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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

30
Jun06

A Síndrome de Arlete

riverfl0w
A ouvir, na voz de João Vaz

O meu blog dava um programa de rádio - Rádio Comercial

 

A primeira Arlete que eu conheci na minha vida, era colega de casa de uma fulana que me cativou o olho. Viviam juntas, na mesma casa, portanto, todas estudantes universitárias, mais a irmã da Arlete. Depois de ter cativado o olho e lhe ter dado a volta, à amiga da Arlete, passei a ser cliente mais assíduo da casa, com todos os transtornos que isso traz, com os amigos e as visitas e os jantares e aqueles disparates todos que se fazem num primeiro ano de universidade. A Arlete, apesar de ser uma miúda aparentemente simpática, com quem se podia falar, era foleira como o galho de uma oliveira atropelada por um tractor. Lá estou eu com o trauma das gajas foleiras, mas as verdades e os factos não se devem esconder, a bem da vitória de Abril. Continuando. A Arlete era gorducha, muito morena, cabelo preto aos caracóis, dentes muito brancos e foleira, pronto. Metia-me impressão como é que poderia alguma vez haver um homem normal que quisesse alguma coisa com ela. O Zé, meu colega de curso e meu amigo, quis. Casou-se com ela e já tinha 2 filhos da última vez que soube deles. O Zé até era um gajo porreiro, mas, francamente… Enfim, eu escusei-me de lhe explicar que aquela gaja era foleira à brava e que a universidade e a cidade estavam cheias de miúdas com aspecto mais acolhedor e feminino, pois ele prestar-se-ia imediatamente a um ajuste de contas à moda de Mirandela, a terra dele, e não íamos querer cenas destas, pois não? A segunda Arlete que eu conheci, era da mesma idade da outra Arlete, mas com um desfasamento temporal de cerca de vinte anos. Fica bem dizer desfasamento temporal, é quase tão sofisticado como dizer time offset ou outras coisas giras do mesmo género que invadiam as aulas na universidade. Bom, esta Arlete, que é da terra onde agora vivo, é uma XXXX. Não pratica, profissionalmente, mas tem toda a parte depreciativa inerente. Ou seja, tem as mãos foleiras e acastanhadas pelo excesso de tabaco, tem os dentes tipo monstro-das-bolachas depois de comer o filme inteiro da “Carlinhos e a Fábrica do Chocolate” e levar de seguida uma joelhada nas mandíbulas, é mal feita, usa decote para mostrar ainda melhor o quão mal feita que ela é, e, pior que tudo, no dia de Carnaval de 2002 atirou-me um ovo à fachada da casa, minutos depois de eu recusar dar não-sei-o-quê ao bando de mascarados que andavam a correr todas as casas a pedir não-sei-o-que-mais. Por causa do ovo, que se cola que nem tinta à parede, passei quase uma hora em cima de um banco a escovar a fachada da minha casa. Se fosse uma gaja jeitosa, eu ainda desculpava, pronto, as miúdas giras têm direitos que as foleiras não têm, nomeadamente atirar ovos às fachadas das casas em época de Carnaval. Mas sendo assim, não há pão para feiosas. Eis, então, que surge a terceira Arlete. Ora bem, a Arlete é uma capanga da minha patroa. Eu já a conhecia de uma reunião anterior, mas, na quinta-feira, conheci o que pior há nela. Imagine-se: uma mulher quarentona, feia que nem uma morsa depois de ser violada por um cachalote muito macho, corpo muito disforme com proeminências estranhas em locais que não os seios, com um sorriso extremamente amarelo a lembrar a bocarra da traseira de um camião de recolha do lixo, e, chiça!, toda vestida de branco. O branco, como todos sabem, para além de ser transparente, o que fica muito bem nas mulheres jeitosas que gostam que os homens saibam a cor da lingerie e a sua preferência por fio de limpar os dentes, ajuda a dilatar o efeito visual que o corpo provoca no olhar do observador. O vestuário preto, pelo contrário, dá o efeito de emagrecimento, daí que esteja sempre na moda. Ora, como é que uma mulher destas se lembra de vir para uma reunião vestida de branco? Mas, como? Será louca? Mais louco será o marido. Sim, porque, ou é para disfarçar, ou a anilha de pombo que trazia no dedo quer dizer que há um homem (cada vez tenho menos esperança na nossa raça) que se casou com ela. Casar, ainda vá, pronto, é um gesto bonito e podia ser por condescendência. Mas, eu estou capaz de crer que há, de facto, um homem que durma com a Arlete. Ó pá! Por favor! Que tome uns comprimidos todas as noites para adormecer compulsivamente e não ter que se sujeitar ao sacrifício indescritível que é atender às necessidades sexuais da Arlete. Ou atire-se da janela. Ou atire-a a ela pela janela. Também tenho a mania que as miúdas chamadas Telma são muito peludas, mas isso é outra estória. pickwick

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