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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

18
Jun06

Colares de pérolas e dardos na patroa

riverfl0w
Há fins-de-semana que nos apanham de surpresa. Ou surpresas que nos apanham ao fim-de-semana. Neste que agora mesmo findou, acordei a meio de uma bela tarde de sábado com uma bela princesa na minha cama. Estava toda nua e tinha um colar de pérolas tipo cor de uva ainda a tostar ao sol. Ora, como todos sabem, faz parte do sonho de qualquer macho que se preze acordar com uma bela princesa toda nua na sua cama. Com ou sem colar, sem ou com pérolas. É bonito, é sensual, é apaziguante, é relaxante. Está calor, cheira a férias, cheira a outras coisas que não são para aqui chamadas e sabe bem. Quando se traça um quadro assim, imagina-se um ambiente condizente e requintado, “à matador”, portanto. Contudo, neste fim-de-semana, a única coisa que se aproveitava deste quadro era mesmo a bela princesa com o seu colar de pérolas, porque o resto, bem, era o caos: um quarto com 1,5x3,0 m, que não passa de um cubículo; dois sacos-cama usados, abertos à toa e a necessitarem de uma máquina de lavar; um estendal portátil para secar roupa, atulhado com o conteúdo de duas máquinas de roupa cheias, num mix divertido e colorido de t-shirts, meias foleiras e cuecas másculas; livros e revistas empilhados debaixo de pilhas de pó; uma caixa da roupa suja perigosamente aberta, sujeitando quem passe a cair lá dentro; roupa que já não sei se está usada ou lavadinha de fresco, espalhada em cima de tudo e mais alguma coisa; e uma cama que foi um sofá rasca em metal e que milagrosamente sobreviveu a 140 kg. O que me vale é que esta princesa não é mariquinhas, senão o acordar a meio da tarde teria sido o fim do mundo. Ah, falta só acrescentar um pormenor sobre o ex-sofá rasca: aguenta mais do que 140 kg… tem a haver com aquela cena da física, sobre a energia cinética e etc. Mas isso, é outra estória. Também neste mesmo fim-de-semana, dei comigo a partilhar vivamente com uma amiga íntima, muito íntima, uma mão cheia de amarguras derivadas da estupidez crónica da nossa patroa. E como se partilha devidamente uma amargura? Bem, há várias maneiras… Mas acabámos por encontrar uma forma reconfortante de afogar as amarguras. Para tanto bastou um computador com Internet, uma impressora e um jogo de dardos afiados. Vai-se à Internet, saca-se uma foto da nossa patroa, imprime-se, prega-se no alvo redondo, dá-se uns passos atrás, e zás! Confesso que acabámos por divergir ligeiramente na zona a atingir. A minha amiga, que é uma amiga íntima, tinha uma predilecção mórbida por atingir o coração. Era tanta a predilecção que recortou um coração em papel amarelo e colou-o sobre o externo da fotografia da nossa patroa. Eu ainda lhe tentei explicar que o coração fica mais ao lado, ah e tal, mas ela não quis saber, ficou mesmo ao meio e pronto, bota os dardos para cima. A minha preferência foi para a zona da cabeça. A testa fica sempre muito bem com um dardo bem espetado, idem para o queixo, mas o melhor de tudo é mesmo num olho. É artístico e fica bonito. E enfim, podia dar-me para pior. Às tantas, o mal é sono… pickwick

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