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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

23
Jun06

Feel like doin' it?

riverfl0w
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

São 6 da manhã. Horas de estar a dormir, entenda-se - como provavelmente estarão a fazer 90% das pessoas à distância de menos de cinco fusos horários - exceptuando uns quantos que hão de estar a fazer relinchar as molas dos colchões. Se eu não fosse, portanto, ligeiramente insano, estaria a ressonar - embora não ressone - em vez de estar pr'aqui a escrever baboseiras. A questão é que esta madrugada fui assaltado por uma ideia altamente filosófica. Muitas vezes pensamos naquilo que deixámos por fazer, em certas oportunidades que não agarrámos com ambas as mãos... existe até aquele cliché - que fica sempre bem na boca de uma loura qualquer, até porque é fácil de decorar - do "só me arrependo daquilo que não fiz". Pois bem, aqui entre nós, temo que não passe mesmo de um cliché. A verdade é que em qualquer coisa que façamos, mesmo que se trate da oportunidade do século, existe sempre algum pormenor - por mais ínfimo que seja - que não corre bem. Como quando pisei a miúda mais gira da escola inteira, no Baile de Finalistas (que por acaso até estava a dançar comigo), ou quando gaguejei na minha primeira peça de teatro por me ter esquecido da deixa. São momentos que acabamos por recordar com alguma piada, ternura até, mas guardamos alguma mágoa por não terem sido... perfeitos. Os únicos que acabam por ser inexoravelmente perfeitos são, esses sim, aqueles que nunca aconteceram. Situações que ficaram apenas num pensamento, num sorriso, num olhar cúmplice. Aí, imaginámos tudo como queremos - até ao mínimo detalhe - e é assim que fica maravilhosamente guardado no álbum de recordações. Como se tivesse acontecido. Até ao dia em que disfrutamos da alegria imensa de se ter realizado, e guardamos aquela mágoa pequenina de não ter sido perfeito. Quer-me parecer que Flaubert já dissertou sobre este assunto, mas se assim for, é preciso que compreendam que em mais de 4000 anos de história humana é difícil de lembrarmo-nos de coisas originais. Ainda assim, vale a pena pensar nisto. riverfl0w

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