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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

10
Jul06

Extremas

riverfl0w
Ao que parece, o nosso blog foi referenciado como contendo abordagens à política. Ou seja, falamos de mulheres (estou a tentar evitar o termo “gajas”, porque fica muito mal quando ouvido na rádio) e de política. Eu, sinceramente, não me lembro de falar de política. Mas, já que temos a fama, não custa nada fazer o jeito ao proveito. O meu parceiro de blog situa-nos, politicamente, em opostos: ele é de extrema esquerda e eu sou de extrema direita. Perguntei-lhe porque é que eu era de extrema direita, ao que ele justificou com umas quantas banalidades e uns certos posts da minha autoria. Não percebi nada do que ele disse, mas desconfio que estava a tentar dizer que sou um bruto. Pronto, está no seu direito. Os brutos são da extrema direita e os meigos são da extrema esquerda. Ora bem, é como o mais e o menos na electricidade. Mas, isto da política sempre me fez muita confusão. Isto de direita e de esquerda, dos do centro, dos do centro à esquerda, dos do centro à esquerda, e depois os dos extremos, e mais os caramelos, as bolachas, os comunistas e os paninhos quentes. Enfim, eu acho que é tudo uma grande tanga! Acho que o pessoal usa esta classificação apenas para darem ares de entendidos. É como falar do Sporting, do Benfica e do Porto: ninguém sabe muito bem porque é que é de um ou de outro clube, todos deitam fogo aos restantes clubes, especialmente os que fazem sombra, chamam-se nomes uns aos outros, não se sabe muito bem porque é que os outros não prestam e muito menos porque é que o seu é que é bom, comenta-se em catadupa sobre coisas que têm a mania que sabem mas que ninguém dá cinco tostões pela sabedoria, enfim, mais ridículo que ser adepto extrovertido de um clube de futebol ou militante activo de um partido, só mesmo andar de patins em cuecas de renda num bar gay. Com todo o respeito pelos respectivos. Portanto, eu não curto adeptos e militantes que erguem bandeiras. Pronto. Nem adeptas e militantas. Se forem podres de boas, ainda posso fechar os olhos, mas as restantes ficam de fora. Pronto, lá estou eu a ser de extrema direita… Mesmo assim, não consigo evitar sonhar com a fundação de um verdadeiro partido político que meta tudo isto na ordem. Cor política? Podem ser tremoços com umas cervejolas fresquinhas, obrigado! Posicionamento político? Sentado! Acho que é por causa destas ideias para o partido que o meu parceiro me situa na extrema direita. Não podia ser apenas radical? Ou às bolinhas? Mas que mania as pessoas têm de encaixar tudo em grelhas esgalhadas em cima do joelho! Ora bolas! A única coisa que me leva a não fundar um partido político é porque depois era preciso andar pelas feiras a beijar morsas suadas e a elogiar cuecas e casacos à venda por meia leca. No dia em que as vendedoras de feiras forem todas jeitosas, bem cheirosas, arranjadinhas, falarem com doçura e não palitarem os dentes com os ferros do guarda-sol, então, aí sim, estarei disponível para fundar um partido que faça de Portugal uma nação triunfante e orgulhosa, correndo as feiras todas a dar beijos na boca às feirantes. Mas, não é por beijar feirantes que seria frouxo, ou me esqueceria das grandes necessidades que só serão ultrapassadas quando grandes medidas tomarem efeito. A nação lusa necessita, com urgência, de um pulso firme que coloque regras onde hoje só há saladas mistas, de umas reguadas nas nádegas dos que julgam que isto é o da Joana e da Francisca, de uma mega prisão onde caibam, em estádios sociais distintivos, trinta por cento da população portuguesa, ou seja, os indivíduos com os quais não me quero cruzar na rua. Eu tenho a mania das prisões, sei disso. Mas é um bom sistema. Um tipo rouba, prisão com ele, para não roubar mais. Um tipo bate no outro, prisão com ele, para não bater em mais ninguém. Um tipo abusa sexualmente de outrem, prisão com ele, para não abusar mais. E por aí fora. Entra e não sai mais. A reabilitação é um mito e ocorre com frequência inferior à mudança de sexo. Depois, claro, há a questão da estética. O meu partido seria extremamente preocupado com a questão da estética. Aquelas mulheres mal feitas, com cuecas fio dental, barriga de melancia, que passam de lado nas portas e têm mandíbulas à crocodilo, não podem andar livremente na rua. São como grafitis humanos andantes, a desfigurar a paisagem urbana. Eu devia escrever um manifesto político e falar na televisão. Já falaram por mim na rádio, por isso, já faltou mais. Depois, vêm as fãs. Sim, que isto da política é muito prático para arranjar fãs desejosas de serem vistas aos pés do líder do povo, com fama e proveito de com ele se deitarem, ansiosas por transportarem pantufas e bandejas com azeitonas. Podia começar por escrever um livro de referência, tipo manual de instruções para seguidores fanáticos, um best-seller para estudantes universitários sequiosos de disparates e teenagers lunáticos abandonados por gurus caídos em desgraça. Também me podia deixar destas tangas e ir beber umas cervejinhas geladas, que o calor está em grande… pickwick

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