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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

15
Mai12

Ui! Não me toques!

pickwick

Hoje foi dia de mais uma daquelas reuniões. Portugal é um país muito fértil em improdutividade. O tempo, a energia e os recursos humanos que são investidos em acções improdutivas, representam um fenómeno de dimensões assustadoras, mas perfeitamente compreensível, quando damos conta que a pobreza de espírito abunda em todos os níveis intelectuais da nossa sociedade.

Divagações à parte, a reunião decorreu em ambiente fechado e pesado: sete gajas para dois pobres rapazes. Uma das moças, é aquilo a que se chama uma gaja toda boa. Podia dar-lhe o nome de código Todaboa. Ou Boazona. Ou Zonaboa. Ou Zoabona. Ou Zulmira. Zulmira parece-me bem e definitivamente ninguém desconfia.

 

Eu nunca fui de grandes intimidades com a Zulmira. Nunca passámos de meio dedo de conversa profissional em grupo. Mas, hoje, a Zulmira vinha atravessada. Começou com uma entrada triunfante, tropeçando numa calha para cablagem existente no chão e quase saindo pela janela do outro lado da sala ainda agarrada à malinha e aos documentos. Uma coisa dramática, tenho que reconhecer. A Zulmira trabalha noutra instituição e trouxe cumprimentos muito efusivos de um antigo colega que agora trabalha com ela. Acho que isso foi o quebra-gelo que lhe faltava. Puxou de uma cadeira e fez questão de se sentar ao meu lado. E começou a tocar-me no braço ao ritmo de um toque por cada duas frases, mais toque, menos toque. Como estava calor e eu estava de camisa de manga curta, foi mesmo pele com pele. E eu, que sou bem comportado, pensei logo: Ui! Tu não me toques assim, que eu começo já a uivar e a bater com o pé no chão, com ou sem lua. Quase três horas a tocar-me no braço. Momentos houve em que pensei seriamente que ela haveria de meter a mão na minha perna, com a generosa intenção de me transmitir uma qualquer informação de forma mais convincente.

 

Passei a reunião intrigadíssimo com isto. A aliança continuava no dedo. Que raio?!

 

Já para o fim, acho que vi a “luz”. A Zulmira levantou-se para ir ao computador que estava ligado ao projector, para retirar uma pen. Boazona, o tanas! Mais outra com falta de nalgas! Estava tudo explicado! Comecei a fazer contas às proporções corporais e descobri, logo ali, mais umas quantas desproporções a desfavor dela. Eu adoro quando se soluciona um mistério de forma tão célere. Espanto-me comigo mesmo. Ou, como diria o Nando: é só desculpas!... pickwick

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