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Arautos do Estendal

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Ela, do alto das suas esbeltas e intrigantes pernas, veio caminhando quintal abaixo até ao estendal, dependurando a toalha onde, minutos antes, tinha limpo as últimas gotas de água. O Arauto viu, porque o Arauto estava lá. E tocou a trombeta.

Arautos do Estendal

27
Mar12

A anfitriã tormentosa

pickwick

A propósito de nada, uma ex-colega de trabalho resolveu meter as beiças no chifre e tocar a recolher as tropas em sua casa, para um lanche ajantarado, para relembrar velhos tempos e trocar novidades. Para evitar confusões, a anfitriã chamar-se-á Fena (nome de código).

 

A Fena já foi alvo de, pelo menos, um post aqui neste blogue. Afinal, sempre foram dois anos de convivência profissional, remontando a uma época em que eu fazia parte do patronato. Estamos a falar de uma moça trintona recente, casada, mãe, cabelos alourados, tão elegante que até chateia, e de pulmões bem protegidos. Um luxo, portanto. O único defeito físico, é um místico olhar de carneiro mal morto, daqueles que são atropelados numa qualquer estrada alentejana e que são misteriosamente resgatados para uma dimensão desconhecida e que aí lhe trocam o corpo peludo pela carne sedosa de uma musa e que lhe tiram os chifres e lhe fazem a depilação do focinho com laser, e que, para finalizar, lhe metem uns implantes de silicone até ficar pronto a consumir por qualquer mortal. Ah! Não esquecer a mudança de sexo, claro.

 

Bom, nesse dia do lanche, a Fena usou umas calças de ganga justas. Não sei o que prefira. Se quando ela usa calças justas para se tirar todas as dúvidas. Se quando se atravessa no caminho com um vestidinho curtinho de saia rodada, daquelas que chamam pelo vento: ffffuuuuuuu… sopra-me… sopra-me…

 

Independentemente das minhas preferências, foi um lanche muito perigoso e tormentoso. O marido ligeiramente à minha esquerda. Ela, para trás e para a frente, ora a fazer de mãe, ora a fazer de empregada de mesa. Nestas ocasiões, há que dominar muitas variáveis para conseguir disfrutar todo o ambiente na sua plenitude, mais a variedade gastronómica. Não querendo ser gabarolas, confesso que tenho algum domínio. À minha esquerda, todos os homens da mesa. Dois bem que me podiam apanhar a babar-me para as nádegas da anfitriã, que saberiam ser discretos e guardar segredo. Quanto ao marido, a coisa poderia acabar à facada, no mínimo. À minha frente, uma moça de quinze anos, perspicaz e incapaz de guardar qualquer segredo. Ao lado dela, a tia solteirona e artista, muito discreta, mas não cega. Ao lado desta, uma divorciada, também discreta, e nada cega. A seguir, uma colega casada e mãe de filhos com quem simpatizo muito e cujos decotes de primavera-verão costumam fascinar-me até ao delírio – e muito, mas mesmo muito perspicaz. Para finalizar, mais uma mãe de filhos, que há pouco tempo me apalpou o braço (escandaleira, carago!). No meio da mesa, um sem fim de pratos com iguarias e umas garrafitas de coisas que fazem bem ao espírito.

 

Foi cansativo, é o que posso dizer. Cada vez que a anfitriã se levantava, era preciso aproveitar para apreciar o movimento da ganga, controlando o marido e as outras mulheres todas e respondendo em tempo útil às inúmeras solicitações para passar o pratinho do presunto ou encher mais um copo.

 

E o que é responder em tempo útil? É receber o pedido para passar o pratinho do presunto e não ficar meia dúzia de segundos de olhar fixo no movimento harmonioso das nádegas da anfitriã, de boca entreaberta da qual escorreria inevitavelmente um asqueroso fio de baba… pickwick