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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

19
Jul06

Reflexões sobre a homossexualidade

riverfl0w
Vínhamos nós, serra abaixo, as botas de penedo em penedo pelo carreiro que levava a Loriga, debaixo do intenso braseiro de um sol de Julho. Os temas de conversar multiplicavam-se, o que é natural quando se juntam vários licenciados, mestres e doutorados, todos a cheirarem a catinga nos sovacos muito suados. Um dos temas foi, imagine-se, a homossexualidade. O debate começou com a análise do relacionamento entre seres humanos, com base na experiência de vida de cada um. Os homens dão-se bem com os homens, as mulheres dão-se mal com os homens e as mulheres dão-se mal com as mulheres. Seja aos pares, aos trios ou em grupos maiores, como é o caso de uma cidade universitária onde abundam apartamentos partilhados por vários estudantes. Nos apartamentos só com homens, e tirando crises geradas por partilha de namoradas e fãs, o ambiente saudável perdura pelos anos fora, inabalável, aprofundando-se amizades, partilhando-se sonhos e aventuras. É bonito de se ver e viver. Em apartamentos só com mulheres, bem, há sempre desavenças, crises emocionais, crises de ciúmes, batalhas verbais, zangas de alguidar, umas que abalam e mudam de apartamento, grupos que se desfazem, amizades feitas e desfeitas, enfim, uma roda viva que faz as delícias dos homens que assistam a tudo. Em apartamentos mistos, porque também os há, o ambiente nunca é cem por cento saudável, mas, caso haja homens habituados a fazer estalar o chicote, ou habituados a deitar desprezo pelas narinas, há esperança de não haver uma degradação da qualidade de vida que comprometa a continuação. Ainda assim, é perigoso, entenda-se. Daí que, segundo a teoria do PM (nome de código de um doutorado em engenharia, como se depreende pelas letras), a relação de amor ideal é mesmo entre homens. Tipo homossexualidade. Só que, segundo o autor da teoria, há um problema grave de “hardware” neste tipo de relacionamento. O “hardware”, como todos sabem, é a parte física do ser humano. O “software” será a parte psicológica, que, no caso das relações homossexuais, desliza que nem vaselina. O problema de “hardware” resume-se, nas palavras do homem que trouxe à luz do dia esta teoria, a um problema de dar o rabinho. Compreensível, portanto. Outros membros masculinos do grupo acrescentaram mais alguns problemas de “hardware”, para dotar a teoria de bases mais sólidas, tais como a questão as pernas peludas dos homens, que não ficam bem quando há mais que duas juntas, a parte dos pêlos ao fundo das costas a fugirem para o rego das entre-nádegas, e outras coisas que tais. O único membro feminino do grupo confirmou a teoria, reconhecendo que, de facto, os relacionamentos homem-mulher e mulher-mulher estão, à partida e desde sempre, condenados ao fracasso. Nisto, o JN (nome de código para um mestre em gestão, confundindo-se com um célebre jornal) fez a revelação do ano: a teoria da “carreirinha na onda”! Eu confesso que fiquei atónito com esta teoria, dada a mestria com que foi descrita e a sua evidente aplicação prática. Ora, esta teoria é muito simples e passo a descrever. Os rapazes ou homens, quando vão à praia, gostam sempre de apanhar umas belas ondas e, mesmo sem prancha, tentarem fazer de pranchas-humanas, sendo propulsionados a uma velocidade vertiginosa pelas vagas de água salgada, até ao limite, sendo que, numa fase final do percurso, se vêem envolvidos em água turva, espuma e muita areia, raspando os peitos viris no fundo do mar cheio de conchinhas, pedrinhas e areia grossa. Depois de umas horas destas habilidades, voltam às suas casas, parques de campismo, apartamentos de férias, etc., onde vão para debaixo do chuveiro lavar o sal da água do mar. Entretanto, e por via do tal percurso final da carreirinha da onda, no qual entraram quilos e quilos de areia para dentro dos calções, são obrigados a retirar aquela areia malandreca que se infiltrou mesmo nas profundidades do rabinho, onde a água do chuveiro não chega. Inocentemente, sem saberem do perigo que correm, usam o belo do dedinho (indicador ou médio) para, num gesto harmonioso e carinhoso, retirarem aquela areia incomodativa. À primeira passagem do dedinho, e enquanto ainda soa no ar um “uiii… que é bom…” de satisfação, já é tarde para voltar atrás. Descobriram o prazer da homossexualidade! Era caso para os chuveiros serem vendidos com uma placa de aviso: “atenção, limpar a areia do rabinho usando o dedinho, pode provocar homossexualidade”. pickwick

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