ou seja, são uns tarados! Resta-me avisar as mulheres deste país: se o vosso marido, companheiro, namorado ou amigo das cambalhotas, usa equipamento Zebco, atenção! Ficai cientes que, naqueles momentos de grande paixão e ternura, de corpos suados e respiração ofegante, a visão bi-ocular do vosso parceiro estará a repartir equitativamente o vosso corpo real com a imaginação de um peixe enorme e feio, num verdadeiro e excitante ménage-à-trois. pickwick






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publicado por riverfl0w às 02:21
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2006
Mamas abaixo das omoplatas
Ainda a propósito do casamento da minha prima. No final da missa, que foi animada por um grupo de jovens bem prendados, uma das mocinhas do grupo levantou-se calmamente, assim com aquela descontracção de quem vai fazer a milésima leitura da sua vida, sobe lá acima, junta-se ao micro, pigarreia para eliminar bicharada das cordas vocais, aguarda uns segundos, o gajo do órgão (o instrumento musical) toca uns sons muito desafinados, e… bem, divinal! Simplesmente divinal. “Ave Maria”, aquela bela música, numa voz completamente extraordinária! Até me veio um arrepio à espinha, tal era emoção de estar ao vivo na presença de uma voz assim. Fantástico. Até dava vontade de gravar e levar para casa para passar um dia a ouvir. Bom, com a mesma descontracção com que subiu, assim desceu, a menina vestida de cor-de-rosa. Como se viesse da milésima leitura da sua vida. Uma miúda ligeiramente bonita, nos seus não mais de 20 anos. A minha mente, perversa como aparentemente é, cravou-se nas costas dela, assim que voltou ao seu lugar, uns bancos mais à frente. A miúda vestia uma cena que não sei explicar muito bem, mas que vou tentar descrever. A parte da frente não reparei, mas nas costas tinha uma abertura, tipo boca-de-sorriso-de-hipopótamo, a qual deixava ver as costas, logo abaixo das omoplatas. Não sei o que me deu, mas passou-me pela cabeça como seria se as mulheres tivessem mamas também nas costas, logo abaixo das omoplatas, e usassem vestidos destes. Ou seja, à frente, um soutien aparava a jogada e uma camisola garantia o pudor. Atrás, para gáudio dos trolhas, um novo par de mamas, todas espevitadas, como que a saltarem à golfinho, exibiam-se por entre a sugestiva abertura. Estou a falar, portanto, de uma mulher com quatro mamas. Seios, portanto, para os que teimam em confundir mamas com a conjugação do verbo mamar. Quatro mamas, duas à frente, duas atrás, como naquele anúncio dos airbags da BMW. Não era bonito? Houve, na história, uma civilização qualquer onde a moda era as mulheres usarem um vestido propositado para que as mamas ficassem totalmente à mostra, a caírem melodiosamente para a frente. Bons tempos, esses. Mas só tinham duas mamas. Com quatro era bem melhor. Aquelas imagens que aparecem inesperadamente na Internet com uma mulher com três mamas são altamente inestéticas e representam um aberração da natureza. O que é bonito, vem aos pares. Excepto o que vem só, porque se emparelha muito bem com outros solitários, acabando a fazerem pares na mesma. No que toca a relações sexuais, ou, para os mais pudicos, no que toca a fazer amor (os pudicos devem pensar que sexo é como fazer panadinhos de peru, não?), há uma vantagem óbvia: duplicam as posições em que o acesso das mãos é directo. Isto não é estar a ser ordinário, mas é apenas um exercício académico elementar: experimentação assistida pela imaginação! Segundo os teóricos da evolução, é provável que, se começarmos a afagar circular e insistentemente a zona abaixo das omoplatas das nossas mulheres, companheiras, namoradas ou amigas, daqui a X milhares de anos as mulheres verão crescer naturalmente nas suas costas um belo par de mamas. É certo que não dá muito jeito na hora de dar de mamar aos cachopos, mas se os pegarem pelos tornozelos e os atirarem para trás das costas, os pequenos são bem capazes de dar conta de si e chegar onde o líquido jorra. Depois de Y milhares de anos, os bebés nascerão com os ossos das pernas elásticos, para poderem ser atirados para trás das costas sem que se partam os ossos ao vergar a mola nos ombros da progenitora. O Estado deveria criar uma polícia especial que controle a evolução, por forma a que não surjam uns tarados quaisquer que passem o tempo a acariciar outras partes dos corpos das mulheres, na perspectiva de lhes ver nascer mamas por todo o lado. Imagine-se uma nova seita cuja ideologia se baseasse nas mulheres com três pares de mamas: um par no sítio do costume, um par nos rins, uma mama no cotovelo direito e outra debaixo do queixo. Há que precaver estas situações, obviamente. Como já referi, as mamas querem-se aos pares, por isso, nada de separações inestéticas e perversas. pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:46
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Domingo, 2 de Julho de 2006
A cria de búfalo
Acho que nunca desabafei sobre a Sandra. Bem, a Sandra era uma vizinha da minha prima com quem eu mantive uma certa afinidade e, até, uma certa amizade, embora a distância não desse azo a mais nada. Parecia boa mocinha, bem feitinha, querida, simpática e ah e tal. Uma vez, há mais de uma década atrás, andava eu feito ao desespero, a tal ponto que fui na conversa de ir para o “Dia Depois”, aquela famosa discoteca beirã, onde pulula uma concentração inacreditável de mentes vazias. O desespero era tanto, que quando dei por mim estava a dançar uma daquelas MCF’s (leia-se, Música para Constituir Família) agarrado a ela, a lambuçarmos as beiças um do outro. Durou pouco tempo, note-se, pois em poucos segundos descobri, graças ao divino raio de luz da bola de espelhos, que a Sandra tinha paletes de borbulhas na cara. Ora, o desespero tem limites. Pronto. Enfim, seja como for, trocámos correspondência durante alguns anos, até que o destino da vida levou ao esquecimento mútuo. Até ao dia em que dei de caras com ela aqui na vila, a meia dúzia de metros dos correios. Conversa puxa conversa, ah e tal, ficámos de ir beber um copo para contar mais novidades. Isto já foi há uns anos, mas desde esse cruzamento que começou um tormentoso aturo de uma doente esquizofrénica. A bem dizer, uma mulher que vive mundos fora daqui, que inventa situações, cancros da mama e da nádega, leucemias e diarreias, sei lá, ora adeus que vou viver para Londres, ora olá que afinal não vou porque vou ser operada ao cérebro, olha isto, olha aquilo, enfim. Certa noite, já na N-ésima em que me ligava e mandava SMS com mais episódios fantásticos das sete vidas dela, pedidos de socorro e declarações de arrependimento, devolvi a última SMS, lá para as 4 e-troca-o-passo horas manhã, cuja redacção era mais ou menos assim: “ligas-me outra vez e saio daqui disparado até tua casa (ela vivia com os pais), arrombo-te a porta, ponho o bairro todo a pé e nem a GNR te safa”. Um gajo por vezes tem de ser assim, poético, para merecer alguma atenção. Foi remédio santo durante algumas semanas, mas com esquizofrénicos não há sol que dure. Optei por ignorar, o que também deu alguns resultados, tendo diminuído as SMS patéticas quase até à nulidade. Como que assunto resolvido. Considero-o resolvido, de facto. Ontem, a minha prima casou-se. Eu fui ao casamento e a Sandra também. Não lhe dirigi a palavra e o dia passou-se bem. Seja como for, e porque eu realmente tenho mesmo muito mau feitio, não resisti em dedicar alguns momentos de reflexão sobre a Sandra. Reflexões maléficas. Bom, pasmei-me ela ter um filhote, estar prenha de outro, e ter um marido, ou companheiro, ou sei lá. O companheiro é um tipo extremamente franzino, tipo judeu em estado terminal num campo de concentração nazi na última guerra mundial, com três únicas diferenças em relação a esses infelizes: estava vestido como as pessoas que vão a um casamento, tinha gadelha que dava para fazer um pincel e tem uma companheira esquizofrénica. É um infeliz, também. Não sei como é que lhe fez um filho, francamente. A Sandra é quase maior que eu, tanto em altura como em outras dimensões físicas. Tem uma bunda. Para os mais incultos, “bunda” é um excesso bidimensional das nádegas. Não é “quadridimensional”, porque as nádegas não se excedem para a frente, onde fica a zona púbica, nem na vertical. Ou seja, excesso bidimensional, a saber: para os lados e para trás. E uma grande bunda. Como é que o gajo foi capaz de… enfim! Mas alguém consegue ter prazer em coiso e tal?… Oh, francamente, é que não há qualidade! Nem condições de serventia. Mas, o que foi mesmo um choque estético, foi a visão horrenda ao sair da missa. Eu não sou de andar a olhar para estas coisas, claro, mas estava sol e enfim, há coisas que saltam mais à vista que outras, por bons ou por mais motivos. Neste caso, por um péssimo motivo. É que a Sandra, essa mutante mal engendrada, estava vestida com umas calças de licra pretas, meio transparentes ao sol, mais de meio, para ser preciso, saltando à vista a já descrita bunda, uma etiqueta das calças em cima da costura alinhada com o rego das nádegas, e… ó pá, isto até custa a dizer… até tenho receio que me venha o jantar à boca… mas aquela gaja tinha umas cuecas tipo tanga! Tanga, carago! Tipo fio dental! Mas isto admite-se? Mas isto compreende-se? Fiquei logo mal disposto. Isto devia ser proibido. Parece um filme de terror. Arre! Bem, passados os momentos iniciais de agonia, passei umas quantas horas a tentar traduzir. Como toda a gente sabe, há uma percentagem relativamente grande de seres humanos que se assemelham fisicamente a certos animais. Há os cara-de-golfinho, os cú-de-galinha, os narizes-de-catatua, enfim. Dei voltas e mais voltas até encontrar um animal que encaixasse na Sandra. Ou a Sandra se encaixasse nele. Ao cabo de muitas horas de árduo esforço mental, entre copos de vinho verde e lombinhos de porco com castanhas, cheguei à solução: uma cria de búfalo! Tal e qual. Caros búfalos, perdoem-me, não foi por mal, eu até vos curto, sois uns bacanos e ah e tal, mas é uma questão meramente visual. Efeito óptico, estão a ver? Desculpem lá. pickwick
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publicado por riverfl0w às 23:24
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