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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

07
Jun06

O amor é como o capim

riverfl0w
O Guã ligou-me esta semana, novamente, sendo que as vacas vieram novamente à conversa. O Guã é o tal que foi pintar vacas com frases brilhantes para o meio da cidade, num momento de reflexão interior de grande projecção mediática. Desta feita, tinha para me transmitir um daqueles pensamentos eternos que nos revelam grande sabedoria. Era um pensamento comprido, mas posso resumi-lo assim: o amor é como o capim… o capim nasce, com toda a beleza da natureza, cresce, floresce, torna-se lindo, verdejante, apetecível, deslumbrante, eleva os sentidos, torna tudo mais cor-de-rosa (apesar de ser verde), até que um dia… vem uma vaca cheia de fome e dá cabo de tudo! Ora bem, portanto, para os que não perceberam o pensamento todo, a vaca aparece no prado e come o capim. A relva, a erva, whatever. Eu acrescentaria que a vaca ainda há-de acabar por ruminar a coisa. Se bem me lembro, ruminar é aquele acto educadíssimo de puxar a comida do estômago para a boca, para mastigar mais um bocado e, finalmente, engolir de vez. Deve ser assim. As vacas têm destas coisas… ruminar o que se comeu, mesmo que lhes seja indigesto. É um fenómeno psicológico difícil de explicar. Portanto, imaginemos que o capim já não está nos conformes com os gostos mais refinados da vaca, mas ela não hesita em puxar para cima para mastigar e, pasme-se, voltar a engolir. Eu cá não percebo, mas deve ser mesmo típico das vacas. Tal como é típico dos fanáticos por futebol arrotar e grunhir como se percebessem alguma coisa do que deitam cá para fora. O pensamento, é bonito. E muito realista. Depois de meditar nele, puxei do livro das memórias e constatei que é muito comum vir a vaca e comer o capim. Estragar tudo, portanto. Não é que tenham de ser sempre as vacas… não… é sabido que nos prados também há bois, mas todos sabemos que há mais vacas do que bois… deve ter a haver com aquela coisa do equilíbrio da qualidade, certo? Portanto, estatisticamente, como há mais vacas que bois, haverá mais vacas a comer o capim e estragar tudo, do que bois a fazer o mesmo. Feio, feio, é estragar tudo. Seja boi, vaca ou um tabuleiro de xadrez, tanto faz. É feio e é foleiro. Eu também faço como os bois que vão ao prado a estragam o capim. De tempos a tempos. Às vezes, é por uma questão de preservação da qualidade de algo, mas outras é mesmo porque um gajo não as pensa, não as medita e não tem paciência para prevenir. É verdade. O que vale é que costumam ser coisas pequenas, de pouca monta. Se um gajo foi boi e ao mesmo tempo for engenheiro de pontes, aí é que não convém muito, mas isso são pormenores secundários. Entretanto, há uma vaca especial que nos últimos tempos até tem aparecido na TV, que adora aparecer no prado e comer o capim todo. Às vezes, não vem para comer… vem mesmo é para se borrar toda pelas ancas abaixo, para cima da erva, e deixar tudo que é um nojo, mal cheiroso e com mau aspecto. Não quero citar nomes, para não ser processado, mas ela anda aí… a dar cabo do capim… pickwick