Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

11
Jul06

Reiki e outras coisas acabadas em i

riverfl0w
Recentemente recebi um comentário a um dos meus posts, da autoria de um misterioso Ouvinte nº57, respeitante à possível coincidência das três Arletes na minha vida. Isso mereceria uma abordagem dedicada, mas, para ser sincero, fascinou-me enormemente a alusão ao Reiki. Essa bela arte. Ora bem, o meu primeiro contacto com o Reiki ocorreu há largos anos atrás, quando a minha ex (vou meter-lhe o nome de código “ex” para ninguém saber) chegou a casa com a notícia de que ia assistir a umas aulas de Tai Chi, ou Tai Li ou qualquer coisa acabada em “i”, no pavilhão do quartel dos bombeiros da cidade alentejana onde vivíamos. Eu achei graça e estive a pontos de ir também, se bem que durante vários anos vivi no Oriente paredes meias com um jardim onde dezenas de chinocas de pijama faziam daquilo todos os dias a partir das 6h da manhã. E não fui. Em pouco tempo o Tai Chi passou a Reiki e as demonstrações públicas do mestre passaram a sessões de grupo, para praticar a arte. Temo não conseguir recordar com precisão a evolução da coisa, mas em poucas semanas começaram a aparecer espelhos pela casa, colocados em lugares estratégicos e altamente estéticos, como em cima das aduelas das portas, por exemplo. Pensava para comigo que a rapariga devia estar numa demanda misteriosa para alongar o pescoço, como aquelas africanas estranhas, as mulheres-girafa, mas não liguei, na esperança que fosse algo passageiro. Havia planos para mudar a disposição da mobília da casa, de acordo com não sei o quê do sol e da lua e das energias e tal, mas, felizmente, não foram avante. Isto tudo ainda era aceitável. É como aqueles gajos que começam a praticar uma nova arte marcial e depois andam por aí cheios de tiques esquisitos e gestos abichanados, com os braços a abanar e o rabo a dar-a-dar. A coisa começou a descambar quando, a propósito da Helena (nome de código para uma colega minha lá do trabalho, que por acaso também se chama Helena), a minha ex manifestou disponibilidade para, em conjunto com o seu grupo de amigos e aficionados do Reiki, proporcionar tratamento sofisticado para a minha colega. Ora, a Helena era (e ainda deve ser) uma daquelas personagens dos filmes de ficção e muita aflição, artista típica de vanguarda, de ideias do avesso e muito, mas muito, maluca. Para além de gostar de fazer-se aos homens comprometidos e de adorar fazer arte com montes de ferro muito ferrugento, era acometida frequentemente por profundos poços de depressão, assim com ligeiras inclinações para as tentativas frustradas de suicídio, acabando sempre por rodear-se de amigas preocupadíssimas com o seu lamentável estado depressivo. Bom, a minha ex queria, portanto, levar lá a Helena para uma sessão de tratamento. Tentei explicar-lhe que aquele tipo de mulheres são avariadas por gosto e não há conversa que as meta na linha. Uns pares de galhetas deveriam fazer algum efeito, mas consta que ela gostava que o namorado lhe batesse, daí que o método teria resultados opostos. A minha ex passou a tentar explicar que o tratamento não seria à base de conversa, mas, sim, de energia. Das mãos e ah e tal, e os fluxos de energia e não sei mais o quê. Percebi imediatamente que a minha ex viria, mais ano, menos ano, a ser, de facto, minha ex. Eu até curto as cenas orientais, pratiquei uma arte marcial durante muitos anos, vivi vários anos no Oriente, acredito na capacidade do corpo para além daquilo que conhecemos do nosso dia-a-dia, mas, francamente, curar a Helena?! Não há sabedoria oriental que cure uma chanfrada ninfomaníaca que tem em casa uma galinha com um metro de altura, a que chama “a minha filha”, toda feita com peças de ferramentas agrícolas alentejanas completamente ferrugentas! No entanto, vejo um lado fantasticamente positivo no Reiki: o uso das mãos para transmitir energias e curar! Portanto, um gajo afiambra-se de uns diplomas na Feira da Ladra, monta um consultório, compra indumentária a condizer – qualquer pijama serve, espalha uns palitos de incenso e meia dúzia de espelhos, e passa o resto da vida a apalpar mulheres lindíssimas e endinheiradas, desejosas de verem curados todos os seus males através de um fluxo misterioso que lhes entrará pelas nádegas castigadas e pelos seios recauchutados. Ora bem, este é mesmo um mundo cheio de oportunidades!... pickwick

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.