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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

22
Jul06

Covão da Areia

riverfl0w
No Covão da Areia, local que aconselho a qualquer amante da natureza, tirámos uns minutos antes do jantar para nos banharmos numa lagoa apetitosa e explorarmos a zona. O Nan (nome de código, cujo verdadeiro nome não se escreve ao contrário, mas quase), engenheiro brilhante que tem o condão de adormecer com mais facilidade do que bebe um copo de água, conseguiu-nos surpreender com mais uma actuação. Eu já o tinha visto adormecer nos locais mais impróprios, fosse em cima de um monte de calhaus amontoados, ou com o corpo directamente na terra fria e húmida de uma serra das Astúrias, mas como desta vez, nunca. O Nan, procurando uma posição confortável para apreciar a bela paisagem à nossa volta, esticou-se na relva com os cotovelos apoiados no chão e o tronco inclinado. Eu não contei o tempo, mas quase que juro, a pés juntos, que não demorou mais de um minuto até ele começar a roncar profundamente, naquela posição. Isto, não é normal! Largos minutos mais adiante, hora de jantar, juntámo-nos para preparar o poiso para noite, assar umas chouriças e esvaziar as garrafas de tinto que pesaram na mochila durante toda a caminhada. O sonho de um céu estrelado desvaneceu-se rapidamente, com o aproximar galopante de nuvens muito escuras e o eco de trovões pouco amigáveis. Quando demos por isso, estávamos já enfiados debaixo de um toldo, que nos fez de abrigo, a olhar uns para os outros, atónitos, enquanto caía uma impressionante chuvada de berlindes de gelo. O termo não é granizo, mas berlindes de gelo! Em Julho! Mas, uma coisa impressionante! Como estávamos no sopé de um maciço granítico com dezenas de metros de altura, víamos os berlindes a caírem, saltitando de penedo em penedo, amontoando-se cá em baixo, na relva, mesmo ao nosso lado. O toldo, esse, parecia que se ia furar, tal era a intensidade com que caíam os berlindes. Quando me quis armar em engraçadinho e meter os copos fora do toldo para ver se apanhava uns quantos berlindes, fui brindado com um "tiro" no cimo da cabeça que quase me fez desmaiar. Parecia o fim do mundo em cuecas! Felizmente, após muitos minutos, a coisa abrandou e acabou por aparecer um céu estrelado, límpido, maravilhoso, debaixo do qual passámos o resto da noite. O Covão da Areia não se devia chamar assim. Tudo bem que tem muita areia e passa um ribeiro no meio e é muito giro. Mas, o que aquele covão tem mais, são caganitas. É isso mesmo! Milhões de caganitas. De cabra, de ovelha, de coelho, de raposa, de gineta, de javali, de sapo e de turista. Portanto, em vez de Covão da Areia, deveria chamar-se Covão das Caganitas. Não fica tão simpático, mas é mais realista. pickwick

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