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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
Divagações dos andarilhos
Ainda o grupinho de cinco andarilhos que se passeou pela Serra da Estrela no passado fim-de-semana. Falta referir o percurso feito. Quem sai de Loriga e se lança serra adentro, tem um belo de um trilho que sobe, sobe, sobe, e sobe, até lá bem acima, até à Estrela, a tal da falcatrua dos dois mil metros. Pelo caminho, existem locais de se lhe tirar o chapéu, entre os quais está o Covão da Areia, nosso destino para pernoitar. O caminho, entre calhaus e mato, convida a reflexões profundas. A Ana (nome de código já referenciado, difícil de decifrar) prestou-se a relatos científicos sobre o seu estágio como enfermeira na secção de urologia de um qualquer hospital português. Urologia, como todos sabem, é aquela ciência das pilas. Portanto, fomos agraciados com descrições entusiásticas de suturações, erecções involuntárias, e outras coisas do mesmo calibre, que deram uma excelente música de fundo a parte da nossa caminhada. Os seios femininos, foram também alvo de grandes e profundas reflexões, nomeadamente a opção entre as mãos e a boca, as preferências de cada um, a consistência aos dezoito anos e a decadência posterior, e ah e tal, tudo num tom muito erudito, que nenhum de nós gosta de brejeirices, obviamente. Tivemos também uns momentos de aprofundamento de vocabulário e expressões, aquilo a que alguém poderia, sabiamente, chamar de enriquecimento cultural. Assim, ficámos a saber o que é uma “arreia na vaga” (ou qualquer coisa parecida). Trata-se de uma posição, portanto, de coiso e tal, também conhecida por “apanha o borboto”. Esta, acontece quando a mulher está em casa e se inclina para o chão para apanhar o borboto da alcatifa e o homem ah e tal por trás. Trata-se de uma inovação em relação à posição do aspirador, em que a mulher anda só ligeiramente inclinada para a frente a passar o aspirador pela casa, e vem o homem e ah e tal por trás. Portanto, anotem: “arreia na vaga”. A cultura portuguesa é demais! Mais vulgar está a expressão “suadela de quatro joelhos”, que gerou alguma discussão quanto à intervenção dos próprios joelhos, mas que, após esclarecimento dos mais cultos, também poderia ser “suadela dos quatro cotovelos” ou “suadela das quatro nádegas”, onde o “quatro” tem apenas o simplório papel de múltiplo de dois. Mais comum ainda, a “conchinha”, essa posição quase fetal, tão adorável. É bonito partilhar cultura. Entretanto, e porque estava muito calor e em redor só havia calhaus, a conversa deu para os gelados. De entre a oferta banal das arcas frigoríficas, destaca-se o “Calippo”, da “Olá”, pela forma como as jovens portuguesas lidam com ele, uma forma ostensivamente erótica e que deveria merecer uma maior atenção por parte dos pais, educadores e autoridades. Assim, decidimos que era pertinente a publicação de uma lei que restringisse a venda de gelados “Calippo” apenas a meninas maiores de dezasseis anos, num gesto claro de prevenção, para que não fosse acelerado o processo de desenvolvimento da sexualidade nas nossas adolescentes e crianças e, adicionalmente, evitando que estas jovens andassem por aí, em trajes de veraneantes e fio dental, a chuparem desenfreadamente pedaços de água gelada com limão, descontrolando potenciais pedófilos. Pelo caminho, parámos à beira da Fonte dos Carreiros, de onde jorra um fio de água incrivelmente límpido e puro, com sabor a granito. Tagarelámos com um outro grupo de andarilhos, que circulavam em sentido contrário, para trocar algumas impressões técnicas. Já de abalada, alguém do nosso grupo vislumbrou outro grupo que se aproximava da fonte e não hesitou em gritar bem alto “mija na água”! Ora bem, como já referi num post anterior, este nosso grupo era composto por licenciados, mestres e doutorados, mas, naquele preciso momento, senti-me a fazer parte de uma trupe de carregadores de baldes de massa em horário de almoço, à sombra de um andaime, a ver o gado a passar. O grupo que se aproximava, passou por nós, olhando-nos de lado, como que a tentar adivinhar quem tinha sido o porcalhão que tinha urinado para cima da fonte para que os demais dela não bebessem. Obviamente, ninguém urinou na fonte, e tudo não passou de uma brincadeirinha, mas pronto, sabem como é, o calor e ah e tal, provoca alucinações temporárias, algumas mais intensas que outras, e por aí fora. O momento alto da viagem foi quando o JN confessou a justificação que a sua mãe lhe tinha dado para que não tivesse relações com a namorada antes do casamento: assim, tendo relações antes do casamento, disse a senhora, ele não atingiria a “plenitude da espiritualidade em Deus”. É bonita, não é? Repetimos a frase vezes sem conta, até à exaustão, mas, mesmo assim, passámos a vida a engasgar-nos a cada vez que tentávamos pronunciá-la. Como se a nossa mente porca e muito pecadora tropeçasse constantemente naquela verdade divina. pickwick
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
Elas não querem ser princesas
Só a ida à Serra da Estrela, no passado fim-de-semana, dava um blog inteirinho. Em vez de apreciarem a natureza, o contacto com a beleza suprema, os passarinhos a chilrear, o vento da passar entre os arbustos serranos, e outras coisas que tais, os cinco letrados de mochila às costas que compunham o grupo de andarilhos, não se calaram o tempo todo. Ainda estão por escrever algumas divagações menores obtidas durante a caminhada, mas esta é demasiado profunda para ser deixada no meio das outras, pelo que lhe dedico um post próprio. Ora bem, então, após o confronto de uma série de experiências pessoais e alheias, chegámos à brilhante conclusão de que as mulheres não querem ser princesas. E, atenção, isto não é uma conclusão machista e desavergonhada, como algumas mentes feministas possam alvitrar. A própria Ana (nome de código do único elemento do sexo feminino do grupo, cujo nome verdadeiro se escreve ao contrário) defendeu esta ideia com unhas e dentes, ela própria partilhando factos e argumentos a favor. A ideia, que já defendo desde há duas décadas, é de que as mulheres gostam mesmo é de levar porrada. Bem, não precisa de ser à estalada. Aliás, nem precisam de levar porrada. Elas não querem mesmo é ser tratadas como princesas. O passado mostra que, em todos os casos em que os homens mimaram as respectivas mulheres, a relação acabou por se deteriorar com o passar do tempo. Numa larga percentagem destes casos, as mulheres, outrora tratadas como princesas, acabaram por se juntar a homens que as tratam como sopeiras de segunda escolha. Mesmo assim, mesmo sabendo que agora já não são bem tratadas como antigamente, resignam-se com alguma satisfação. Isto é, ou não é, de um gajo atirar com a cabeça contra uma parede? O JN (nome de código já referenciado noutro post), chegou-se à frente com uma teoria para justificar esta atitude aparentemente insana das mulheres: elas gostam de um homem que as trate à bofetada, porque esse será o homem que as defenderá mais rapidamente. Ou seja, é tudo uma questão animalesca. Ou seja, as mulheres são uns puros animais grosseiros. Aquela imagem que temos das mulheres, doces, sensíveis, belas, frágeis, queridas, e ah e tal, não passa de bluff. Elas regem-se por instintos animais básicos, onde a violência é parte integrante e omnipresente. O JN foi mais além na sua teoria: cada vez que o homem bate na mulher, esta sente que ele está a treinar para um dia a defender. É bonito, não é? O gajo que trate bem a sua mulher, é um frouxo, sabendo ela que, quando se vir num aperto, atacada por outrem, em risco, o frouxo do seu gajo não irá em sua defesa, porque... não tem treinado nela! Todas estas teorias, note-se, assentam em estudos científicos verídicos. São resmas e resmas de casos assim. E, quando estivermos perante um caso de separação ou divórcio, em que haja o argumento de violência doméstica por parte do homem, atentem: pode ser um caso de défice de violência, e não de excesso, ok? pickwick
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2006
Reflexões sobre a homossexualidade
Vínhamos nós, serra abaixo, as botas de penedo em penedo pelo carreiro que levava a Loriga, debaixo do intenso braseiro de um sol de Julho. Os temas de conversar multiplicavam-se, o que é natural quando se juntam vários licenciados, mestres e doutorados, todos a cheirarem a catinga nos sovacos muito suados. Um dos temas foi, imagine-se, a homossexualidade. O debate começou com a análise do relacionamento entre seres humanos, com base na experiência de vida de cada um. Os homens dão-se bem com os homens, as mulheres dão-se mal com os homens e as mulheres dão-se mal com as mulheres. Seja aos pares, aos trios ou em grupos maiores, como é o caso de uma cidade universitária onde abundam apartamentos partilhados por vários estudantes. Nos apartamentos só com homens, e tirando crises geradas por partilha de namoradas e fãs, o ambiente saudável perdura pelos anos fora, inabalável, aprofundando-se amizades, partilhando-se sonhos e aventuras. É bonito de se ver e viver. Em apartamentos só com mulheres, bem, há sempre desavenças, crises emocionais, crises de ciúmes, batalhas verbais, zangas de alguidar, umas que abalam e mudam de apartamento, grupos que se desfazem, amizades feitas e desfeitas, enfim, uma roda viva que faz as delícias dos homens que assistam a tudo. Em apartamentos mistos, porque também os há, o ambiente nunca é cem por cento saudável, mas, caso haja homens habituados a fazer estalar o chicote, ou habituados a deitar desprezo pelas narinas, há esperança de não haver uma degradação da qualidade de vida que comprometa a continuação. Ainda assim, é perigoso, entenda-se. Daí que, segundo a teoria do PM (nome de código de um doutorado em engenharia, como se depreende pelas letras), a relação de amor ideal é mesmo entre homens. Tipo homossexualidade. Só que, segundo o autor da teoria, há um problema grave de “hardware” neste tipo de relacionamento. O “hardware”, como todos sabem, é a parte física do ser humano. O “software” será a parte psicológica, que, no caso das relações homossexuais, desliza que nem vaselina. O problema de “hardware” resume-se, nas palavras do homem que trouxe à luz do dia esta teoria, a um problema de dar o rabinho. Compreensível, portanto. Outros membros masculinos do grupo acrescentaram mais alguns problemas de “hardware”, para dotar a teoria de bases mais sólidas, tais como a questão as pernas peludas dos homens, que não ficam bem quando há mais que duas juntas, a parte dos pêlos ao fundo das costas a fugirem para o rego das entre-nádegas, e outras coisas que tais. O único membro feminino do grupo confirmou a teoria, reconhecendo que, de facto, os relacionamentos homem-mulher e mulher-mulher estão, à partida e desde sempre, condenados ao fracasso. Nisto, o JN (nome de código para um mestre em gestão, confundindo-se com um célebre jornal) fez a revelação do ano: a teoria da “carreirinha na onda”! Eu confesso que fiquei atónito com esta teoria, dada a mestria com que foi descrita e a sua evidente aplicação prática. Ora, esta teoria é muito simples e passo a descrever. Os rapazes ou homens, quando vão à praia, gostam sempre de apanhar umas belas ondas e, mesmo sem prancha, tentarem fazer de pranchas-humanas, sendo propulsionados a uma velocidade vertiginosa pelas vagas de água salgada, até ao limite, sendo que, numa fase final do percurso, se vêem envolvidos em água turva, espuma e muita areia, raspando os peitos viris no fundo do mar cheio de conchinhas, pedrinhas e areia grossa. Depois de umas horas destas habilidades, voltam às suas casas, parques de campismo, apartamentos de férias, etc., onde vão para debaixo do chuveiro lavar o sal da água do mar. Entretanto, e por via do tal percurso final da carreirinha da onda, no qual entraram quilos e quilos de areia para dentro dos calções, são obrigados a retirar aquela areia malandreca que se infiltrou mesmo nas profundidades do rabinho, onde a água do chuveiro não chega. Inocentemente, sem saberem do perigo que correm, usam o belo do dedinho (indicador ou médio) para, num gesto harmonioso e carinhoso, retirarem aquela areia incomodativa. À primeira passagem do dedinho, e enquanto ainda soa no ar um “uiii… que é bom…” de satisfação, já é tarde para voltar atrás. Descobriram o prazer da homossexualidade! Era caso para os chuveiros serem vendidos com uma placa de aviso: “atenção, limpar a areia do rabinho usando o dedinho, pode provocar homossexualidade”. pickwick
publicado por riverfl0w às 14:34
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Terça-feira, 18 de Julho de 2006
A cabra merendeira
Depois de uma voltinha pelo Piódão, fustigada há menos de vinte e quatro horas pela fúria da natureza, acabámos no belo museu local, muito bem conseguido, muito bem conservado e muito interessante. Fiquei espantado com a história daquelas paragens, com os artefactos expostos e com a boa apresentação de tudo. De entre as muitas histórias e descrições da vida local, houve uma que me fascinou particularmente. Faço aqui uma descrição, com adaptação e comentários da minha autoria. Ora, naqueles tempos, os pastores levavam os numerosos rebanhos de cabras pelos montes, passando os dias com elas. De entre as cabras, havia uma eleita que respondia pelo nome de “cabra merendeira”. Bonito nome! O pastor, que não podia andar ali pelos montes com tachos e panelas e demais elementos do trem de cozinha, queria fazer umas sopinhas de leite à maneira. Assim, chamava a “cabra merendeira”, a qual poderia ter uma alcunha mais íntima, tipo Alice ou Zélia, e molestava-a sexualmente durante algum tempo. Merendeira vem de merenda, termo usado em vez do moderno lanche ou do muito popular “snack”, pelo que, se os tempos fossem agora, seria a “cabra lancheira” ou a “cabra do snack”. Os historiadores do museu tentaram encobrir a verdade com palavras vagas como ordenhar e tal, mas eu bem sei como são os pastores, ainda para mais um pastor com uma cabra especial, no meio dos montes, afastado de olhares censuradores. Ao fim de algum tempo de abuso sexual, teria uma tigela cheia de leite. A pobre da cabra, sem acesso a qualquer cuidado de saúde um apoio psicológico, voltava ao resto do rebanho, com as sensíveis tetas muito molestadas. O pastor, então, tirava das brasas da fogueira uma pedra ao rubro e colocava-a na tigela, fazendo o leite da cabra abusada sexualmente ferver em apenas alguns segundos. De seguida, o pastor desfazia uma broa em pedaços e misturava-os com o leite quente, proporcionando uma deliciosa sopinha de leite. Esta técnica requintada, que tanto me fascinou, foi habilmente descrita pelos historiadores como tendo o objectivo de amolecer a broa ressequida com o leite quente. Ora, os historiadores podem ter alguma habilidade em intrujar os visitantes ingénuos, mas eu, com a minha abrangente experiência de vida, topei logo a tramóia dos pastores e a vontade dos historiadores de esconder a dramática verdade das gentes daquela região, talvez para não prejudicar o turismo. Não era muito bonito o Piódão ser conhecido pelos hábitos pouco católicos dos seus pastores. Imagine-se a placa à entrada da aldeia: “Bem-vindo ao Piódão, aldeia dos pastores que andam pelos montes a apalpar as tetas às suas cabras”. Não era nada bonito, pois não? Bem, a tramóia dos pastores deduz-se com alguma facilidade. Depois de consumado o abuso sexual nas pobres e transtornadas cabras, era necessário encobrir todas as provas do crime. O leite era a prova mais cabal desse abuso. Qualquer teste ao DNA provaria qual a cabra envolvida, ligando-a ao leite, às tetas com nódoas negras e ao pastor responsável pelo rebanho à qual pertencia o pobre e indefeso animal. Havia, pois, necessidade de esconder ou destruir a prova do crime. O leite, como todos sabem, é um líquido amarelo esbranquiçado, que não se evapora com facilidade e que, directamente da origem e longe das adulterações dos produtores, tem uma forma espessa que não desaparece facilmente nem se infiltra na terra. Assim, o método mais eficaz de resolver o problema de um teste ao DNA da cabra seria ferver o leite. A fervura, como é sabido, destrói os micróbios do DNA. Alguns dos mais famosos “serial-killers” da história do crime ficaram famosos por introduzir esferas em brasa nas vaginas das vítimas, para, precisamente, fazer ferver o sémen denunciador, matando os micróbios do DNA nele presentes e impedir que fossem indiciados. É triste que façamos parte de um país cujos pastores faziam destas coisas hediondas, eu sei. Hoje, já não há pastores e as cabras são ordenhadas “in vitro”, mas a perversidade anda aí, passada de geração em geração, de pais para filhos, de pastores para apresentadores de TV… enfim! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:26
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2006
Quinta-feira do azario
Só agora reparei que quinta-feira foi dia 13. Devia ter desconfiado, mas pronto. Comecei a desconfiar que alguma coisa estava a correr mal quando tive que ir várias vezes ao supermercado fazer compras para a jantarada na sexta-feira. Um vai e vem desnecessário se, como toda a gente, fizesse uma lista de compras e não confiasse na ah-e-tal-a-memória. Mas não, não fiz, e tive que passar o dia a ir ao supermercado. Uma das vezes, depois de colocar os sacos no banco do pendura, descobri que a respectiva porta não fechava. Bonito serviço, pensei eu, sozinho nesta terrinha no fim do mundo, especado no meio de um parque de estacionamento com resmas de compras ansiosas por serem enfiadas num frigorífico e uma porta do carro que teimava em não fechar. O problema não era do fecho… era a porta que não passava mesmo da posição de toda aberta. Como as galdérias. Nem dava para ir para casa com um cordel a segurar a porta, porque ficaria sem ela num poste qualquer, de certeza. É nestes momentos que um gajo vê mil e um pensamentos a passar pela mente. Num deles, penso que o 847º, via-me a solucionar o problema de forma poética: grunhia que nem um javali irritado por estar a ser molestado sexualmente por um urso chamado Artur, espumava como se estivesse a lavar os dentes com cardos, pegava na porta com muita virilidade, arrancava-a e atirava-a para o meio da linha do comboio, a dez metros dali, bufando de triunfo. Uma solução eficaz, note-se, pois podia voltar descansado para casa. Ainda deitei mãos à porta e estive a pontos de perder as estribeiras e enfiar-lhe um biqueiro ou dois para ir ao sítio. Mas contive-me a tempo. Foi por pouco. Respirei fundo e, com gentileza e carinho, fui abanando suavemente a porta, assim como quem embala um bebé. Não resultou. Agarrei na dobradiça, já mais chateado do que devia, e dei uns safanões, assim como quem agarra pelas goelas um fulano que nos tentou roubar a carteira. Mais uns abanos daqui, umas carvalhadas dali, um ranger de dentes, e, milagre, a porta foi ao sítio. Olhei-a intensamente, já fechada, a perguntar-me a mim mesmo se valia a pena enfiar-lhe um chuto e meter a chapa toda a dentro para depois pagar uns cem contos ao bate-chapas. Mas a razão falou mais alto. No dia seguinte fui à oficina e paguei apenas cinquenta e cinco euros para soldarem a estúpida da dobradiça. Bom, a noite trouxe-me a continuação do dia. Seguindo os sábios conselhos da minha maior fã, optei por preparar a sobremesa de véspera. “Natas do Céu”, esse poderoso doce. Não tem nada de especial, mas cai muito bem no estômago. A receita é simples, mas nunca me lembro. Só sei que há natas para bater, idem para as claras de ovos, misturam-se as duas com açúcar, dispõem-se em camadas entremeadas com bolachas Maria desfeitas em pó, e termina-se com uma camada de uma mistela parecida com ovos moles. Bonito, não é? E muito simples. Acontece que, só passados uns cinco minutos de ter começado a desfazer as bolachas e já ter a cozinha toda invadida por nacos de bolacha, é que me lembrei que havia uma técnica para evitar aquele incómodo. Os ovos não foram muito compreensíveis comigo. Depois de décadas a partir ovos habilmente, separando gemas de claras e vice-versa, dei comigo a esborrachar os ovos na borda da tigela, a murmurar “ai ai ai o caraças” e a tentar evitar que a coisa se transformasse num mix de cascas partidas, claras e gemas, espalhados artisticamente na banca da cozinha. Mas, o artista é um bom artista, e acabei por conseguir a separação devida, apesar de ter andado a pescar pedaços de casca na tigela das claras e na tigela das gemas. Finda a aventura, e quando já estava quase a parar de resmungar com o azar desse dia, os resmungos dobraram de intensidade depois de quase meia hora de batedeira em punho em cima das claras dos ovos, as tais que deveriam ficar em castelo, como sempre fiz desde pequeno. O resultado estava a ser uma nojeira com aspecto de urina de galinha. Consternado, saí da cozinha e fui ao MSN perguntar à tal fã que me tinha dado o sábio conselho, qual seria o problema. Ela foi muito esclarecedora, informando-me que tinha colegas que não conseguiam bater as claras quando estavam com a menstruação. Fiquei sem palavras. Tentei as alternativas todas, desde a possibilidade de eu, macho e viril, ter repentinamente adquirido a espectacular e invejável capacidade de me menstruar, até ao vudu ou algum tipo de ligação telepática com uma apaixonada que estivesse naquela altura do mês. Esta última encaixava, o que representava uma explicação fantástica para um fenómeno não menos fantástico. A minha fã, graciosamente, arrancou-me a estas divagações e sugeriu-me o congelador como solução, assentando no pressuposto teórico de que natas frias proporcionavam mais castelos. Assim fiz, mas, para gáudio de alguém que me quer muito mal, as claras ficaram exactamente na mesma, ou ainda piores, depois de meia hora no congelador e mais quinze minutos de tortura na batedeira. Assim ficaram e assim foram directamente pelo cano. Fase seguinte: natas. Já precavido, trouxe-as para a tortura já muito arrefecidas. Mesmo assim, não correu nada bem. Por alguns momentos, pensei que seria do jeito que dava à batedeira, pelo que experimentei novas posições, como se a arte de bater natas fosse como o sexo. As natas continuaram na mesma, mas consegui encher metade da cozinha com salpicos de nata, desde o chão até às portas dos armários. Para algumas pessoas, isto é arte, mas eu não sou desses, felizmente. Por fim, faltava a mistela parecida com ovos moles, a qual tem um procedimento mais cuidadoso, ao qual não liguei a mínima importância. Limitei-me a atirar água, açúcar e gemas para dentro de uma panela a ferver e vir teclar para o MSN. Ficou uma nojeira. Ainda está ali no frigorífico, à espera de um destino pouco honroso. Era dia treze, mais palavras para quê?... pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:12
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Domingo, 16 de Julho de 2006
Arrastão no Piódão
Isto parece uma notícia do “24 horas”, mas não é. Passo a explicar. Depois de uma jantarada na sexta-feira aqui em casa, onde foi providenciado um manjar abundante à base daquelas coisas que fazem muito bem à saúde, o sábado despertou-nos para uma viagem até ao Piódão, essa bela e rústica aldeia na Serra do Açor, ali mesmo ao lado da Serra da Estrela. O plano era deixar lá o carro e fazermo-nos aos montes e vales, de mochila às costas, para flagelarmos estes corpos pecaminosos através de uma actividade na natureza. Coisa bonita, note-se. Éramos cinco jovens (embora uns mais jovens que outros) cheios de boas intenções. Acontece que a natureza não esteve com meias medidas, no dia de sexta-feira e decidiu castigar a zona do Piódão de forma implacável. Começámos a topar que alguma coisa não estava bem quando, circulando por uma das estradas de acesso à aldeia, apareciam vistosos vestígios de derrocadas. Isto é, calhaus, terra e nacos de alcatrão do tamanho da cabeça de um boi, tudo espalhado pela estrada. Ao princípio, ainda nos armámos aos cágados, como se andássemos nalguma picada em África e tal, todos fora do carro a tirar calhaus e alcatrão do meio da estrada, para o carro passar devagarinho. Muito giro. Até a coisa ser tanta que até para um jipe ficava feio. Voltámos para trás, apanhámos outra estrada de acesso e, a pouca distância da aldeia, novos vestígios do mau humor da natureza. Nas curvas da estrada alcatroada faltava, literalmente, metade da estrada, roubada à força de derrocadas por muita água e muita pedra. Passar numa curva em que se nota que só resta um bocado de alcatrão suspenso no ar, sem base de sustentação, é divertidíssimo, especialmente num carro cheio de gajos bem alimentados. Mas, pronto, o alcatrão devia de ser de uma boa colheita, do tempo em que o alcatrão era para homens, nada destas modernices que metem hoje em dia nas estradas. Chegados à bela da aldeia, agentes da GNR impediam que curiosos se aproximassem do centro nos seus automóveis pimpões. Só a pé. E a pé fomos. Bem, a coisa pode resumir-se da seguinte forma: algures em direcção à nascente da ribeira que passa na aldeia, algo não resistiu ao charme de uma potente chuvada na tarde de sexta-feira; em três tempos uma ribeira cheia e energética transformou-se num monstro de lama, calhaus enormes e muita água, lançados vertiginosamente por aí abaixo, arrastando tudo à frente. Assim de mais impressionante, foi arrastado um parque de estacionamento, os carros lá parqueados e um turista. Obviamente que, tudo o resto que houvesse, foi na onda, por aí abaixo, desde tractores a pontes. Equipas de salvamento com cães, escavadoras, bombeiros, GNR, políticos, invadiram a aldeia. Segundo relatos, apareceram pedaços de carros numa aldeia mais abaixo, onde passa a mesma ribeira, a cerca de dezasseis quilómetros! O parque de estacionamento que foi levado à frente, era o mesmo onde pretendíamos deixar o carro. O meu lindo carrinho, com ar condicionado e colete reflector e sobras de guardanapos do McDonalds. Porra! Por um dia não fiquei sem ele. Havia de ser bonito, chegarmos de uma penosa caminhada na serra, todos estoirados pelo peso das garrafas de tinto nas mochilas e os pés mordidos pelos afiados calhaus dos trilhos de pé posto, e vermo-nos apeados a paletes de quilómetros de casa! Eu acho que tinha um colapso logo ali. O meu carrinho, tão lindo, que até tem um guarda-chuva na bagageira e faz “nhinhi” quando meto o pé no travão. Carago! pickwick
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publicado por riverfl0w às 21:38
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006
Poema de amor #2

Porque as fãs têm direito a resposta (mas só as bonitas, obviamente).

Grru Grru (nome de código)
, minha fã
(até o título rima, hã?)

E
stava eu ali no émésséne,
e por lá te vi onlaine;
vesti as minhas cuecas de neoprene
e pus no meu cão o açaime.

Abri aquela janelinha,
e logo me surpreendi.
Não é que a tua carinha
estava num quadrado ali --> ?

Fiquei assim fascinado
com tamanha beleza...
E pus a minha foto no prado
(aquela com cuecas tigresa).

Confessaste a tua paixão secreta,
até me escreveste um poema,
espetaste tão fundo a seta
que o meu coração tem um edema.

Teu fã agora sou eu,
não há mais que esconder...
eu não sei o que me deu
mas estou louco por te ver!

riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 03:46
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Poema de amor #1

Aqui há uns minutos, uma fã minha (e a única, convenhamos) dedicou-me um poema de amor. Um poema amor é uma coisa boa de se dedicar, sobretudo quando vem acompanhado por uma ou duas tortas de Azeitão. Enquanto as tortas não vêm até mim, ou eu não vou até às tortas, vejo-me obrigado a fazer uma análise literária:

riverfl0w (coraçõezinhos)
(riverfl0w é o destinatário, os coraçõezinhos devem funcionar como selo do correio.)

Acho que os teus olhos são verdes
Mas já não me lembro bem
(A autora sofre claramente de uma doença degenerativa fulminante, que a impede de se lembrar da beleza que é ver os meus olhos ao vento. São verdes, ok. Menos mal. Os boletins do Euromilhões só se podem entregar até às 18h.)
Tens poucoxinhos pelos
Olha.... ainda bem!
(A menina deve vir de uma família de Telmas, só daí é que consigo extrair o espanto pela minha aparente falta de pelagem.)

Tens sonhos e aspirações
Tens um estaminé e um jornal
Tens uma imagem de um coelhinho
(Reparem na sublime utilização da forma verbal do verbo ter em triplicado, o que reforça em muito a métrica do poema. É incrível como nunca ninguém se lembrou disto.)
Que te fica um bocado mal
(Claro momento de inveja mal disfarçado.)

Tendo em conta estas coisas
Devo estar a ficar doida varrida e um bocado maneta (... não havia mais nada que rimasse!)
(Atentem na genialidade intrigante deste último verso... deixa-me sem palavras)
Se não for por mais nada
É pela tua bicicleta :)
(É neste verso final em que tudo se consubstancia. Recebi eu um poema de amor, e ah e tal, cheio daqueles elogios que nos põem o ego ao alto, e no último verso... putz. Ela está apaixonada pela minha bicicleta.) riverfl0w

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publicado por riverfl0w às 03:10
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Quinta-feira, 13 de Julho de 2006
Príncipes e Princesas com castelos de algodão

(Uma leitora deste blog, nome de código “Chi”, caiu no ingénuo erro de me pedir para escrever uma história de príncipes e princesas com castelos de algodão doce, para o blog dela. Não fazendo um caderno de encargos, um pedido destes encerra perigo eminente. O resultado não ficou bonito, mas poderá servir de aviso à navegação alheia.)
Era uma vez um Príncipe chamado Liló, que vivia num país encantado e cheio de flores com padrões axadrezados. Liló ia a passar no prado verde, montado no seu belo cavalo lilás e zarolho, quando avistou ao longe um castelo de algodão em tons de cinza. Impressionado com as vistas, Liló apressou o corcel pela relva até estacar às portas do castelo, feitas de enormes placas de chocolate para culinária. Um véu esbranquiçado esvoaçava pela janela da torre mais alta do castelo, chamando-lhe a atenção. O relinchar do cavalo zarolho trouxe ao parapeito a dona do véu. Era, nem mais, nem menos, que a Princesa Salsinha, famosa galdéria das cortes que tinha sido atirada pelo seu pai para um quarto no cimo da torre, afastada das tentações da carne. Foi, decididamente, amor à primeira vista! Um novo relinchar do corcel inquieto com tamanha seca e farto de ouvir como música de fundo mais um tema de Emanuel, trouxe Liló à realidade. Ganhando coragem, dirigiu-se à Princesa Salsinha:
Liló – Ó de cima! Ó do véu!...
Salsinha – Que quereis, nobre e viril cavaleiro?
Liló – Cavaleiro? Então? Brincamos? Eu sou um Príncipe!
Salsinha – Ah! Ok! Desculpe lá o mau jeito. Então que me quereis?
Liló – Tão sozinha aí no cimo… precisais de ajuda?
Salsinha – Bem, se me resgatásseis desta maldita torre, eu poderia confortar-vos durante uma semana ali na cabana abandonada à beira do regato.
Liló – E não podeis descer sozinha daí?
Salsinha – Não. O meu pai trancou-me aqui dentro. Sacana…
Liló – Que pena… Então, que tenho de fazer?
Salsinha – O castelo é feito de algodão. As portas são feitas de chocolate. Só tendes de seguir em frente, comendo tudo o que lhe apareça pela frente. E, para que ficais mais desperto para o que vos espera, anuncio-vos que toda a minha roupa é feita de algodão doce…
Liló – Xi… Algodão doce…
O Príncipe lambeu-se avidamente, os olhos reviraram-se e um fio de baba escorreu para cima do dorso do cavalo, que, temendo algo pior, relinchou mais uma vez, acordando Liló para a realidade.
Liló – Pronto! Não precisais de dizer mais nada! Vou a caminho, minha princesa!
Salsinha – Vinde, vinde, que vos espera a concretização de todos os vossos mais íntimos sonhos…
O Príncipe avançou e devorou as portas do castelo. Um bocado enjoativo, o chocolate para culinária, mas o amor tudo compensa. Entrando no pátio interior, aproximou-se da torre e começou a comê-la. O desespero era tanto, que Liló não se apercebeu logo que o algodão da torre não era algodão doce, mas sim algodão simples, o que, ao fim de uns 7 metros de torre, começou a tornar-se muito intragável. Ainda assim, porque o seu prémio aguardava, continuou. A torre, sendo comida a partir de baixo, metro após metro, trazia o quarto cimeiro para mais perto de Liló, que devorava os nacos de algodão com um ar já agoniado.
Salsinha – Estais quase, meu príncipe – gritava ela, já cheia de calores.
Por fim, o quarto ficou ao nível do chão e Liló viu-se perante uma porta de chocolate com avelãs. Pedaços de algodão pendiam-lhe das mandíbulas, presos nos dentes. Inspirou profundamente, arrotou com vigor e, suspirando, atirou-se à porta, comendo-a em cerca de 27 segundos.
Salsinha – Meu príncipe! – exclamou, ardente e a arfar.
Liló acabou de mastigar o último pedaço de chocolate e olhou a Princesa Salsinha, mesmo ali, à sua frente, arfando, o peito a subir e a descer por baixo de um corpete de algodão doce azul, uma cuecas e ligas de algodão doce laranja e a tatuagem de um banco de jardim do lado esquerdo do umbigo. Toda a indumentária sensual e provocante estava a derreter-se por cima daquele corpo quente de desejo. O algodão açucarado misturava-se com o suor da pele, as cores desmaiavam e Salsinha parecia coberta, afinal, por uma “nhanha” empastelada que, depois de largos quilos de algodão, não parecia nada apetecível ao Príncipe Liló.
Liló – Errr… Oh menina, que nojo que para aí vai…
Um pequeno arroto brotou-lhe por entre os dentes castanhos do último pedaço de chocolate.
Salsinha – Meu príncipe, temos que ser rápidos. Quanto a minha lingerie derreter toda, o efeito do feitiço passará.
Liló – Feitiço? Qual feitiço?
Liló olhou Salsinha com mais atenção, começando a aperceber-se de uma camada peluda que despertava para o ambiente pesado do quarto.
Liló – Oh menina, que pêlos são esses? Que nojo!
Salsinha – Na verdade, eu sou uma Knorr. Uma bruxa feiosa, que trabalha no atendimento telefónico do INEM, transformou-me numa princesa coberta de algodão doce, para se vingar dos homens esbeltos que a desdenharam durante toda a vida.
(Nota do autor: os Knorr são uma espécie rara de animais míticos, adaptados fisiologicamente de uma obra de Woody Allen; os Knorr têm cerca de 2,4 metros de altura em adultos, a cabeça é um gomo de laranja algarvia, o tronco é de um chimpanzé e os membros são de chimpanzé, mas de chimpanzés diferentes.)
Liló parou uns instantes para pensar. Aquele não era o seu ministério, definitivamente.
Salsinha – Que ar desolado é esse?
Liló – Olhe, menina, eu vou-me embora, está bem? Fique-se lá com a cabana e os algodões e tudo o resto, que eu vou mudar de ares e beber uma água com gás para desenjoar disto tudo. Passe bem!
Salsinha – Oh… - exclamou, desfazendo-se em lágrimas citrinas que lhe pingavam para os pêlos asquerosos misturados com algodão doce derretido.
Liló montou o fiel corcel, entretanto também já enjoado com tanta nojeira, fazendo-se ao prado e aos montes que tocavam o horizonte. Desapareceu para nunca mais voltar.
Moral da história: antes de qualquer casamento, convém sempre haver dificuldades que testem a relação e mostrem aqueles pêlos todos escondidos debaixo da capa do desconhecimento mútuo. pickwick

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publicado por riverfl0w às 00:06
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Quarta-feira, 12 de Julho de 2006
Machistas, liberais e conservadoras
Há poucos minutos atrás, soube que fui classificado de machista. Ainda por cima, por uma mulher! Tentei esclarecer esta possibilidade junto de uma das nossas leitoras, com nome de código “Ita”, através do MSN.
pickwick: acusaram-me de ser machista
pickwick: achas normal? uma gaja!
Ita: não acho, mas as gajas não são normais!
pickwick: ai não?
Ita: não.
Eu já desconfiava, mas pronto, não queria ir por esse caminho, para evitar clivagens sociais verbalizadas com representantes menos compreensíveis. Seja como for, quero esclarecer publicamente que não sou machista!!! Um machista, como o próprio nome indica, é um gajo que aprecia machos. Macho é um homem com qualidades viris, segundo o dicionário. Eu aprecio mulheres. Lindas, de preferência. Feias e badalhocas é que não. Um machista pode, ainda, ser um gajo que aprecia os machos das saias das mulheres, mas isso já é uma tara muito grande e muito gay. Eu sou aquilo que os mais actualizados dicionários classificam de mulherista, ou seja, apreciador de mulheres. Eu e mais metade da população mundial. Metade, sim, porque há muitas mais mulheres do que homens, mas esse excesso é contrabalançado pelo facto de ser constituído por resmas de mulheres que são, elas próprias, mulheristas. São as “fufas”, para os iletrados. Enfim. A ilustre acusadora é, segundo se consta nos bastidores, uma liberal. Eu adoro estas classificações de machistas, liberais, conservadoras e outras coisas acabadas em “s”. É divertidérrimo! Quero adiantar, desde já, que não gosto nem de liberais, nem de conservadores. Umas e outras alimentam-se de um excesso antagónico de ideais, distúrbios e traumas de infância. Mulher que é mulher, é apenas mulher, não é nada dessas coisas de liberais ou conservadoras. As liberais não passam de conservadoras acérrimas a fazerem o pino e a darem as nádegas por três cêntimos para que toda a gente pense que são providas de mentes abertas e de largos horizontes. As conservadoras não passam de badalhocas envergonhadas com os próprios sonhos e pensamentos ensopados em pecado. Regra geral, chega um momento da vida em que cortam, de vez, com o passado fingido e assumem a sua verdadeira condição. As liberais fecham-se em copas com uma vida de clausura e as conservadoras dão em libertinas que só à chapada. A freira liberta-se da prisão da vadiagem e a vaca foge do curral do pudor. Mulher que é mulher, a única surpresa que causa num homem é das boas e surge na forma de um lindo sorriso pela manhã, num leito inundado de amor e salpicado de suor. Ora bem! pickwick
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publicado por riverfl0w às 00:09
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