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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

01
Jun13

O estado da barriguinha

pickwick

Para efeitos de anonimato indestrutível, vou chamar-lhe Bernardete.

Estava o céu meio descoberto e fui até à cidade mais alta de Portugal almoçar. A Bernardete tinha feito o convite para provar mais uma das suas obras gastronómicas: bife de atum. Correu mal, não havia bifes de atum na Guarda, pelo que a alternativa foi salmão grelhado. Coisa boa. Feita com carinho. Para sobremesa, mousse de lima. De estalo!

Bom, mas isso da comida agora não interessa. Após o repasto, fomos ao quarto dela tratar de assuntos digitais, nomeadamente copiar fotos de um disco externo para o computador dela, etc., mais umas lições sobre tratamento de imagem, ah e tal. A determinada altura, a Bernardete ausentou-se para tratar de assuntos íntimos no WC.

Quando regressou, dois minutos mais tarde, trazia as justas calças de ganga desabotoadas e escancaradas, e o top todo arregaçado até ao peito feminino. Ah e tal, que tal a minha barriguinha?, perguntou ela.

Entre o processamento da pergunta e a observação rápida do aparato, o meu cérebro recuou até ao triste episódio da conclusão precipitadíssima sobre a prestação da Telma Monteiro nos Jogos Olímpicos 2012. Deste episódio, ficou-me registada a obrigação moral de, face à visibilidade de qualquer área excepcionalmente colorida em zonas menos públicas do corpo de uma mulher, decidir que se trata de mais uma “banda Kinesio”.

No caso da Bernardete, uma “banda Kinesio” vermelha. Ali. Abaixo do umbigo. Com mais de 4 cm acima do fim do tecido de ganga das calças. Qualquer pessoa normal, pensaria imediatamente que a área vermelha seria parte da cuequinha da Bernardete. Mas não eu! Formatei-me a mim próprio para considerar que a Bernardete andava com dores no fundo da barriga, coitadinha, toda torcida que nem podia, e que, por isso mesmo, necessitava de usar uma “banda Kinesio”. Vermelha. Rendada.

Aliviado pela oportuna e acertada decisão, pude corresponder à pergunta da Bernardete, apalpando-lhe os abdominais em busca de músculos proeminentes, e tecendo considerações sobre as linhas já existentes – fruto de muitas e longas horas de exercício físico. O resto da tarde decorreu com tranquilidade, dentro do género, até à hora de me ir embora, para atender a um pedido de abate de vírus no computador de uma biblioteca.

Infelizmente, ao descer das alturas da cidade mais alta, a outrora oportuna decisão começou a fraquejar. Ou eu é que comecei a fraquejar. Muita fraqueza, portanto. A “banda Kinesio”, afinal, poderia não ser um instrumento medicinal. Seria, verdadeiramente, uma cuequinha vermelha rendada. A palmo e meio do meu nariz.

Um gajo consegue controlar-se em situações de muito stress, como foi o caso. Mas, mais tarde ou mais cedo, acaba por ceder à verdade da dura realidade. E dá em doido. Especialmente quando, horas mais tarde, a Bernardete faz o favor de informar que não se tratava de uma cuequinha. Não! Era uma tanguinha!!!

E eu fiz mal a alguém? Fiz? Há dias em que parece que torturei velhotas e cozi bebés dentro de um micro-ondas, tal é o castigo que a vida me proporciona… pickwick

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