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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

03
Dez12

A Honda, a neve e a mula

pickwick

Após muita ponderação, muitas pesagens de prós e contras, e muitas contas, sempre me decidi comprar uma mota. Já lá vai um mês, é verdade. Honda CBF125M. Consumo de 1,8. Como na foto. Com carta de automóvel. Porque a vida não está fácil e estou farto de estoirar setenta e tal euros para encher o depósito do carro quando posso fazer a festa só com vinte, tirando duas rodas e uma bagageira e o aquecimento para os pés e mais umas miudezas.

 

Bom, já tinha dado umas voltas com a menina, mas faltava mais um punhado de quilómetros para a levar à revisão dos 1000, pelo que aproveitei a previsão de bom tempo para sábado e quis ir às Penhas Douradas apanhar sementes. Luvas, cachecol polar, casaco xpto, calças impermeáveis (tipo trolha), botas Boreal 130€, mochila às costas, enfim. Correu tudo lindamente, até chegar aos 1400 metros de altitude, lá para as 9h e pouco. O sol desapareceu atrás de uma nuvem gigantesca e havia neve por todo o lado.

 

Em poucos minutos, fiquei com os pés gelados, as mãos idem, o nariz idem, e só se safaram os tintins porque estavam resguardados estrategicamente atrás do depósito de gasolina. No cruzamento para as Penhas Douradas, meia-volta e força, que as rodas patinavam que nem vaselina e já não havia mãos para distinguir uma semente de um penedo de granito.

 

Devagarinho, com jeitinho, safei-me da zona deslizante e comecei a descer em direcção a Gouveia. Lá para os 1200 metros de altitude, já sem neve, encostei a menina e larguei a correr montanha acima, na esperança de conseguir aquecer o suficiente para descongelar a bexiga e dominar a destreza nos dedos. Figurinhas, portanto. Minutos mais tarde, a arfar, de bexiga vazia, estava de regresso à estrada, deslizado montanha abaixo, saboreando o encosto reconfortante dos raios solares matinais.

 

Em Gouveia, pensei: ah e tal, vou ali ao Curral do Negro ver se há sementes. Para meu espanto, poucos metros antes do Curral do Negro, alcatroaram um trilho que leva a Folgosinho. Nem pensei duas vezes: pumba a caminho de Folgosinho, como se fosse levado pelo vento numa pista de motociclismo. É curioso, o país supostamente em crise, e andam a alcatroar trilhos no meio de um parque natural.

 

Chegado a Folgosinho, desci para os viveiros. Boa jogada. Havia bolotas de carvalho em quantidades obscenas. E com dimensões muito generosas. Grande delírio! A determinada altura, cheguei à conclusão de que não havia carro para transportar tamanha quantidade de bolotas. Parei com a recolha e meti a mochila cheia às costas. Quase que me vergou a espinha, tal era o peso. E lá fui eu, carregadinho que nem uma mula. Ou a mota a fazer de mula. Não, era eu mesmo, que as costas eram minhas. Podia ter apanhado outras tantas bolotas, mas não havia condições. Fazer de mula, em pleno século XXI, não é das coisas mais inteligentes, eu sei. Podia ter arranjado uns alforges rudimentares, com restos de calças de ganga, à cowboy-rafeiro, mas nunca me tinha passado pela cabeça arranjar tantas bolotas de uma só vez. Fica para a próxima. pickwick

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